Gianni Infantino - Presidente da Fifa

(Foto: GIUSEPPE CACACE / AFP)

Fabio Chiorino e Rodrigo Borges
07/09/2021
07:00
São Paulo (SP)

Uma voz importante se levantou contra a ideia de fazer a Copa do Mundo a cada dois. O presidente da Uefa, Aleksander Ceferín, deixou clara sua oposição durante a assembleia da Associação Europeia de Clubes, apontando que "mais nem sempre é melhor".

Não se trata de um devaneio. A Fifa já afirmou que vai realizar um estudo da proposta, feita pela federação saudita, que inclui também o Mundial feminino, e tem em Gianni Infantino, seu presidente, um dos maiores entusiastas da ideia.

Uma das principais articulações para este modelo é a possibilidade de aumentar a rotatividade de países-sede, principalmente para continente historicamente menos privilegiados, como África e Ásia. Só que não se pode perder de vista os efeitos técnicos de uma alteração tão radical.

O intervalo atual de quatro anos é justamente um dos trunfos que colocam a Copa do Mundo como um dos eventos esportivos mais valiosos do mundo. A  redução tiraria o peso desta espera e tornaria a competição em um acontecimento comum.

Além disso, é impossível que uma mudança deste porte não provoque efeitos no calendário do futebol, que já passa por malabarismos para encaixar todas as datas-Fifa.

Há ainda quem defenda o novo modelo como forma de permitir que os grandes astros do esporte tenham mais oportunidades de disputar o torneio, mas é justamente esta imprevisibilidade que alimenta a discussão sobre as maiores lendas da história das Copas.

O futebol deve acompanhar a modernização do mundo, mas não pode entrar num ciclo que o descontrua por completo.

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