Coletiva Bolsonaro (Foto: Vinícius Faustini)

Onyx Lorenzoni (de verde) é cotado para ser ministro da Casa Civil se Bolsonaro for eleito (Foto: Vinícius Faustini)

Jonas Moura e Vinícius Faustini
19/10/2018
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

Favorito no segundo turno da corrida presidencial, Jair Bolsonaro (PSL) deixou claro que pretende fazer uma redução significativa no número atual de ministérios, de 29 para 15. Cotado para o cargo de ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) disse ao LANCE! que a formatação das pastas em um eventual governo de seu grupo já está definida, falou que o desejo do capitão reformado é estender os programas de inclusão social por meio do esporte, mas deixou claro que quem deverá executá-los são os estados e municípios.

Nos bastidores, as organizações ligadas ao setor temem o fim do Ministério do Esporte se Bolsonaro derrotar Fernando Haddad (PT), e se articulam para evitar perdas de recursos voltados ao alto rendimento e às políticas de inclusão. O mais provável é que aconteça a fusão da pasta com as de educação e cultura. 

Atualmente, o governo federal centraliza os recursos das loterias e os repassa para entidades como o Comitê Olímpico do Brasil (COB), o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e o Comitê Brasileiro de Clubes (CBC).

Já as secretarias estaduais, que também recebem verbas, sofreram redução de repasses de 1,5% para 1% do total arrecadado com os apostadores após a edição da MP 846. A medida provisória recuperou as perdas da MP 841, do governo Temer, após forte pressão do setor esportivo. A distribuição do dinheiro para ano que vem, caso Bolsonaro vença, pode mudar totalmente.

– O esporte tem duas vertentes muito importantes. Uma é o alto rendimento. A outra é como resgate para tirar a gurizada das drogas. Embora isto seja utilizado em muitos estados brasileiros, o governo federal poderia ter programas ainda mais abrangentes. Mas como iremos repassar recursos a estados e municípios diretamente (se eleitos), sem nenhum tipo de intermediação, daremos a eles as condições para que tenhamos programas de esportes com esses propósitos – afirmou Onyx, ao LANCE!.

Segundo o político, há duas possibilidades. Uma é unir educação, cultura, esportes, ciência e tecnologia em uma pasta, como no Japão. A outra é separar educação, cultura e esporte de ciência e tecnologia, como na Coreia do Sul. Um dos nomes especulados para o ministério que cuidará do esporte é Stavros Xanthopoylos.

Em relação ao alto rendimento, Lorenzoni reconheceu que há necessidade de um grande planejamento, mas tratou o assunto com cautela.

– É inegável que o Brasil pode ter um desempenho muito melhor em competições internacionais de alto rendimento. O que precisa é de um bom método, um bom planejamento, que existem em algumas modalidades, mas não são regra. E vai ter muito critério no uso de verbas das estatais para qualquer atividade. Ainda mais que reduziremos para 150 o número de estatais.

O aliado de Bolsonaro também destacou que o candidato eleito na corrida presidencial enfrentará um grande desafio financeiro. E deixou claro que o esporte não está entre as prioridades.

– O Brasil precisa se dar conta de que qualquer governo que assumirá no ano que vem, e vai ser o nosso, terá de arrumar R$ 140 bilhões para cobrir o déficit. Isso não se faz sem ter prioridades claras. As prioridades do governo do Jair são segurança pública, saúde e educação básica.

Em seu programa de governo, Bolsonaro não cita a palavra esporte. Ele também não respondeu aos pedidos de entrevista do LANCE! até o momento. O documento apenas sugere uma integração de atividades físicas com o programa "Saúde da Família", em um dos itens.

"Outro exemplo será a inclusão dos profissionais de Educação Física no programa Saúde da Família, com o objetivo de ativar as academias ao ar livre como meio de combater o sedentarismo e a obesidade e suas graves consequências à população, assim como o AVC e infarto do miocárdio", dizem as diretrizes do presidenciável.