Apresentado no Flamengo, Leonardo Jardim revela conversa com Filipe Luís: 'Deixei claro'
Técnico português assume a equipe após a demissão de Filipe Luís

- Matéria
- Mais Notícias
Leonardo Jardim concedeu a primeira entrevista coletiva como técnico do Flamengo nesta quinta-feira (5), durante a apresentação no CT Ninho do Urubu. O português exaltou o clube, o qual classificou como "o maior das Américas", explicou o porquê quebrou promessa ao Cruzeiro de não assumir outra equipe no Brasil e revelou conversa com o antecessor Filipe Luís após aceitar o convite do Rubro-Negro.
➡️ Leonardo Jardim herda time e cobrança intensa de Filipe Luís no Flamengo
— Quero agradecer ao Flamengo, ao presidente, ao Boto, por este convite. Me honra bastante vestir o manto e treinar um clube com a dimensão do Flamengo. Estamos a falar do top mundial, o maior das Américas, é um grande prestígio e espero estar à altura para honrar esta camisola e saber que vou propor aquilo que sempre propus na minha vida, que é cumprir os objetivos do clube. E neste clube, como vocês sabem, os objetivos é ganhar e trazer troféus e apresentar um futebol que agrade os nossos torcedores — iniciou Jardim.
➡️ Tudo sobre o Mengão agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! Flamengo
Leonardo Jardim chegou a falar que não assumiria outro time no Brasil que não Cruzeiro ao deixar a Toca da Raposa. Contudo, o treinador explicou que problemas pessoas e diferenças internas no clube mineiro o fizeram deixar Belo Horizonte e afirmou que aquelas foram "palavras emotivas".
— O que fez-me mudar a ideia (e assumir outro time)? Em relação a essas palavras (ao Cruzeiro), elas foram muito sentidas. Sentia-me muito bem em BH, porque acreditava num projeto a médio e longo prazo, não um projeto somente de um ano, mas a vida às vezes criamos algumas surpresas. Eu tive alguns problemas na ordem familiar e na parte pessoal que eu tinha que resolver, e ao mesmo tempo existia dentro da estrutura algumas ideias diferentes daquelas que eu acreditava. Por isso, acabou por se encerrar mais cedo o "capítulo Cruzeiro" — declarou o técnico.
— Mas como eu já disse, se fui emotivo, porque acreditava que o projeto ia ser a longo prazo, também fui ingênuo. Uma coisa que eu não costumo ser, ou até sou muito pragmático, não sou nada ingênuo, mas às vezes a emoção leva-me a dizer que tenhamos algumas tiradas infelizes. E agora, como, treinador do Flamengo, o "capítulo Cruzeiro" passou, e quero estar aqui totalmente focado neste novo capítulo — completou.
Leonardo Jardim chega ao Flamengo para substituir Filipe Luis, técnico campeão de sete competições com o Rubro-Negro, entre elas Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil. O português revelou que ligou para o antecessor ao decidir aceitar a proposta do clube.
— Eu já tive algumas experiências parecidas com essa (saída do Filipe). Vivi algo semelhante no Monaco, quando saí após uma vitória por 4 a 0 contra o Lille, em dezembro de 2019. Sei que não é uma situação fácil. Quando recebi o convite do Flamengo, e eu tenho proximidade com o Filipe, liguei para ele e disse: "Com certeza você não quer falar muito agora". E também deixei claro que, se não fosse o Jardim, viria outra pessoa, porque a decisão da saída dele não teve nenhuma interferência minha — revelou o treinador.
— Pelo meu lado, a nossa relação continua a mesma. A disponibilidade, quando nos encontrarmos novamente, será igual. Por isso, passei essa informação aos jogadores no dia em que cheguei, porque sei como é a vida de treinador. É esse tipo de realidade, não adianta. Eu já recebi treinadores em equipes nas quais fui demitido e acolhi o profissional que chegou depois, porque ele não tem culpa. Ele está entrando em um processo e precisa fazer o trabalho dele. Da mesma forma, falei com o Filipe, e ele me respondeu de maneira madura. E acredito que isso não inviabiliza a relação que criamos, principalmente no último ano — concluiu.
O Lance! questionou o novo técnico rubro-negro sobre as diferenças de estilo de jogo dele em comparação ao de Filipe Luís. O português afirmou que manterá algumas ideias do antecessor, mas acredita que o time precisa melhorar em transição.
— Algumas das ideias do Filipe vão continuar. As vezes vejo um jogo diferente. As equipes precisam jogar com mais posse, mais transição. As melhores equipes do mundo são assim. Pressionava o Flamengo porque sei que a transição não era tão boa. Temos que jogar um futebol de acordo com os nossos jogadores — declarou.

José Boto assume responsabilidade por saída de Filipe Luís
Antes de Leonardo Jardim conversar com a imprensa, o diretor de futebol do Flamengo, José Boto, tomou a palavra e assumiu a responsabilidade pela demissão de Filipe Luís. Segundo o dirigente, a decisão partiu de um diagnóstico feito por ele e foi avalizada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap.
— Quando me convidaram para vir para o Flamengo, o presidente me deu uma série de atribuições. Uma delas era fazer diagnósticos e encontrar soluções. Neste caso, fiz o diagnóstico e dei solução. O presidente aceitou e como decisor máximo bateu o martelo. Razões são sempre muitas dependendo do contexto. Não compete a nós expô-las. É profissionalismo. Como profissionalismo também é tomar decisões difíceis que parecem ilógicas — declarou o português.
— Nada retira o que o Filipe fez aqui e a carreira brilhante que vai ter como treinador. A solução está aqui, o Leonardo. Um treinador muito experiente com muitas conquistas em diferentes contextos. Uma carreira de baixo até o topo. Mais de 20 anos de carreira. É alguém que pensamos que pode tirar o máximo do melhor elenco das Américas — completou.
Apesar da declaração de Boto, o Lance! apurou que a decisão partiu do presidente Bap.
Outras respostas de Leonardo Jardim na apresentação no Flamengo
Características do elenco x DNA do técnico
— O treinador tem suas ideias, mas a principal virtude é rentabilizar seus ativos. Tive trabalhos com jogadores de transição, mas preciso aproveitar as características dos jogadores. Aqui tenho jogadores de posse, mas também jogadores agressivos. O jogo de futebol não é só uma característica. Não vamos alterar neste momento porque já temos algo formado. Minha mensagem eu passei para os jogadores. Conheço o Flamengo bem porque jogamos ano passado o mesmo campeonato. Sei das qualidades e virtudes que o time tem. Com certeza, o treinador não vai trocar o DNA da equipe. Vai tentar colocar seu cunho pessoal em algumas situações, mas com certeza vamos aproveitar muito do trabalho do Luís. Era um dos treinadores brasileiros que eu tinha uma boa relação, a gente trocava algumas ideias. Meu objetivo é dar continuidade e dar meu cunho pessoal, o que é normal.
Primeira impressão elenco
— Dei importância a vir para cá trabalhar assim que resolvemos a situação. Sabemos que temos confrontos muito importantes agora no fim de semana. Primeira impressão que tive dos jogadores foi muito boa, muito abertos ao trabalho, com boa atitude. As condições são boas, com um bom centro de treinamento no Ninho. Por isso temos reunido condições para dar continuidade ao que fizemos no passado e sermos uma equipe dominante que pretende conquistas em todas as competições.
Estreia numa final
— Acho que é um bom jogo de entrada. É um jogo emocionante, com um rival. Com certeza queremos ser dominantes, vencer o jogo. Há uma carga emocional. Lembro de vir ao Brasil há mais de 20 anos e ver um Fla-Flu no Maracanã antigo com o ambiente que era… Reconheço a competitividade, a competição e nosso objetivo só pode ser campeão do Rio de Janeiro.
Conversas com o Flamengo em dezembro
— Minha situação pessoal não permitia. Eu tinha que resolver minhas situações pessoais e saúde e não trabalhar. Tivemos uma pequena conversa com a possibilidade do Filipe não ficar, também tive conversas com clubes na Europa, mas minha decisão estava tomada. Minha passagem já estava marcada há dois meses e meio para vir a Minas Gerais. Como vocês sabem, entramos em contato também em 2020 quando o Jorge Jesus saiu. Venho para um clube com a dimensão do Flamengo com a ambição de conquistar todos os títulos.
Estreia no Fla-FLu
— Uma chegada é difícil porque estamos a quatro dias de um clássico e sei a importância dos clássicos para a torcida. Também quero competir com um adversário que tem nos criado alguma dificuldade. Cheguei sem equipe técnica porque foi muito em cima do fim de semana. Minha equipe técnica não estava preparada. Curiosamente estava no Brasil, tinha vindo para um casamento. Foi fácil deslocar de BH para o Rio. Agradeço ao estafe do Flamengo pelo apoio, aos jogadores também. Dois dias que não tive tempo para nada. Reuniões, observações, sem tempo para ver as coisas ao redor. Focado porque sabia que tinha quatro dias para organizar um jogo da importância de Flamengo e Fluminense na final do campeonato.
Gestão de elenco
— As reuniões são feitas diariamente. O Boto está aqui todos os dias. Tive dois dias com o presidente, e dois com o Boto. Temos que convergir ideias, nossa estratégias. Mais do que reuniões é ter ideias transversais, seja a direção ou os jogadores. Minha condição é ser treinador em primeiro lugar, não só escalar a equipe, mas também orientar processos, para o produto final ser melhor. Futebol é encaixe, não somente escalar. Para a escalar, precisa estar bem fisicamente. Para estar bem fisicamente, precisa de exigências. São cenários que a gente tem que escalar. O torcedor que escalar, se joga Bruno Henrique ou Pedro. Temos que fazer encaixes para que o produto final seja o melhor. Gosto de ter uma palavra ativa porque não acredito em treinador somente para escalar equipe.
Carências do elenco
— Com certeza que eu de forma exterior vi o Flamengo durante 11 meses em que estive no Brasil. Conheço a qualidade dos nossos jogadores. Em termos de característica, tenho uma equipe com mais característica de posse do que de transição. Tínhamos o Bruno, que tinha mais característica de transição, o Yan, Wallace, de transição. Mas era uma equipe muito técnica. O quero criar é manter a identidade e aproveitar que os momentos do jogo possam criar outras soluções. O time tem que ter suas características e outras mudanças a depender do adversário. Uma equipe como o Flamengo tem que estudar todos os mercados. Como o Real Madrid, que é um time da dimensão do Flamengo todos os anos trocando dois. É importante para a motivação, importante trocar jogadores, para a dinâmica. Estou satisfeito com os jogadores, que mostraram a capacidade num passado recente.
Pensar em "barrar" nomes importantes?
— Nunca barrei ninguém. Eu defendo a melhor parte de estrutura. Disse aos jogadores que tenho uma diretriz importante. O que defendo primeiro é o clube à frente de qualquer individualidade. É a minha forma de trabalhar. Defendo os interesses do grupo e do clube em primeiro lugar. Sobre o Gabigol, que foi ídolo aqui, eu acho que o Kaio Jorge estava melhor e coloquei para jogar. Ele não ficou satisfeito, mas não deixou de trabalhar. Tivemos uma boa relação.
➡️ Aposte nos próximos jogos do Flamengo!
*É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.
Futebol brasileiro
— Sou apaixonado pelo futebol do Brasil. As pessoas amam, futebol é uma religião, estádios cheios, apoio. Tudo isso é importantíssimo. Minha vinda regia-se por isso. Estava no oriente médio e é o inverso. Não estamos falando de salário, mas do público, da emoção. O Brasil tem isso. Fora do futebol é formidável. Vim ao Brasil, antes do Cruzeiro, umas vinte e tantas vezes. Conheço desde Manaus a Porto Alegre. Isso é motivante. O Brasil não é um país é um continente. Tem movimentos de deslocamento e fadiga que são muito grandes, mas temos que nos entender. Estou muito mais adaptado do que quando cheguei. A menos tempo para trabalhar, para recuperação. Se pudesse reduzir o calendário, em vez de ter 70 jogos, se pudesse reduzir para 50 era o ideal. Mas não podemos e temos que trabalhar em cima disso.
Ânimo dos atletas no primeiro treino
— Eu não os conhecia antes, por isso é difícil dizer se estão mais ou menos alegres. Os dados dos analistas foram bons. No futebol não há tempo, todos já tiveram mudanças, não há tempo para lamentar. Todos são responsáveis, não só os treinadores. Os jogadores de alto nível estão preparados para passar por isso e manter-se no auge. Essa parte mais emocional fica mais para os torcedores. Não há tempo para tristeza, já temos uma decisão e temos que estar preparados para conquistar o troféu.
O que o impressionou no Flamengo quando estava no Cruzeiro
— Principalmente a qualidade técnica dos nossos jogadores. Nosso elenco está acima de qualquer outra equipe. Digo técnica, circulação, recepção, passe, decisão, todos esses tipos de ações técnicas. Estão muito acima dos outros elencos.
Reencontro com o Cruzeiro
Nossa prioridade agora é a final e depois vamos pensar no Cruzeiro. O carinho não mudou, é só falar com o presidente, que é torcedor e dono do clube sobre minha relação. Eu sempre joguei com as coisas em cima da mesa. O carinho é o mesmo, a amizade é a mesma, muitas pessoas me mandaram mensagem felicitando sobre a volta ao Brasil. É claro que eu quero ganhar a 200%.
Utilização de Pedro
— Vocês todos conhecem o Pedro e suas qualidades. É um jogador de área, com capacidade de finalização muito grande. Existem aspectos, jogou menos porque talvez em outros aspectos ele não dava o que o treinador pretendia em outras áreas. Estamos começando do zero. Acredito nele. Quando digo, não digo que vai jogar todos os jogos ou sempre 90 minutos. Acredito nas qualidades que ele tem, e nas outras deficiências a gente pode com motivação, empenho, a gente consegue superar. O dia a dia vai reger. Não é com dois dias que vamos fazer análises. Tudo que disser posso dizer asneiras, porque vamos ver a seguir o que vai acontecer.
Interesse em Luiz Araújo na época de Cruzeiro
— Eu não queria trocar o Matheus Pereira pelo Luiz Araújo porque são jogadores diferentes. Mas com certeza tentamos levá-lo para reforçar nosso elenco, mas o Flamengo não autorizou. Aconteceu também com o Matheus Gonçalves, tínhamos poucos jogadores de recorte técnico para dar outras qualidades à equipe.
Semelhanças com Jorge Jesus
— Nossa principal semelhança é a paixão pelo jogo, pela carreira. Jorge começou embaixo e chegou no mais alto nível. A carreira dele é parecida com a minha. Não começamos na primeira divisão. Essa relação e semelhança nos aproxima. Em termos de jogo, gostamos de ter equipes dominantes, que joguem para ganhar. Em termos estratégicos, eu sou mais adaptável em relação ao elenco. Ele, pela forma de gerir, ele normalmente compra muitos jogadores. A grande semelhança é a paixão pela carreira e por aquilo que fazemos.
Relação com os jogadores
— Não sei se sou linha dura. Tenho minhas ideias e tem uma coisa. Tenho uma relação de respeito muito grande pelos jogadores, de proximidade. Mas sempre na linha: o pai tem uma relação de respeito pelo filho, mas uma linha que não pode passar. Sempre defendendo os interesses do clube. Na carreira, não tive grandes problemas com os jogadores. Sempre defendo o bem-estar do grupo, as relações, a dinâmica. É inegociável alguém estar à frente do grupo e os interesses individuais estarem à frente dos interesses do clube. Acredito num grupo forte, boas dinâmicas, boas relações, acredito que vão correr por mim e dar o máximo se tiver uma boa relação e conseguir incutir uma ideia. Se não conseguir incutir a ideia não tem trabalho que vá à frente.
Para acompanhar as notícias do Flamengo, acompanhe o Lance! Todas as informações e acontecimentos atualizados em tempo real.
Tudo sobre
- Matéria
- Mais Notícias


















