Liverpool repete fantasmas de 14/15 e vê PSG superior na Champions
Reds perdem pela 16ª vez na temporada

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O Liverpool acumulou nesta quarta-feira (8) a sua 16ª derrota na temporada, ao perder por 2 a 0 para o PSG, em Paris, pelas quartas de final da Champions League. O número não acontecia desde 2014/15. Mais grave do que o placar, porém, foi a atuação: os Reds não acertaram um único chute ao gol em 90 minutos, contra um adversário que também vive momento abaixo do seu padrão histórico.
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O PSG, atual campeão europeu, não repete a forma arrasadora da temporada passada. A equipe acumula tropeços e oscilações, mas foi absoluto diante do Liverpool. Os ingleses, em sua pior temporada em mais de uma década, não conseguiram impor qualquer tipo de reação.
PSG e Liverpool vivem momentos parecidos, porém, diferentes
Há um ano, PSG e Liverpool se enfrentaram nas oitavas de final da Champions League. Na ocasião, as duas equipes eram consideradas entre as melhores da Europa. O Liverpool venceu o primeiro jogo em Paris por 1 a 0. No duelo de volta, em Anfield, perdeu por 2 a 0 no tempo normal e foi eliminado nos pênaltis. Ali começou o desmanche psicológico dos Reds.
Desde então, o Liverpool nunca mais foi o mesmo. A equipe que fez uma fase de liga na Champions League digna de almanaque viu o primeiro dominó cair naquela eliminação. O clube investiu pesado na última janela de transferências – valores recordes para a realidade inglesa –, mas os resultados não apareceram. As 16 derrotas na temporada escancaram um problema estrutural que vai além de um mau dia.
O PSG, por outro lado, também não está no mesmo nível da temporada passada – coroada com o título europeu. A equipe de Luis Enrique perdeu intensidade, fluidez e segurança defensiva em relação a 2024/25. Ainda assim, no confronto direto, a diferença foi abissal. Enquanto os Reds não finalizaram uma bola no gol, os parisienses criaram 18 oportunidades, acertaram seis no alvo e ainda acertaram a trave com Dembélé nos minutos finais.
A decisão de Arne Slot de escalar o Liverpool com três zagueiros – deixando Salah no banco durante toda a partida – foi uma tentativa de minimizar danos. A mudança era uma das poucas adaptações táticas que o técnico ainda não havia testado nesta temporada. A justificativa era clara: proteger uma defesa que vinha sendo vazada com frequência, especialmente após a goleada de 4 a 0 sofrida para o Manchester City na partida anterior.
A estratégia funcionou em parte. O placar não foi maior por três razões: falhas na pontaria de Dembélé (que desperdiçou três chances claras, incluindo uma cara a cara e outra em que finalizou para cima do travessão), três defesas importantes de Mamadarshvilli e um pênalti marcado e depois revertido após revisão do VAR em queda de Zaire-Emery sobre Konaté.

Mas conter o placar não é o mesmo que competir. O Liverpool não competiu. Foi uma equipe reativa, sem respostas e sem criatividade. A posse de bola, quando aconteceu, foi estéril. As transições ofensivas foram lentas. Os cruzamentos na área, na maioria das vezes, não encontraram destino. Jeremie Frimpong e Milos Kerkez, os alas da formação com três zagueiros, raramente avançaram com efetividade.
O retorno de Alexander Isak, vindo de lesão, foi um dos poucos pontos positivos. O atacante sueco entrou no segundo tempo e mostrou disposição, mas recebeu poucas bolas em condição de finalização.
Do lado do PSG, o desempenho das pontas foi o grande diferencial. Doué e Kvaratskhelia, apoiados pelos laterais Hakimi e Nuno Mendes, destruíram a linha defensiva inglesa. Ambos são dribladores e artistas de um tipo que raramente se vê no futebol europeu atual. O golaço de Kvaratskhelia, em que deixou Gravenberch no chão e passou pelo goleiro, foi a síntese dessa superioridade individual.
O peso da temporada e o que vem pela frente
A derrota em Paris não é um evento isolado. É mais um capítulo de uma temporada em que o Liverpool já perdeu 16 vezes. Para efeito de comparação, na temporada anterior, os Reds perderam nove jogos em toda a temporada. O aumento de derrotas é de 77%. Em competições eliminatórias, o time de Slot tem demonstrado fragilidade emocional e técnica nos momentos decisivos.
Os gastos recordes na última janela de transferências tornam o desempenho ainda mais difícil de explicar. O clube desembolsou valores altos para contratar nomes como Frimpong, Wirtz e Isak, além de ter mantido a espinha dorsal campeã da Premier League. No entanto, o entrosamento não veio, e o sistema defensivo – que já foi um dos mais sólidos da Europa – tornou-se um ponto de exposição constante.
O PSG, por sua vez, tem seus próprios problemas de consistência. A equipe de Luis Enrique foi eliminada precocemente da Copa da França e tem oscilado na Ligue 1, longe do domínio absoluto do ano passado. Mesmo assim, na Champions League, o time se transforma. Contra o Liverpool, jogou com a autoridade de quem já esteve no topo e sabe o caminho para voltar.
Uma das leituras possíveis para o domínio francês está nas rotações constantes promovidas pelo meio-campo. O PSG puxou o Liverpool de um lado para o outro com trocas de posição incessantes, algo que já faz com a maioria dos adversários. A equipe inglesa cansou por volta dos 60 minutos, após ser forçada a correr atrás da bola durante todo o primeiro tempo e parte do segundo. O segundo gol, quando saiu, foi consequência natural desse desgaste.
O jogo de volta está marcado para terça-feira (14), em Anfield. O Liverpool terá o apoio da torcida, mas precisa reverter uma vantagem de dois gols. Pelo que apresentou em Paris, não há indícios de que consiga. A equipe precisa, além de vencer, mostrar um futebol que não exibe há meses. Precisa, antes de tudo, acertar o gol ao menos uma vez.
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