Chapecoense x Botafogo - rebaixamento

Chape estreou na Série A em 2014, mas agora não resistiu e viveu rebaixamento (Foto: Dinho Zanotto/MyPhoto Press)

Luiz Fernando Gomes
03/12/2019
07:30

Em 2015, Santa Catarina se firmava como a quinta força do futebol brasileiro, atrás apenas de Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul. Na Série A daquele ano estavam nada menos do que quatro clubes do estado: Avaí, Chapecoense, Figueirense e Joinville, que acabara de levar o título da Segundona de 2014.

A participação do quarteto barriga-verde (para quem não sabe assim são chamados os naturais de Santa Catarina) foi o apogeu de uma era iniciada em 2002 quando, desde então, todos os Brasileirões tiveram ao menos um representante do estado. Uma sequência de sucesso que só se quebra agora com o já decretado rebaixamento de Avaí e Chapecoense e a definição dos quatro clubes - Bragantino, Sport, Coritiba e Atlético-GO - que ascendem à elite nacional em 2020.

Mas a crise dos catarinenses vai ainda mais longe: o Criciúma, que também já andou pela Série A e venceu inclusive uma Copa do Brasil - também termina o ano rebaixado da Segunda para a Terceira Divisão. O Figueirense, por muito tempo a força mais poderosa do estado, escapou por pouco de seguir o mesmo caminho após uma série de trapalhadas em um frustrado acordo com uma empresa que assumiu a gestão do futebol do clube.

Só escapou desse ocaso o Brusque, campeão da Série D, que conquistou o título de forma incontestável após dois empates épicos com o Manaus em uma disputa de pênaltis que terminou 6 a 5 na decisão do torneio, numa Arena da Amazônia lotada com mais de 45 mil torcedores adversários. Muito pouco para um estado que parecia decolar de uma vez por todas.

Mas o que aconteceu com o futebol catarinense, afinal?

É difícil de entender, mesmo para quem acompanha o dia-a-dia dos clubes de lá. E, talvez, não haja mesmo uma única razão que explique isso tudo, mas motivos e realidades específicas em cada clube. A queda do Avaí, por exemplo, era a mais previsível - o Azulão de Floripa há muito faz parte do grupo de times chamados de ioiô, aqueles que sobem num ano, descem no outro e voltam logo depois. Foi apenas a confirmação dessa rotina.

Já a derrocada da Chapecoense carrega uma boa dose de decepção. E muita frustação. O Verdão do Oeste jamais havia sido rebaixado desde que chegou à Série A em 2013. O clube sobreviveu à tragédia da Colômbia, parecia ter saído ainda mais fortalecido, mas acabou sucumbindo ao mesmo mal que já abateu clubes importantes do futebol brasileiro: o amadorismo, a politicagem interna na disputa pelo poder que acaba, invariavelmente, na tomada de decisões equivocadas que se refletem diretamente dentro do campo.

No caso do Figueirense o vexame era anunciado. Uma rápida passada de olhos no contrato assinado entre a diretoria e a empresa "parceira" já deixava evidente a inviabilidade do que se propunha ali. Investimentos que não foram feitos e salários atrasados do elenco - que chegou a fazer greve levando o time a perder pontos por WO e correr o risco de ser eliminado da competição pela CBF - transformaram em pesadelo o sonho da profissionalização. E a tragédia só não foi ainda maior pela rescisão unilateral do contrato, em que pese a pendenga jurídica que virá pela frente.

O campeonato catarinense talvez seja o mais interessante dos estaduais do país. O que mais se assemelha às ligas europeias já que, diferentemente de outros estados onde as forças se concentram quase que exclusivamente nas capitais, ali cada cidade tem seu time. Joinville, Criciúma, Chapecó, Brusque, Hercílio Luz são bons exemplos a rivalizar, de forma competitiva, com Avaí e Figueirense. Isso aumenta o equilíbrio e, principalmente, a rivalidade que tende a fortalecer o conjunto dos clubes. Quando janeiro chegar, esse pode ser, quem sabe, o caminho da retomada. Para botar o futebol do estado novamente nos trilhos.