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Campeão na Bulgária, Julio Velásquez explica sucesso de técnicos espanhóis na Europa

Treinador de 44 anos conquista vaga na próxima Champions League

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João Brandão
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 13/05/2026
13:27
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Julio Velásquez comemora título do Levski Sofia, na Bulgária
imagem cameraJulio Velásquez comemora título do Levski Sofia, na Bulgária (Foto: Divulgação/Levski Sofia)

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Campeão na Bulgária com o Levski Sofia, o técnico espanhol Julio Velásquez explicou o sucesso de compatriotas na Europa. Em entrevista exclusiva ao Lance!, o comandante detalhou a filosofia da escola de treinadores de seu país, mas também contou sobre sua carreira e como impôs o fim da hegemonia do Ludogorets.

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Na temporada atual, os espanhóis Luis Enrique e Mikel Arteta disputam o título da Champions League. Na Europa League, Unai Emery, do Aston Villa, é o representante do país ibérico, enquanto Iñigo Pérez comanda o Rayo Vallecano em busca do troféu da Conference League. Em meio a tanto sucesso, Julio Velásquez explicou o sucesso desde a formação de seus compatriotas.

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- A escola espanhola é muito, muito forte e está demonstrando que o treinador espanhol está capacitado para treinar em qualquer contexto e ter sucesso. Acredito que com o passar dos anos, tivemos mais capacidade de adaptação. Podemos ver treinadores espanhóis em qualquer pais do mundo. Nossa escola evoluiu muito, tem uma ideia muito clara. Não acredito que todos os treinadores pensamos da mesma forma, que temos o mesmo estilo de jogo, porque não podemos esquecer que o mais importante são os jogadores que você tem. E tem que ter a capacidade de adaptação para implementar um modelo de jogo que vá conversar com a natureza dos jogadores que você tem a disposição. Demonstramos muita capacidade de adaptação, muita versatilidade. Temos uma ideia geral de trabalhar muito no processo de treino, acreditamos muito no jogo de associação, ofensivo, um jogo que se desenvolva mais no campo do adversário. Mas tem diferenças. Guardiola não é o mesmo que Unai Emery. Cada um tem sua essência, particularidade. Vamos evoluindo de maneiras diferentes. Mas, em linhas geral, nossa metodologia é similar. Demonstramos capacidade de implementar um modelo muito atrativo para o jogador e acredito que isso possibilitou que o treinador espanhol tenha sucesso.

Um dos casos de sucesso é o de Julio Velásquez, que encerrou a hegemonia de 14 anos consecutivos de títulos do Ludogorets no Campeonato Búlgaro. O comandante explicou os pontos chaves para destronar uma dinastia com o Levski Sofia baseado em uma filosofia de jogo coletiva acima do individual.

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- Desde o primeiro dia, nossa prioridade foi falar sempre a nível coletivo. Não a nível individual. Nós somos um time em que a força está no coletivo. Tentamos implementar uma ideia de jogo muito clara, sendo uma equipe muito ofensivo, olhando constantemente a baliza adversária, mantendo a proatividade no momento em que não tivermos a posse de bola. E os jogadores tiveram uma atitude incrível para transferir essa proatividade para o gramado. Como atingimos essa situação? Priorizando o grupo, o coletivo. Obviamente o futebol é muito importante certas individualidades, mas acima de tudo o trabalho coletivo com e sem bola. Não acredito muito nas individualidades, que alguém não trabalhe para o time. Acredito muito em um trabalho coletivo permanente desde o processo de treino até o jogo.

Com a conquista do Campeonato Búlgaro, Julio Velásquez terá a chance de disputar pela primeira vez em sua carreira a Champions League. No entanto, o Levski Sofia entrará nas eliminatórias preliminares em busca de uma classificação à fase de liga.

- Sinto muito orgulho e estou muito feliz pelos jogadores, pelos trabalhadores do clube, pela torcida, porque nada é fácil. Há muito trabalho por trás. Fizemos um bom trabalho em equipe. Ganhar o Campeonato Búlgaro não te permite ir para a fase de grupos, mas temos que ganhar quatro eliminatórias. É muito, muito difícil. Se passarmos duas eliminatórias, podemos jogar a fase de grupos da Conference. Se conseguirmos atingir o objetivo de jogar uma fase de grupo (da Champions), seria algo absolutamente incrível, pois este clube não joga uma fase de grupos (de torneios europeus) há 20 anos. Na temporada passada, estivemos muito próximos. Sem pressão, pois as diferenças de orçamentos são enormes. Agora é preparar a pré-temporada e começar com ilusão, ambição de fazer algo bonito. Vamos ver as possibilidades financeiras do clube, o que podemos fazer no mercado. Temos um grupo de rapazes extraordinários, que acreditam na mensagem da comissão técnica e vamos trabalhar.

Ainda não existe definição sobre o adversário do Levski Sofia, que disputará as preliminares da Champions League desde a primeira ronda de confrontos. No entanto, Julio Velásquez se projeta como um nome da nova geração de treinadores espanhóis a fazer sucesso na Europa.

Julio Velásquez celebra título do Campeonato Búlgaro com o Levski Sofia
Julio Velásquez celebra título do Campeonato Búlgaro com o Levski Sofia (Foto: Divulgação/Levski Sofia)

Confira outras respostas de Julio Velásquez

Trabalho no Levski Sofia

- Estou muito feliz. Tudo correu muito bem. Chegamos na temporada passada, em janeiro de 2025. A equipe ocupava uma posição difícil com 13 pontos de diferença para o Ludogorets, mas fizemos um semestre muito positivo. Conseguimos tirar dois pontos de diferença e alcançamos a vice-liderança. Essa equipe não arrumava a vice-liderança há nove temporadas. Isso nos possibilitou a classificação para a Liga Europa. Depois jogamos na Conference. Estivemos muito próximos de disputar a fase de grupos. Depois começamos na liga e o elenco fez um trabalho extraordinário. E conseguimos atingir o objetivo, ganhar o título que há 17 anos não ganhávamos. E nos últimos 14 anos, o Ludogorets ganhou de maneira consecutiva. Nossa equipe tem muita historia, é a segunda com mais títulos, mas não vencia há 17 anos. Então não é um titulo a mais, mas sim um que marca o rompimento da hegemonia do Ludogorets. A torcida ficou feliz, orgulhosa e temos que seguir assim até o fim da temporada.

Momento marcante da temporada

- Foi muito marcante, pois tivemos jogos da Liga Europa e Conference League. Contra o Braga (nas preliminares da Europa League), estivemos muito próximos de eliminá-los. Fizemos dois jogos por 0 a 0, mas eles conseguiram passar na prorrogação. Nesses jogos, a equipe olhou nos olhos do adversário e disse: "fazendo um trabalho bom, acreditando no processo de treino, priorizando o coletivo, podemos fazer uma bonita temporada". Tentamos focar no dia a dia, semana a semana. Sem refletir muito sobre como poderíamos estar em janeiro, fevereiro. Essa foi a chave da nossa temporada.

Elogios ao Brasil

- Adoro o Brasil. Vejo muitos jogos do futebol brasileiro. Sei a realidade do Brasil, que tem muitos portugueses. Me falam sempre muito bem do país, dos centros de treinamentos, dos estádios, das torcidas. É um país que gosta de evoluir. Contratou Carlo Ancelotti, que é um treinador top. Não é possível falar só de espanhóis, portugueses ou italianos. Há treinadores bons em todo o mundo, mas é certo que o treinador espanhol está em um nível alto. Estamos demonstrando em todos os tipos de contextos que somos capazes de ter sucesso, que é o mais importante.

Início no futebol

- O futebol não é uma profissão, mas uma paixão. Comecei muito cedo. Jogava, treinava e tinha claro que eu queria ser treinador. Na Espanha, treinei em todas as categorias, mas também em Portugal, Itália, Holanda e agora na Bulgária. Tive a sorte de ter a sorte da minha primeira oportunidade ter sido no Villarreal. Fizemos uma temporada boa e isso me permitiu seguir evoluindo com muita paixão, humildade e com a intenção de melhorar. Não podemos pensar que sabemos de tudo, mas temos que ter uma mentalidade positiva e ver o que fazemos bem e o que não fazemos tão bem para melhorarmos. Essa sempre foi minha mentalidade. Tentar evoluir dentro e fora de campo. O futebol tem cada vez mais pessoas próximas de um time, e o treinador tem que ter a capacidade de gerir todas essas situações. Tenho que estar sempre estudando, analisando e melhorando. Para mim, o respeito é muito importante. Treinei muitos jogadores mais velhos do que eu. Se há respeito, não tem nenhum problema. Há culturas de treinos diferentes, os jogadores evoluíram de forma diferente. Tem que ter a capacidade de falar diferentes línguas e respeito com as pessoas que trabalham. Antes de serem jogadores, dirigentes, são seres humanos. Esse foi o ponto de partida da minha carreira e segue sendo.

Gestão de elenco

- Tenho mais ou menos 15 nacionalidades diversas no elenco. Na Itália, cheguei a ter 21 nacionalidades diferentes. Essas experiências te ajudam a lidar. O primeiro é não esquecer que eles são seres humanos. Como pessoas, cada um tem seus sentimentos, suas emoções. É muito importante que os jogadores estejam convencidos do que o treinador fala dentro e fora do campo. E sempre tentar que todas as mentalidades individuais tenham um objetivo coletivo. Gosto muito de falar com todos os jogadores a nível individual, falando de situações boas, que tem que corrigir a nível de futebol, mas também a nível pessoal. Gosto de saber como estão na vida pessoal, familiar, como estão seus filhos, esposas, pais. Somos pessoas antes de tudo. E nunca esquecer que os resultados ajudam. Quando os resultados são positivos, todos são muito bons. Quando os resultados não são tão positivos, é quando tem que ter a capacidade para gerir os momentos ruins. Tem que ter o ponto de equilíbrio para gerir essas situações.

Trabalhar no Brasil

- É um país que gosto muito. Sempre gostei. Viajei muitas vezes para ver futebol, tenho muitos amigos lá. Treinei em Portugal, que a língua é a mesma, então são situações que ajudam. Há alguns anos, tive uma conversa, mas o momento não coincidiu. Agora estou focado no presente, estou feliz. O futebol é muito dinâmico, tudo muda de um dia para o outro. Tenho a sorte de trabalhar com esse time, jogadores, presidente e com essa torcida, mas o futuro nunca se sabe. Sou uma pessoa do mundo. Meu filho nasceu na Holanda e gosto de ter experiências profissionais e pessoais.

Inovações na Copa do Mundo

- Espero uma competição muito bonita. Há muitos times com grandíssima qualidade, capacidade. Não se pode falar de um favorito, pois há times com grandes potenciais para fazer uma bonita Copa do Mundo. Na vida geral, somos muito de buscar a causa e efeito. Se ganhar uma equipe proativa, muito ofensiva como a Espanha (de 2010), o tika-taka é o melhor do mundo. Se é a França com um jogo mais de esperar, defender e buscar o contra-ataque, isso passa a ser o melhor do mundo. Tem que ter equilíbrio. O futebol mudou muito e continua mudando, pois está evoluindo. Os jogadores estão cada vez mais preparados, cada vez se estuda mais o adversário, o seu proprio time.

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