Quais são os principais motivos para o colapso institucional da 777 Partners?
Grupo fracassou em adquirir o Everton, da Inglaterra, e é alvo de processos judiciais

A 777 Partners, grupo empresarial dono do Vasco e de outros clubes ao redor do mundo, vive uma série de problemas judiciais envolvendo seus investimentos esportivos. A empresa norte-americana, que se tornou sócia majoritária da SAF do Gigante da Colina em 2022, enfrenta uma crise administrativa, escancarada após o fracasso na tentativa de adquirir mais um clube para o portfólio: o Everton, da Inglaterra.
Mas, afinal, qual o motivo da falha na operação na Inglaterra e por que a 777 está sendo mal vista no cenário esportivo mundial?
Ascensão e queda
Criada em 2015, pelos sócios Steven Pasko e Josh Wander, a 777 Partners é um fundo de investimentos com foco principal nos setores de aviação, seguros e fintech. Entretanto, a fase dos aportes esportivos teve início tempos depois, com a aquisição da Genoa, na Itália, em 2021.
O portfólio de clubes cresceu de forma muito rápida: três anos depois, um total de sete clubes estão no guarda-chuva da empresa. Além do Vasco e da Genoa, Standard Liege, da Bélgica, Melbourne Victory, da Austrália, Red Star FC, da França, Sevilla, da Espanha, e Hertha Berlin, da Alemanha, contam com a participação nas ações.
No meio dos esportes, a 777 busca focar esforços em "identificar potencial" e ajudar "equipes subvalorizadas a se transformarem de clubes em propriedades de mídia e entretenimento altamente lucrativas". Fora o futebol, a empresa também é dona do London Lions na British Basketball League (BBL), que vendeu à 777 uma participação de 45% na competição por 7 milhões de libras em 2021.
A tentativa mais recente de ampliação no portfólio ocorreu com o Everton, que prometia ser o time europeu de maior expressão com influência direta da 777. Em setembro no ano passado, o grupo assinou um acordo para comprar o time de Liverpool, mas o que parecia ser uma parceria de futuro, se tornou um poço de insegurança financeira e institucional.
Crise escancarada
O crescimento no leque de clubes atraiu interesse da mídia estrangeira. Recentemente, a revista norueguesa Josimar Football, publicou um artigo que colocava em dúvida os ideais da empresa, por conta da dificuldade de atrair investimentos pesados. O modelo de negócio da 777 foi considerado 'único', porém, teve seu futuro altamente questionado.
O artigo ainda foi incisivo ao abordar outras questões graves: no texto, foram incluídas referências a documentos judiciais dos Estados Unidos, que acusavam as empresas da firma de crimes como fraude, sequestro, extorsão e empréstimos predatórios.
O ponto focal, entretanto, é a preocupação sobre a legalidade das práticas comerciais da empresa: o histórico em honrar compromissos financeiros e a origem de seu financiamento geram muitas desconfianças.

Desdobramentos para os clubes da 777
Desde então, os investimentos da empresa tem sido afetados. Na Itália, apesar da Genoa ter conquistado o acesso de volta para a primeira divisão, o clube foi sancionado pelo atraso no pagamento de impostos em fevereiro de 2023.
Na Espanha, os problemas envolvem o oligarca russo Oleg Boyko, que em 2022 foi sancionado por Ucrânia, Canadá e Austrália por conta de um suposto envolvimento com o governo russo. Ele teria ajudado a financiar o investimento no Sevilla e estaria cobrando ações do clube como garantia do empréstimo ao grupo.
O litígio entre Vasco e 777 não é novidade para o público no Brasil. Porém, a realidade é que os adeptos de Standard Liege e Red Star vivem situação semelhante. Na Bélgica, em protesto contra o grupo de investimentos, um grupo de pessoas conseguiu, ao bloquear a chegada do ônibus no estádio, adiar uma partida.
A precariedade nas contas da equipe belga resultou na remoção de Wander e Pasko do conselho do clube. Antigos proprietários do Standard Liège também exigiram a apreensão de milhões de dólares em ativos, com as contas do clube supostamente vazias.
Uma novela à brasileira
Na América do Sul, a 777 deve protagonizar uma novela na justiça e pode perder o controle permanente do Vasco da Gama. Assim como na Bélgica, Wander e Pasko foram removidos do conselho após uma decisão judicial no Rio de Janeiro, e o contrato da aquisição foi suspenso. O Vasco já havia sido afetado por uma proibição de transferência em outubro passado, por conta de taxas não pagas. A 777 não conseguiu cumprir o prazo de pagamento de uma parcela da aquisição, que chegou um mês atrasada.
Em geral, os clubes da 777 têm um fator cotidiano comum: a instabilidade.
A gota d'água na Inglaterra
O caos institucional na 777 aconteceu durante o período limite para adquirir os Toffes. Nove meses após concordar em comprar o clube, o grupo foi nomeado em múltiplas ações judiciais e acusado de fraude envolvendo de 600 milhões de dólares. Adiado, o prazo de compra expirou em 31 de maio e o negócio oficialmente fracassou.
A empresa chegou a emprestar 200 milhões de libras ao clube, mas não atendeu aos requisitos da Premier League para permitir que a aquisição prosseguisse. O motivo principal para isso foi o não pagamento de um empréstimo de 158 milhões de libras ao MSP Sports Capital e os empresários locais Andy Bell e George Downing.
Enquanto os investimentos da 777 vão de mal a pior, o futuro se mostrou mais promissor para os Toffes, que vivem a expectativa da aquisição pelo empresário Dan Friedkin, acionista majoritário da Roma, da Itália.

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