Romário

Romário é candidato ao Governo pelo Podemos (Divulgação)

Alexandre Araújo
19/09/2018
07:05
Rio de Janeiro (RJ)

Senador, o nome de Romário Faria está de volta às urnas. Desta vez, na briga pelo Governo do Rio. Depois de atuar como deputado federal e, posteriormente, senador, ele garante estar preparado para assumir o Estado. Ex-jogador, ele quer que o Maracanã e demais praças esportivas estejam integrados em diversos projetos para que possam dar retorno financeiro aos cofres públicos.

Ao comentar projetos socioesportivos da Suderj, lembrou a infância e afirmou que pretende integrar o legado olímpico com as secretarias de Esporte, Educação, Cultura e Turismo.

Romário atendeu ao LANCE!, por e-mail, para tratar do papel que o esporte terá em uma possível gestão.

LANCE! - Por que se candidatar ao Governo?

Romário - Como tenho dito na propaganda eleitoral e nos debates, sou muito agradecido à população do Rio de Janeiro. Joguei profissionalmente por três dos quatro grandes clubes cariocas e, mesmo depois de encerrada minha carreira, continuei recebendo o apoio de todos. É hora, então, de retribuir esse carinho. Como político, quatro anos na Câmara e quatro no Senado, conheci e aprendi como funciona a política. Me sinto capacitado para assumir o Governo do Estado e trabalhar pela população. Sei bem sobre os desafios a enfrentar. Estou ciente da triste realidade que chegou o nosso Estado. Sempre fui um cara de enfrentar desafios. Desde pequeno não tive nada fácil, foi tudo conquistado com muito sacrifício, com muito trabalho. Ainda pequeno, passei por muitas privações com meus irmãos. E o que tenho, nada veio de graça, mas com empenho, com boa dose de confiança e o apoio de muitos. É essa lição que aprendi ao longo da vida que pretendo aplicar: coragem, trabalho em equipe e, sobretudo, honestidade. Não tenho o rabo preso, não sou corrupto. Quando eleito, a transparência nas contas públicas será uma das prioridades no meu governo, acreditem.

"O Maracanã, assim como as demais praças públicas de esporte, será motivo de um projeto integrado.  Defendo que as grandes praças do esporte precisam dar retorno financeiro aos cofres públicos"

Quais os projetos para a gestão do Maracanã?

O Maracanã, assim como as demais praças públicas de esporte, será motivo de um projeto integrado. Mas, antes, preciso conhecer a realidade daquele espaço, seus compromissos, suas dívidas e sobre a conservação de suas instalações em geral. Defendo que as grandes praças do esporte precisam dar retorno financeiro aos cofres públicos. Nesse sentido, pretendo desenvolver projetos integrados com as Secretarias de Cultura e a de Turismo, para que o Maracanã, no caso, não seja aberto apenas em dias de jogos, mas que tenha um calendário anual rentável, não apenas em sua área central, o campo de futebol, mas que parte das demais dependências também sejam de uso comercial. Mas, não podemos esquecer que o Maracanã é um grande patrimônio histórico do futebol. É como se fosse a “casa do povo”. Por isso, é preciso dar àquele espaço destinação também social. Está nos meus planos criar programas que integrem a educação ao esporte, como cursos de formação técnica voltados ao futebol, com matrículas prioritárias às comunidades carentes. O futebol precisa de craques, mas precisa também de muita gente de apoio, e isso pode dar emprego para a molecada também. E há espaço suficiente no Maraca para torná-lo espaço cultural, com exposições artísticas ligadas ao futebol, exibição de filmes, seguidos de debates, enfim.

E para o Célio de Barros e o Júlio Delamare?

Antes de mais nada, é preciso dizer que a minha prioridade é o desporto escolar e as atividades físicas de alcance comunitário. O desporto de alto rendimento não será ignorado e terá todo o apoio do Estado. Mas, entendo que os horários ociosos das áreas de esporte devem ser ocupados com programas de alcance público. É nesse panorama que incluo o Parque Aquático Júlio Delamare e o Estádio de Atletismo Célio de Barros. É inacreditável o que os governos passados fizeram com esses espaços. O Célio de Barros, em especial, foi transformado em estacionamento de luxo durante a Copa do Mundo. Aquele parque de atletismo, onde grandes campeões se apresentaram ao longo dos anos e vários recordes nacionais e sul-americanos foram ali batidos, atendia a projetos de iniciação e de descoberta de talentos. É um crime o que fizeram com os jovens que ali frequentavam diariamente, do morro da Mangueira, por exemplo. Tenho relatos do dia em que essa gente chegou para treinar e encontrou o estádio fechado já sob o domínio da Fifa e do corrupto Comitê Organizador da Copa 2014. Em seguida, vieram máquinas e tratores e, criminosamente, cobriram com asfalto a pista e toda a área de competição. Foi um crime, repito, pois muitos jovens atletas encerraram ali uma carreira que poderia ser promissora. Está nos meus planos a realização de um diagnóstico da realidade desse espaço para avaliarmos sobre a sua recuperação. Haverá custos, com certeza, mas buscaremos recursos federais para devolver ao público aquilo que lhes pertence.

"A Aldeia é uma área que tinha identidade histórica com a comunidade indígena e, apesar disso, foi assaltada pela ganância dos que prometiam um megaprojeto para todo o complexo do Maracanã"

E quanto à Aldeia Maracanã?

A Aldeia Maracanã é outro espaço histórico que foi praticamente destruído, nos moldes do Célio de Barros e do Júlio Delamare. A Aldeia estava no pacote que o então governador – hoje presidiário – negociou com o empresário Eike Batista. Nada do que foi acordado avançou. Os jornais dizem que houve corrupção, muita gente ganhou dinheiro fácil nesse negócio. E é mais uma demonstração de como os espaços públicos se tornaram instrumento de enriquecimento fácil por parte dos governantes-ladrões que tivemos. A Aldeia é uma área que tinha identidade histórica com a comunidade indígena e, apesar disso, foi assaltada pela ganância dos que prometiam um megaprojeto para todo o complexo do Maracanã. Deu no que deu, vocês conhecem essa história. Ontem, foi a Aldeia, hoje choramos a perda num incêndio do Museu Nacional, sua riqueza histórica e valiosas pesquisas que ali eram realizadas. Aos poucos, vamos perdendo nossas referências. E esse é mais um desafio que terei, sem esmorecer, como digo sempre, pois trabalharei para buscar parcerias que recuperem essas áreas que são referências e fazem parte da história do nosso Estado e do nosso País. Parcerias, antes de tudo, sem o desperdício de antes, que nos levou à falência que assistimos. Como podem ver, o trabalho não será fácil, e estamos falando só de esporte e cultura, por enquanto...

No início, não havia a previsão de o Estado fizesse a gestão das arenas do legado da Rio-2016, mas, de alguma forma, pode se envolver?

Esse é um assunto que me atrai muito, pois minha origem e minha atividade profissional foram todas no esporte. Sou do tempo das peladas de rua e dos campos sem grama. Agora, me candidato ao desafio de dar destino a modernas praças herdadas do movimento olímpicos. Assim como outras iniciativas, também essa será desenvolvida após ter um diagnóstico da realidade de cada área. Preciso conhecer o que estou herdando. E não vejo como desenvolver ali projetos isolados, só da Secretaria de Esporte, por exemplo. Há modernos espaços ociosos, e os mesmos estão em condições de receber, também, eventos internacionais e oferecer turnos de treinamento para atletas. Portanto, será preciso um projeto integrado com as secretarias de Esporte, Educação, Cultura e Turismo. O Rio de Janeiro sempre teve perfil de formador de grandes atletas e plateia para grandes espetáculos. Agora, é a ocasião de recuperar esse rumo abrindo esses espaços à comunidade esportiva.

Há algum projeto específico em relação ao Gepe (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios)?

O Grupo Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) tem um importante papel no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. Sabemos que a disputa entre algumas torcidas é, tristemente, incentivo à violência. Mas, não podemos esquecer que temos no Estatuto do Torcedor uma legislação rígida, mas que não é cumprida. Mas se conseguirmos fazer com que as autoridades apliquem a legislação, com certeza o trabalho do Gepe será muito facilitado. E isso não será atenção exclusiva da Secretaria de Esporte, mas a de Segurança Pública, principalmente.

"Sei bem o que significa a prática esportiva desde a infância. Não só eu, mas centenas de brasileiros são exemplos do que conquistaram na vida depois de iniciarem suas carreiras esportivas em projetos sociais, mas que ali se revelaram talentosos para evoluir e se tornarem grandes competidores"

E em relação aos projetos socioesportivos junto à Suderj, o que se é imaginado?

Esse assunto me emociona. Sei bem o que significa a prática esportiva desde a infância. Não só eu, mas centenas de brasileiros são exemplo do que conquistaram na vida depois de iniciarem suas carreiras esportivas em projetos sociais, mas que ali se revelaram talentosos para evoluir e se tornarem grandes competidores. E não é só no futebol. No atletismo, principalmente, a maioria de nossos campeões surgiu de projetos sócio-esportivos, como o grande Adhemar Ferreira da Silva, o João do Pulo, Joaquim Cruz, enfim. Do outro lado da Baía, ali em Niterói, tem vários projetos sociais, com o dos irmãos Grael, que revelam para a vela talentos que não existiriam, se não fossem essas iniciativas. E também incluo as Forças Armadas, cujas guarnições pelo país têm prestado valioso apoio com projetos não só esportivos, mas de formação de caráter dos nossos jovens. Tudo isso não pode ser ignorado, mas valorizado num governo que vê na educação e no esporte, a partir da escola, duas das principais ferramentas para recuperar a segurança e a dignidade da população do meu Estado. E é bom lembrar que esses projetos precisam ser estendidos àqueles que têm algum tipo de deficiência física. O paradesporto cresceu muito nas duas últimas décadas e colocou o Brasil entre as potências mundiais. Como prática sistemática, contribui para a melhoria da qualidade de vida dos deficientes, para a ascensão ao esporte profissional e para a projeção do país como potência esportiva.

A Secretaria tem alguns projetos em parceria com os grandes clubes. Como enxerga isso?

Minhas origens estão no futebol e prestarei também a essa modalidade o apoio possível. Sou crítico quanto à má gestão no esporte em geral e no futebol em particular. Mas não posso fazer qualquer comentário sobre o que já existe, sem conhecer os detalhes dessas parcerias, prazos de vigência etc. Tenho dito que o futebol é um potencial enorme sob todos os aspectos. Além da revelação de talentos, da congregação de torcedores, da apresentação de espetáculos, das oportunidades de negócios de jogadores com outros clubes, não podemos esquecer que a indústria do futebol contribui significativamente para a formação do PIB (Produto Interno Bruto). Mas qualquer apoio ou parceria precisam ser feitos de forma segura para o Estado e transparente para a população, sem dar margem à denúncias de irregularidades.

Em maio, foi criado o Conselho Estadual do Futebol Masculino e Feminino do Rio de Janeiro (Conefut-RJ). Algo visando esse conselho?

Os Conselhos são importantes órgãos de assessoria na estrutura governamental. Por outro lado, entendo que o futebol feminino carece de apoios institucionais mais efetivos, a fim de que desperte, a médio e longo prazos, o interesse do público. Tenho algumas propostas nesse sentido, que já debati ao longo da CPI do Futebol, e voltarei ao tema no momento oportuno. Portanto, a exemplo de outras iniciativas que já são desenvolvidas, também essa passará pela avaliação dos setores responsáveis específicos.

A Secretaria tem parcerias como a com o Novo Degase e o programa Novo Plano Juventude Viva. Como enxerga o papel do esporte como oportunidade de uma melhora de vida?

Não é só o futebol que oferece essa oportunidade. O vôlei e o basquete brasileiros também se tornaram exportadores de atletas, inclusive já nas categorias menores. Uma comissão de esporte da ONU realizou um estudo sobre projetos esportivos em níveis governamentais de todos os seus países membros e chegou à conclusão de que para cada dólar de verba pública investido em projetos sócio-esportivos, o Estado tem o retorno de 3,4 dólares. Esse retorno ocorre na melhoria do raciocínio dos alunos, melhor rendimento escolar, queda no nível de reprovações, melhor convívio social, menor uso dos serviços de saúde pública pelos jovens etc. Por isso sou adepto da prática da educação física na escola, para despertar nas crianças o interesse pelo esporte. Daí, também, a importância dos projetos sociais, que o próprio governo federal já desenvolveu com sucesso, como o Segundo Tempo. Lamentavelmente esse projeto também foi sufocado pela corrupção e acabou. Claro que o Estado não tem estrutura para oferecer a toda população a oportunidade de práticas esportivas regulares. Daí a importância de se firmar convênios com entidades sérias, que tenham o mesmo objetivo de usar essa atividade não apenas para identificar e formar profissionais, mas para transmitir os princípios da dignidade, do respeito, etc. E isso se aprende na convivência em grupo, porque faz parte de um time, no respeito às leis, que são as regras do esporte, e às autoridades, na figura dos árbitros. O esporte é um instrumento fenomenal para dar novos rumos ao Estado que tentaremos recuperar.

Bate-bola com Romário Faria

Pratica ou praticou algum esporte?

Futebol, futevôlei, vôlei.

Ídolo no esporte
Senna e Michael Jordan.

Uma lembrança que tenha ligação com esporte
O Estrelinha, clube que meu pai criou para eu, meu irmão e amigos de infância jogarem.

Time do coração
America.

Quem é:
Nome completo:
Romário de Souza Faria (Podemos)
Vice: Marcelo Delaroli (PR)
Data de nascimento: 29/01/1966
Coligação: A força que vem do povo - PODE / PR / REDE / PPL
Ocupação: Senador
Valor em bens declarados: R$5.583.493,30

*Nesta quinta-feira, vai ao ar a entrevista com o candidato Tarcísio Motta, do PSOL