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Bastidores: invasão, fogo, caos e medo levam ao cancelamento de jogo do Flamengo na Libertadores

Noite contou com momentos de tensão e apreensão na Colômbia

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Lucas Bayer
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 08/05/2026
07:30

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A partida entre Flamengo e Independiente Medellín na noite desta quinta-feira (7) foi cancelada após protestos de torcedores locais que extrapolaram os limites de segurança, com invasão ao gramado, incêndio em parte da arquibancada e exibição de faixas. O episódio resultou em cenas de forte tensão. Ainda assim, indícios ao longo da semana já apontavam para essa possibilidade. O Lance! explica o cenário e detalha os bastidores do que aconteceu na Colômbia.

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Os dias que antecederam a partida no Estádio Atanasio Girardot, em Medellín, já refletiam o contexto de insatisfação dos torcedores do Independiente Medellín. Após a eliminação no campeonato local e a repercussão de falas do principal acionista do clube, Raúl Giraldo, torcedores organizaram uma série de protestos, que também tinham como alvos os jogadores, a federação colombiana, a CONMEBOL e a FIFA.

Faixas exibidas pelos torcedores

  1. "Conmebol, casa de apostas"
  2. "Muito dinheiro, pouco futebol. Fora, cagões"
  3. "Transformaram o campo em um cemitério. Mortos!"
  4. "Transformaram o campo em um cemitério"
Flamengo x Medellín
Protesto da torcida colombiana contra o Flamengo (Foto: Jaime Saldarriada/AFP)

A reportagem do Lance! apurou relatos de que os torcedores colombianos estavam "revoltados" com a situação do clube. A insatisfação era evidente antes mesmo de a bola rolar. O clima nos arredores do estádio era de tensão, e não demorou para que a confusão começasse a se intensificar.

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Confusão começou no aquecimento

No momento em que os jogadores foram ao gramado para o aquecimento, já era possível observar focos de protesto. Uma bomba foi arremessada em direção ao gol defendido por Rossi, do Flamengo, e chegou a atingir um jornalista. A situação se agravou ainda mais durante a execução dos hinos.

Em contato com o Lance!, jornalistas brasileiros relataram surpresa com a decisão da arbitragem de iniciar a partida diante daquele cenário. Nos minutos iniciais, Rossi, posicionado no gol mais próximo da torcida organizada do Independiente Medellín, chegou a evitar permanecer na grande área devido ao arremesso constante de bombas.

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Foi nesse momento que ocorreu a invasão de campo. Torcedores, em sua maioria vestidos de preto e com os rostos cobertos, derrubaram as grades de contenção e entraram no gramado.

Enquanto isso, com a evacuação do estádio em andamento, os arredores registravam confrontos entre torcedores e policiais. Helicópteros foram utilizados para monitorar a saída do público.

Interrupção e escalada da violência

Assim que o árbitro Jesús Valenzuela paralisou a partida, bombas foram novamente arremessadas no gramado e incêndios foram registrados em faixas na arquibancada. A polícia, acuada, não revidou, atuando apenas de forma defensiva. O cenário se prolongou por vários minutos.

Diante da escalada da tensão, membros da comissão técnica e do staff do Flamengo se reuniram com os jogadores no vestiário.

➡️ Em meio a confusão na Colômbia, Jorginho, do Flamengo, publica foto no vestiário: 'Estamos bem'

Jogadores do Flamengo no vestiário contra o Medellín
Postagem de Jorginho, do Flamengo, no vestiário (Foto: Reprodução)

Torcedores colombianos pedem socorro à imprensa brasileira

A reportagem apurou que, durante a confusão, alguns jornalistas brasileiros foram até o Setor Norte, o que mais contou com os tumultos. Neste momento, torcedores comuns, como mulheres e crianças, pediram socorro: "Agarraram nossos braços, pedindo desesperadamente para passar com a gente para o Setor Oeste (da imprensa). Passamos eles. Estavam com medo de sair do estádio".

Saída dos brasileiros do estádio

Após deixarem o vestiário, os jogadores do Flamengo aguardaram a liberação da polícia no estacionamento, dentro dos ônibus, para deixar o estádio. Já os torcedores rubro-negros foram retirados da região em veículos disponibilizados pelas autoridades locais. Não houve registro de confronto envolvendo brasileiros.

Torcedores do Flamengo no lado de fora do estádio (Foto: Reprodução)
Torcedores do Flamengo no lado de fora do estádio (Foto: Reprodução)

Cancelamento da partida e próximos passos

Após o cancelamento da partida, o Flamengo aguarda um posicionamento oficial da Conmebol. De acordo com o regulamento da entidade, o Órgão Disciplinar da Conmebol irá julgar a situação e determinar possíveis sanções ao clube, caso este seja considerado culpado. O provável é a determinação de vitória rubro-negra, mas não há data definida para o julgamento.

➡️ Fogo, invasão, faixas… Veja as imagens da confusão em Medellín x Flamengo

Conforme o Manual de Clubes da entidade, a responsabilidade pela segurança do jogo é do clube local. O descumprimento das obrigações, deveres, medidas e procedimentos constitui infração, e os órgãos judiciais disciplinares devem impor as sanções aplicáveis.

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Posicionamento do Flamengo: clube brasileiro tem que receber os três pontos

Segundo o diretor de futebol José Boto, o Flamengo entende que deve receber os três pontos, já que o clube mandante não conseguiu garantir a segurança necessária no Estádio Atanasio Girardot, em Medellín, na Colômbia.

— Comunicar que a Conmebol decidiu suspender o jogo. A partida está suspensa e será aberto um expediente. Obviamente, esperamos conquistar os três pontos, porque a responsabilidade não é nossa e os regulamentos são claros. A equipe mandante não conseguiu garantir a segurança. O próprio presidente, que a princípio queria realizar o jogo com portões fechados, fazendo a retirada de todos os torcedores, reconheceu-nos que não havia condições de segurança nem dentro nem fora do estádio — iniciou José Boto, diretor de futebol do Flamengo.

— Dizer também que sempre quisemos jogar, essa era a nossa vontade, mas queríamos que fossem reunidas todas as condições de segurança para os nossos jogadores, para os nossos adeptos e para nós, inclusive no deslocamento ao aeroporto. Essas condições de segurança não foram reunidas e, por isso, a decisão da Conmebol nos parece a mais correta, porque acima de tudo está a segurança das pessoas — completou o dirigente português.

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