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Ex-Flamengo inicia história na Hungria, e ZTE surge como porta para brasileiros na Europa

Clube foi adquirido por empresários argentinos e conta com promessa do Vasco

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João Brandão
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 13/03/2026
06:00
Damián Pedrosa é um dos empresários argentinos donos do ZTE, da Hungria
imagem cameraDamián Pedrosa é um dos empresários argentinos donos do ZTE, da Hungria (Foto: Divulgação)

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Campeão na Hungria em 2001/2002, o ZTE inicia uma transição sob a direção dos empresários argentinos Damián Pedrosa e Andrés Jornet. Além disso, o clube conta com a presença do português Nuno Campos como atual treinador após uma passagem pelas categorias de base do Flamengo.

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Na temporada, o ZTE ocupa a 5ª colocação do Campeonato Húngaro, além de estar classificado para a semifinal da Taça da Hungria. O clube sonha em se classificar para uma competição europeia em 2026/2027, e o Lance! conversou com os personagens pra entender o cenário em que a modesta equipe se encontra.

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Após trabalhos no Talleres, da Argentina, e na organização de eventos de futebol, Pedrosa apostou na aquisição de um novo clube. O empresário explicou o motivo de ter escolhido o ZTE e como a equipe húngara serve se porta de entrada para jovens talentos do Brasil e da América do Sul.

- A Hungria oferece um contexto muito atrativo: estabilidade institucional, uma liga competitiva, infraestruturas sólidas e uma localização estratégica no centro da Europa. O ZTE representava algo que é fundamental para nós: uma história forte, uma identidade local bem definida e, simultaneamente, um potencial de crescimento significativo. Não chegámos com uma visão de curto prazo, mas sim com um projeto de longo prazo, profissional e sustentável, no qual o clube funciona como uma verdadeira ponte entre o talento jovem — sobretudo do Brasil e da América do Sul — e o futebol europeu.

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Nesse processo, Nuno Campos foi eleito o treinador para liderar o projeto com jovens jogadores no comando do ZTE. O técnico português relembrou sua passagem pelo Flamengo, mas também a boa relação que possui com atletas novos e brasileiros.

- A minha decisão de aceitar o projeto esteve diretamente ligada à forma clara, ambiciosa e estruturada como o Andrés e o Damián me apresentaram a visão para o clube. Trabalhar com jovens talentos é algo que me motiva muito e faz parte do meu percurso. Tenho muitos anos dedicados à formação e vinha do Flamengo com essa mesma matriz de desenvolvimento. Aqui encontrei excelentes condições de trabalho, infraestruturas acima da média e um ambiente extremamente profissional. Um ponto que também me entusiasma é a possibilidade de trabalhar com jovens sul-americanos, muitos deles brasileiros. O jogador brasileiro tem algo especial: criatividade, improviso, alegria com a bola e uma capacidade técnica diferenciada. O nosso papel é dar a eles contexto tático, competitividade europeia e exigência diária, para que consigam dar o salto e afirmar-se no futebol internacional. Existe aqui uma ponte muito interessante entre Brasil e Europa, e isso é algo que valorizamos muito dentro do projeto.

No último fim de semana, o ZTE derrotou o vice-líder Györi por 2 a 1, pela 25ª rodada do Campeonato Húngaro. Ex-Vasco, Maxsuell Alegria foi o responsável pelo gol da vitória aos 37 minutos do segundo tempo. O brasileiro comentou sobre sua ida para a Europa aos 22 anos após cinco jogos oficiais pelo Cruz-Maltino e revelou ter sido bem recebido, principalmente pelo fato de ter encontrado compatriotas no elenco.

- Vi que era um novo desafio na minha carreira e uma grande oportunidade para alcançar aquilo a que aspiro na minha vida: jogar e competir nas principais competições europeias. É um estilo de futebol completamente diferente daquele a que estava habituado, mas continuei trabalhando duro todos os dias e aprendi muito com os meus colegas e com o mister Nuno. Graças a eles, estou conseguindo tirar o melhor de mim dentro de campo e alcançar bons resultados.

Segundo o "Transfermarkt", o ZTE tem a equipe mais jovem da Europa com média de idade de 22,3 anos. E com um elenco cheio de promessas, o clube busca surpreender o futebol húngaro e conquistar um título ao fim da temporada.

Ex-Vasco, Maxsuell Alegria em ação pelo ZTE, da Hungria
Ex-Vasco, Maxsuell Alegria em ação pelo ZTE, da Hungria (Foto: Divulgação)

Veja outras respostas de Nuno Campos e Damián Pedrosa sobre o ZTE

Damián Pedrosa sobre o objetivo do projeto

- Acreditamos firmemente que a formação de jovens é a base de um clube de futebol moderno e sustentável. Investir em jogadores jovens nos permite construir equipes competitivas, com identidade e potencial a longo prazo, ao mesmo tempo que gera valor econômico, que pode ser reinvestido no próprio clube: infraestruturas, academia, equipa técnica, tecnologia e comunidade local. Neste ponto, gostaria de ser muito claro: o nosso compromisso com as divisões inferiores do futebol brasileiro é estrutural. O Brasil continua sendo uma das maiores fontes de talento do mundo, sobretudo nos escalões de formação e de base, que muitas vezes carecem de visibilidade internacional. O nosso objetivo é criar um verdadeiro caminho para esses jogadores: formação, adaptação, experiência competitiva e crescimento profissional na Europa, de forma responsável e sustentada a longo prazo.

Damián Pedrosa sobre classificação em competição europeia

- Sonhar é essencial, mas sempre com os pés bem no chão. A Hungria tem clubes com grande tradição, estruturas sólidas e orçamentos significativos, e respeitamos profundamente essa realidade. O nosso foco não está em fazer promessas imediatas, mas sim em construir um projeto sério, coerente e competitivo, ano após ano. Sim, o nosso objetivo a médio prazo é que o ZTE lute por posições que permitam a qualificação para competições europeias. No entanto, o mais importante é o caminho para lá chegar: identidade, jogadores formados dentro do projeto, uma estrutura profissional e uma visão clara. Se o processo for bem feito, as oportunidades europeias surgirão como consequência natural do trabalho.

Nuno Campos sobre passagem no Flamengo

- A minha passagem pelo Flamengo foi extremamente enriquecedora. Desde cedo pela dimensão do clube e pela paixão dos seus torcedores. Representar o Flamengo significa competir sempre para ganhar, mas também jogar com identidade, qualidade e ambição ofensiva. A exigência diária de um clube dessa grandeza prepara qualquer treinador para contextos de alto rendimento. Trabalhar numa estrutura tão organizada e ambiciosa nos dá ferramentas para enfrentar desafios do mais alto nível europeu. Tive uma relação excelente com o Filipe Luís. Sempre houve muita sintonia nas ideias e na forma de pensar o jogo. Tenho grande admiração pela forma como as suas equipes jogam, e os resultados estão aí, mas também pela sua ética de trabalho. Mais do que individualizar, foi todo o contexto Flamengo - também fruto da minha passagem por clubes como o Porto, Shakhtar e Roma - que consolidou a minha preparação para liderar projetos exigentes como este.

Nuno Campos sobre o trabalho com jovens

- É um desafio enorme e, ao mesmo tempo, extremamente motivador. Estamos formando jogadores para o futuro, mas competindo no presente - e isso exige equilíbrio, coragem e muita convicção. Os jovens têm uma enorme vontade de aprender, absorvem informação com rapidez e evoluem diariamente. O projeto do clube está muito alinhado com essa realidade: desenvolver talento, competir com qualidade e dar visibilidade internacional aos jogadores. A nossa ideia de jogo passa por ganhar, naturalmente, mas por ganhar jogando bem porque jogando bem estaremos sempre mais perto de vencer. Acreditamos que ter bola, assumir o jogo e apresentar um futebol positivo potencializa a melhor versão de cada atleta. Quando a equipa cresce coletivamente, o jogador cresce individualmente, o clube valoriza-se e o mercado reconhece. Essa complementaridade entre identidade, desempenho e valorização tem sido fundamental nestes primeiros meses e explica a imagem muito positiva que o ZTE tem construído e que é mérito de muitas pessoas.

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Nuno Campos observa jogadores do ZTE em jogo na Hungria
Nuno Campos observa jogadores do ZTE em jogo na Hungria (Foto: Divulgação)
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