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Após enterrar Superliga, Uefa e Real Madrid miram novo inimigo: a Premier League

Gastos excessivos de clubes ingleses se tornam nova preocupação

PorLance!Rio de Janeiro (RJ)
12/02/2026 12:03
Real Madrid x Manchester City - Foden e Vini Jr
Vini Jr em ação no duelo entre Manchester City e Real Madrid(Foto: Pierre-Philippe Marcou/AFP)

Uefa e o Real Madrid enterraram oficialmente nesta quarta-feira (11) um conflito que durou quase cinco anos e selaram um acordo de princípios que põe fim à Superliga Europeia. O entendimento, que também envolve a Associação Europeia de Clubes (EFC), prevê a retirada das ações judiciais movidas pelo clube espanhol contra a entidade – entre elas, uma reivindicação de 4,5 bilhões de euros por danos e lucros cessantes.

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Mas a pacificação entre as partes trouxe à tona um novo alinhamento. Nos bastidores, Uefa e Real Madrid identificaram um adversário em comum: a Premier League. O domínio financeiro dos clubes ingleses, a flexibilidade de suas regras de fair play e a forma como o mercado de transferências tem sido inflado são vistos como ameaças ao equilíbrio competitivo do futebol europeu.

O comunicado divulgado pelo Real Madrid e endossado pela Uefa menciona o compromisso com "a sustentabilidade a longo prazo dos clubes" e "a melhoria da experiência dos adeptos mediante o uso da tecnologia". As conversas nos últimos meses, no entanto, avançaram sobre temas mais sensíveis.

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De acordo com informações publicadas pelo diário espanhol "AS", um dos pilares mais discutidos nas reuniões foi a necessidade de conter os excessos dos chamados "clubes-estado". A avaliação é que as regras atuais de fair play financeiro ainda permitem distorções, especialmente na Inglaterra. Enquanto a Uefa impõe um teto de gastos de 70% da receita para salários e transferências, a Premier League opera com um limite mais flexível, de 85%, além de um subsídio plurianual que permite a clubes gastar até 115% da receita em casos específicos.

A ideia de implementar tetos salariais chegou a ser debatida, algo que aproximaria o futebol europeu dos modelos das ligas norte-americanas. O PSG, citado nos bastidores como exemplo de mudança de postura, já teria ajustado sua política de gastos, passando a basear seus investimentos em receita real, e não em injeções externas de capital.

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O caso City e as 115 acusações

Embora o fair play financeiro da Uefa tenha sido endurecido nos últimos anos, o organismo europeu ainda carrega cicatrizes de episódios anteriores. O Manchester City chegou a ser punido pela entidade, mas a sanção foi posteriormente anulada. Hoje, o clube inglês enfrenta um processo na Premier League com 115 acusações de violações financeiras, que seguem sem veredicto.

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A lentidão do caso inglês e a ausência de punições imediatas contrastam com a rigidez que Uefa e Real Madrid defendem agora. Para a entidade europeia, a solução passa por estabelecer limites máximos para salários, transferências e comissões de agentes – um caminho que já começou a ser desenhado por um grupo de trabalho criado em 2023.

Pep Guardiola lamenta derrota do Manchester City para o Tottenham na Premier League (Foto: Darren Staples / AFP)
Pep Guardiola lamenta derrota do Manchester City para o Tottenham na Premier League (Foto: Darren Staples / AFP)

Os clubes ingleses aprovaram em novembro do ano passado um novo sistema financeiro, o Squad Cost Ratio (SCR), que entra em vigor na temporada 2026/27. O modelo limita os gastos com elenco a 85% da receita e proíbe a venda de ativos – como hotéis e departamentos de futebol feminino – para empresas ligadas aos próprios clubes, prática usada por Chelsea e Aston Villa para contornar as regras.

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Ainda assim, a Premier League rejeitou por 12 votos a 7 a adoção de um teto de gastos absoluto, que atrelaria o limite máximo ao faturamento do último colocado da competição. A proposta, que criaria um efeito similar a um "salary cap", não obteve os 14 votos necessários para aprovação.

O resultado é um sistema híbrido: os clubes ingleses que disputam competições europeias precisam cumprir o teto de 70% da Uefa, mas, no plano doméstico, operam com margem maior. É justamente essa assimetria que Uefa e Real Madrid pretendem atacar.

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Superliga cede heranças à Uefa e Real Madrid

Se o projeto da Superliga foi arquivado, algumas de suas premissas sobreviveram no acordo. Uma delas é a promessa de ampliar o acesso dos torcedores às transmissões, com custo reduzido ou até mesmo gratuito, por meio de plataformas digitais. A tecnologia, diz o comunicado, deve servir ao futebol e a seus fãs.

Outro ponto preservado é o mérito esportivo como critério absoluto de classificação. O modelo inicial da Superliga, com vagas cativas e caráter semifechado, foi definitivamente arquivado. A partir de agora, as competições nacionais seguirão como única via de acesso aos torneios europeus.

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