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Mãe de Paquetá relembra início difícil no Flamengo e revela bastidores da volta ao clube

'Talvez o Flamengo não precisasse dele agora, mas ele precisava desse acolhimento', relembra Cris Tollentino ao Lance! em especial de Dia das Mães

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Lucas Bayer
Rio de Janeiro (RJ)
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Fernanda Gondim
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 10/05/2026
09:00

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Quem vê hoje a trajetória vitoriosa de Lucas Paquetá talvez não imagine quantas renúncias, sacrifícios e quilômetros percorridos existiram até o sonho virar realidade. Antes dos gramados lotados, da idolatria da torcida e do retorno ao Flamengo, houve uma família inteira dedicada a transformar o desejo de dois meninos em profissão. Com o apoio dos familiares, muitos jovens abrem mão da infância para perseguir aquilo que sempre sonharam, e esse foi o caso de Lucas Paquetá.

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Em uma entrevista especial de Dia das Mães ao Lance!, Cris Tollentino, mãe do camisa 10 rubro-negro, abriu o coração ao relembrar toda a caminhada da família, desde os tempos difíceis na Ilha de Paquetá até o momento em que o filho, um Garoto do Ninho, decidiu "voltar para casa" e vestir novamente a camisa do clube do coração.

Início: trajeto Páqueta-Rio

O caminho até a primeira oportunidade no Flamengo foi marcado por viagens cansativas, dificuldades financeiras e uma rotina desgastante. Ainda criança, Lucas Paquetá precisou enfrentar desafios diários, mas encontrou na família a força necessária para continuar perseguindo o sonho de viver do futebol.

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— A gente vivia em Paquetá, e o trajeto era muito difícil. A barca demorava quase duas horas para chegar ao Rio. A nossa situação financeira não era confortável, a gente sobrevivia. Saía de manhã e voltava quase à meia-noite para casa com as crianças — relembrou Cris.

Paquetá em jogo do Flamengo na base (Foto: Reprodução/Instagram)
Paquetá (canto direito inferior) em jogo do Flamengo na base (Foto: Reprodução/Instagram)

— Essa rede de apoio foi fundamental. Todo mundo colaborou para que desse certo — completou, destacando que a união da família foi decisiva para que o sonho permanecesse vivo.

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O primeiro passo no Flamengo

A oportunidade tão esperada apareceu no clube do coração de Lucas. Na época, ele ainda dividia o sonho com o irmão mais velho, Matheus, que também tentava seguir carreira no futebol. Cris relembra, emocionada, o dia em que viu no jornal o anúncio da peneira no Ninho do Urubu.

— Um dia, vendo o jornal, vi: 'Peneira no Ninho do Urubu'. Opa, não me esqueço: cortei o pedaço do jornal e liguei para a Gávea. Peguei os dois e falei: "Semana que vem vocês vão comigo e com o avô ao Ninho do Urubu para fazer o teste no Flamengo". Eles disseram: "Mãe, teste no Flamengo? Mas não é muito longe?" E eu respondi: "É longe, mas a gente vai. Se passar, depois a gente se muda para perto e dá tudo certo".

O resultado daquela viagem mudaria para sempre a história da família.

— O Matheus foi o primeiro aprovado no campo, e o Lucas passou no salão. A gente se dividia ali, eu e meu sogro, cada um para um lado.

Matheus e Lucas (Foto: Reprodução/Instagram)
Matheus e Lucas (Foto: Reprodução/Instagram)

"O plano B era o plano A"

Em meio às dificuldades e incertezas que cercam a trajetória de um jovem atleta nas categorias de base, Cris Tollentino carregava uma convicção inabalável: o filho só deixaria o Flamengo depois de se tornar jogador profissional. Ao Lance!, ela relembrou uma conversa marcante que teve com uma funcionária do clube durante esse período.

— O Lucas teve um problema de retardo ósseo, de maturação. E, por várias vezes, o Flamengo avaliava se poderia liberá-lo ou não, algo que a gente conversava internamente. Eu falava para ele: "A gente só sai daqui do Flamengo com você (no) profissional". Sempre falei isso, desde quando ele entrou. Lembro que a dona Graça, do Flamengo, me chamou para uma conversa. Ela perguntou: "Se um dia o Paquetá fosse dispensado, vocês teriam uma segunda opção?" Respondi: "Não existe essa possibilidade". Ela insistiu: "Mas se houvesse…". E eu disse: "Não vai haver. Meu filho só sai daqui profissional do Flamengo". Eu não deixei margem, o plano B era o plano A. Meu filho só sairia do Flamengo como profissional, e foi isso que aconteceu.

De volta para casa: Paquetá precisava do Flamengo

Depois de conquistar espaço no profissional e construir carreira na Europa, passando por Itália, França e Inglaterra, Lucas Paquetá tomou uma decisão que mexeu com toda a família: voltar ao Flamengo, sua casa. Cris revelou ao Lance! como foi a conversa que marcou o retorno do filho ao clube onde tudo começou.

— Quando ele me falou que queria voltar para o Flamengo, ele ainda tinha inúmeras oportunidades na Europa, e eu achava que era cedo. Mas ele disse: "Eu quero, preciso voltar para casa". Aí não precisa falar mais nada, né?

A identificação de Paquetá com o Flamengo, segundo a mãe, vai além do futebol.

— Eu falo que o Lucas é flamenguista vermelho, não é nem roxo. O Flamengo é um grande clube, foi aqui que a nossa história se construiu toda dentro do Flamengo. Para a gente, foi maravilhoso, e ainda tem de quebra ele aqui do nosso lado, mais perto dos meus netos e de toda a família. Isso só traz felicidade para a gente.

Para Cris, o retorno também teve um significado emocional importante para o jogador.

— Talvez o Flamengo não precisasse dele agora, mas ele estava precisando desse acolhimento.

Paquetá no meio da torcida do Flamengo no aeroporto (Foto: Lucas Bayer/Lance!)
Paquetá no meio da torcida do Flamengo no aeroporto (Foto: Lucas Bayer/Lance!)

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