Taça Libertadores

Troféu da Copa Libertadores da América (FOTO: DIVULGAÇÃO/CONMEBOL)

Luiz Gomes
09/05/2021
08:20
São Paulo (SP)

Sabe aquela história de que ganhar a Libertadores é obrigação? Pelo que se viu nas três primeiras rodadas, metade da fase de grupos, essa máxima é para valer esse ano. Pode ser o Flamengo, o Palmeiras, o Atlético-MG, o São Paulo ou o Internacional, o surpreendente Fluminense ou até o Santos que precisa se recuperar do desastre dos primeiros jogos, agora sob a batuta de Fernando Diniz.

Os números não deixam espaço para dúvidas da superioridade brasileira.

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Foram 21 partidas jogadas por times brasileiros, 51 gols marcados e apenas 19 sofridos, com 14 vitórias, quatro empates e três derrotas. Goleadas históricas, como os 6 a 1 do Colorado sobre o Olímpia paraguaio, os 4 a 0 do Galo sobre o Cerro Porteño, também do Paraguai, ou os 5 a 0 do Peixe sobre o The Strongest, da Bolívia, e do Palmeiras sobre o Independiente del Valle, do Equador. Resultados que vão muito além do que o conjunto de clubes de outros países foi capaz de obter.

De onde vem esse desnível é uma boa pergunta. A pandemia pode ser uma explicação. A crise econômica mundial, uma consequência do coronavírus, obviamente se refletiu sobre o futebol. Campeonatos paralisados, estádios vazios, patrocínios reduzidos, tudo isso impactou os clubes. Seja na América do Sul, seja na Europa. E é natural que o estrago seja ainda maior em países mais fragilizados economicamente.

Forças tradicionais do continente como os paraguaios Olimpia e Cerro, o Independiente del Valle ou o Nacional do Uruguai, alguns com títulos de Libertadores, se tornaram verdadeiros sacos de pancada. O Penãrol (URU) sequer conseguiram se classificar.

Palmeiras e Flamengo, os dois últimos campeões da Libertadores, metem medo. São os bichos papões desta temporada. São respeitados por onde passam, seja pelos adversários, seja pela mídia, até mesmo pelos jornais e sites argentinos que vivem pegando no nosso pé mas reconhecem a potência da dupla. Mesmo porque, Boca e River, os dois gigantes de lá, não estão exatamente no melhor dos seus momentos. Só há um lugar em que a supremacia dessa dupla não é reconhecida: aqui mesmo no Brasil. Sim, o que mais se ouve por aqui, em parte da mídia, dentro dos clubes e entre grupos de torcedores é aquela coisa de “venceu mas não convenceu”.

O que será convencer então?

Parte dessa insatisfação vem de uma boa dose da implicância de que são vítimas Rogério Ceni e Abel Ferreira. Algo que nem a conquista do Brasileirão e da Supercopa, no caso do Rubro-Negro, da Liberta e da Copa do Brasil, no caso do palestrino, foi capaz de resolver. Os dois não saem da berlinda, continuam tendo que provar a cada partida, a cada escalação ou substituição que têm condições de comandar as duas superpotências do futebol tupiniquim. Há sempre um comentarista aqui, a turma do amendoim ali, esperando a primeira derrapagem para disparar os canhões carregados de rancor.

Até quando será assim? É uma incógnita. No Galo, Cuca já passa por um processo semelhante. Até quando vai durar a lua de mel de Roger Machado, no Flu, Miguel Angel Ramirez, no Inter, e Hernán Crespo, no São Paulo, ninguém sabe. No futebol brasileiro hoje em dia, vencer e até ganhar títulos já não é garantia de mais nada.