Dener - Seleção

'Ele mostrou que não era um cara se intimidava', recorda seu colega de Seleção, Careca Bianchesi (Reprodução)

Vinícius Faustini
17/04/2019
07:15
Rio de Janeiro (RJ)

A magia que Dener mostrava com a camisa da Portuguesa logo fez com que ele alcançasse um de seus sonhos. O eterno camisa 10, que há 25 anos morreu precocemente, devido a um acidente de carro ocorrido em 19 de abril de 1994, deixou como lembrança uma passagem pela Seleção Brasileira.

Coube a Paulo Roberto Falcão dar uma oportunidade ao então jogador de 20 anos, que era convocado pela primeira vez em um momento de renovação da Seleção:

'O Otacílio (Gonçalves) me garantiu que o Dener tinha futuro', recorda Falcão


- Na verdade, resolvemos dar prioridade a quem atuava no Brasil, para conhecer o potencial de quem atuava aqui. Trazíamos poucos atletas que estavam na Europa. Foi aí que apareceram no futebol brasileiro nomes como Cafu, Mauro Silva, Márcio Santos, Luiz Henrique... E também demos espaço ao Dener, que vinha em uma grande fase na Portuguesa - recordou o ex-técnico da Seleção, ao LANCE!


Falcão apontou quem foi decisivo para ele chamar o camisa 10 da Lusa:

- Eu tinha uma comissão técnica muito forte. O Otacílio Gonçalves, meu auxiliar, chamou atenção do Dener, disse que ele tinha muito futuro. Garantiu: "pode levar, esse garoto vai render".

ANSIEDADE PARA ENTRAR EM CAMPO E SEM MEDO DA ARGENTINA

Dener e Careca Bianchesi
Dener iniciou a jogada do gol de empate, marcado por Careca Bianchesi (Reprodução)

O então técnico da Seleção Brasileira recordou como o meia-atacante se comportava nos treinos:

- Embora fosse meio quietinho na convivência, Dener era aquela pessoa com os olhinhos atentos, sabe? A velocidade que ele tinha para conduzir a bola era a mesma com a qual ele via tudo o que se passava.  

Colega de Dener nesta convocação, o atacante Careca Bianchesi contou que ele logo chamou atenção:

- É normal em uma Seleção ver jogadores ansiosos por mostrar serviço. E no treinamento, ele logo mostrou que não estava com medo. Quando tinha a bola, partia para cima, sem o menor pudor mesmo.

À época com 20 anos, Dener teve um batismo de fogo: entrou no decorrer de um amistoso com a Argentina, em Buenos Aires. Bem-humorado, Paulo Roberto Falcão revelou uma coisa que encheu seus olhos sobre o futebol do craque.

- Estava previsto que ele ia entrar no lugar do Luiz Henrique. O jogo estava bem difícil, contra a Argentina ainda, né? A gente estava perdendo... Aí ele entrou sem que o Luiz Henrique tivesse saído ou que o juiz tivesse autorizado (risos). Queria ir para o jogo, mostrou personalidade! 

'Ele estava ansioso contra a Argentina, e entrou antes do juiz apitar. Mostrou personalidade!', detalhou Falcão


Logo depois, Dener apresentou seu repertório em grande estilo:

- O Mazinho Oliveira roubou uma bola na nossa área. Aí o Dener foi, arrancou até a intermediária e esticou para o Renato Gaúcho, que tabelou com o Careca Bianchesi. Aí o Careca marcou.

Radicado no México atualmente, Bianchesi (que jogava no Palmeiras) lembra até hoje deste gol, que sacramentou o empate em 3 a 3 no duelo:

- É impressionante como ele avançou. Depois vem a jogada, e eu fui muito feliz também ao tocar na saída de Goycochea.

Dener voltou a jogar pela Seleção Brasileira no decorrer da vitória por 1 a 0 sobre a Romênia, no amistoso seguinte (e atuou por nove vezes com a Seleção Olímpica). Contudo, não foi convocado para a Copa América daquele ano e também não teve espaço com o técnico seguinte, Carlos Alberto Parreira.

Mesmo assim, o meia-atacante deixou boas impressões ao seu antigo comandante com a camisa amarelinha:

- A velocidade dele conduzindo a bola, a habilidade, são de arrepiar até hoje.

A luta incessante de Dener por apresentar seu futebol seguiria por outras plagas e vestindo outras camisas. O garoto ainda tinha muito o que consolidar no seu futebol.