Kaká

Kaká foi o convidado do programa do "SporTV" (Foto: Reprodução/Sportv)

LANCE!
29/12/2018
22:14
Rio de Janeiro (RJ)

Kaká foi o convidado e protagonista do programa "Grande Círculo", que é apresentado por Milton Leite, e teve participações de André Rizek, Bárbara Coelho, Caio Ribeiro, Cleber Machado, Maurício Noriega e Tino Marcos, que foi exibido neste sábado no canal "SporTV". 

Dentre os assuntos debatidos, que se referiam à aspectos de sua vida pessoal e sua carreira como jogador profissional, o ex-meia falou muito sobre sua trajetória vestindo a camisa da Seleção Brasileira. A primeira convocação de Kaká para defender a equipe principal foi em 2002 e ele representou a nação pentacampeã do mundo em três oportunidades. 

Dentre todos Mundiais, Kaká classifica o de 2002, realizado na Coreia do Sul e Japão, como o melhor, também sendo, de acordo com suas palavras, a maior glória de sua carreira. O meia esteve presente no elenco treinado por Luiz Felipe Scolari que foi campeão do mundo. 

- Copa do Mundo de 2002 (A maior glória). Mesmo tendo jogado só 23 minutos contra a Costa Rica. Até brinco que é o número da minha camisa. Mas a conquista da Copa do Mundo é muito grande, é muito legal. Depois joguei mais duas Copas, briguei para ir para uma quarta. É muito difícil chegar para disputar uma Copa. A cada quatro anos, você não sabe em que condições vai chegar. Mesmo tendo participado pouco, com 20 anos, poder dizer que eu fui campeão do mundo com a seleção - afirmou. 

A história de conquistas, porém, não se repetiu nas outras Copas. Em 2006, a esperança na Seleção Brasileira, que possuía - em tese - um dos melhores elencos da competição era grande, mas a equipe treinada por Carlos Alberto Parreira foi eliminada para a França, nas quartas de final. O ex-atleta comentou sobre o ambiente daquele elenco, se referindo a uma possível falta de foco nos momentos decisivos da competição. 

Kaká - Copa do Mundo de 2006
Kaká lamenta a eliminação em 2006 (Foto: Arquivo Lance!)

- Todos os jogadores daquela seleção eram protagonistas em seus clubes, e tinha tudo para aquela seleção chegar mais longe. Pelo menos a disputar a final. A França era excelente também, Zidane foi um dos protagonistas daquele Mundial. Mas eu acho que aquela seleção poderia ter feito um pouco mais. No seu momento, pode ter faltado alguém que falasse (se referindo à bagunça). O difícil nessa situação especifica é quando você esta naquela situação especifica, você enxergar realmente que está toda essa bagunça. Depois, anos na frente, a gente consegue analisar melhor. Na hora, de dentro, é mais difícil de analisar, porque você está envolvido com aquele momento de Copa do Mundo - falou.

Em 2010, na África do Sul, o filme se repetiu: apesar da seleção treinada por Dunga não ter jogado com toda a expectativa do elenco de quatro anos inferiores, Kaká lamenta a campanha canarinha na competição. Na ocasião, o Brasil também foi eliminado nas quartas de final, pela Holanda, que, dias depois, seria a vice-campeã daquela edição.

- 2010 é detalhe de jogo. Você pega os dois gols aqui. O primeiro o Júlio César (se choca) com Felipe Melo, dois do mesmo time, isso é muito detalhe de jogo. Porque o primeiro tempo foi excelente, gol do Robinho, eu bati uma bola, chapada ali, que o goleiro defende, mais uma duas ou três oportunidades que a gente teve. Aí no segundo tempo, dois detalhes de bola parada. É muito difícil falar o que faltou. Aquela seleção ganhou tudo o que disputou naquele período, menos a Copa do Mundo. Num ciclo de quatro anos, ganhou as Eliminatórias se classificando lá na Argentina. Ganhou a Copa América, ganhou a Copa das Confederações... Tudo que podia ganhar, ganhou. E na Copa, perde no detalhe do jogo - declarou.

Longe da seleção, Kaká foi o último brasileiro a ser eleito como melhor jogador do mundo, em 2007. Naquele ano, o ex-meia foi o protagonista de um Milan campeão da Uefa Champions League, a principal competição da Europa. Todo esse desempenho resultou em um esforço do Real Madrid que, em uma das transferências mais caras da história do futebol, levou o brasileiro para a capital espanhola. Em Madri, porém, o meia não conseguiu repetir as mesmas atuações, mas ele garante que fez de tudo para evitar isso. 

- Eu tinha uma convicção que iria dar certo, que era até algo fora do comum. Hoje eu faço esse debate e coloco às vezes em casa quando a gente demora muito para tomar uma decisão. O quanto é persistência e o quanto é teimosia. Não sei se eu fui teimoso ou persistente. Eu acho que fui persistente, fui até onde eu podia, até o meu limite. E aí na temporada 2013-2014, com a chegada do Ancelotti, o presidente Florentino [Pérez] quis renovar com jogadores da base, jogadores novos chegando, e o Ancelotti foi muito claro comigo: "Olha, o presidente pediu para a gente usar essa estratégia esse ano" E eu falei para ele: "Mister, eu preciso jogar porque eu quero jogar a Copa de 2014". E a melhor opção era eu sair - afirmou.

Durante sua passagem pelos Merengues, muitos portais noticiaram alguns desentendimentos entre Kaká e José Mourinho, treinador do Real Madrid na época. Apesar do brasileiro 'carregar' o fardo de um dos maiores negócios da história e ter sido melhor do mundo, ele não conseguiu muito tempo dentro de campo. Mesmo assim, o meia garante que não existe nenhum problema com o treinador português, atualmente desempregado. 

Kaká - Real Madrid
Passagem de Kaká pelo Real Madrid foi marcada por problemas com José Mourinho e inconsistência (Foto: Divulgação)

- Eu fui para Manchester no evento de um patrocinador, fiquei no mesmo hotel que ele e ficamos duas horas conversando. Em vários momentos nos desentendemos no Real Madrid. Porque eu achava que eu tinha que jogar e ele achava que não, mas era um desentendimento muito respeitoso. Em nenhum momento eu me rebelei, "vou embora daqui", nem saí dando declarações em relação ao treinador. "É sua escolha, acho que você poderia ter outra escolha, acho que eu tenho possibilidade de jogar. Agora, você está tomando uma escolha" Era escolha dele. E nesse momento o time era tão bom que eu também não tinha muito argumento. "Você não vai jogar porque vai jogar o Özil". "Tá bom, Mister, tudo bem, eu acho que posso jogar e contribuir de uma importante. O Özil é um grande jogador. eu estou aqui disponível". Mourinho é exatamente isso que a gente vê nas câmeras. No seu momento é explosivo. Mas é um cara extremamente inteligente, muito preparado. O problema que eu tive com ele foi de escolhas. Eu acreditava que as escolhas dele naquele momento não eram corretas em relação a mim. Para o time funcionou, ganhou o Campeonato Espanhol, chegou na semifinal da Champions - declarou.

Para o futuro, Kaká garante que quer permanecer dentro do mundo do futebol, mas como um dirigente e, em um possível futuro, até como treinador. Para isso, o brasileiro afirma que está buscando melhorar seu entendimento sobre o jogo, fazendo alguns cursos de gestão esportiva.

- Hoje, olhando de fora, a minha primeira opção é ser um diretor esportivo, então estou me preparando. Eu quero através do futebol aprender sobre outras áreas. Hoje eu faço um curso de gestão no esporte da FGV, fiz um curso de negócios do esporte nos Estados Unidos, eu quero através do esporte ampliar para outras áreas. Finanças, marketing, tudo mais, através daquilo que eu realmente entendo que é o jogo. Para depois poder decidir como que eu vou voltar. Um dia quero voltar para o jogo, do fim de semana. Hoje eu estou em volta do futebol, evento, patrocinador. Mas um dia eu quero ir para o jogo mesmo, ou como treinador ou como diretor. Treinador não é minha primeira opção, mas não descarto também, daqui a dois ou três anos - bradou.

Sobre o futebol brasileiro, Kaká elogiou a atual equipe do Palmeiras, que foi campeã nacional e semifinalista da Taça Libertadores, afirmando que os comandados de Felipão ficariam "no meio da tabela" de três das ligas mais fortes da Europa.

– Eu acho que meio de tabela, eu diria, de uma das três ligas mais tops. Itália, Espanha e Inglaterra - declarou.

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Kaká elogiou a equipe do Palmeiras (Foto: Divulgação/Conmebol)