O Conselho do Cruzeiro é presidido por Zezé Perrela, à direita, que também comandou o clube por vários anos

O Conselho Deliberativo do Cruzeiro, presidido por Zezé Perrela( à direita), aprovou a solicitação de  Wagner Pires de Sá,presidente da Raposa, para buscar uma empréstimo para o clube- (Divulgação Cruzeiro)

Valinor Conteúdo
22/08/2019
19:05
Belo Horizonte

Os problemas fora de campo do Cruzeiro, com as denúncias de irregularidades de seus diretores travaram uma das maiores ações planejadas pelo clube em 2019: a aquisição de um empréstimo de R$ 300 milhões com fundos estrangeiros para quitar dívidas.

A revelação da perda do empréstimo foi feita pelo Diretor financeiro do Cruzeiro, Flávio Pena,u nesta quinta-feira, em entrevista à Rádio 98. Pena confirmou que os escândalos na Raposa travaram o processo, pois as políticas dos Estados Unidos, segundo o dirigente, “esvaziaram” a operação.

-O mau momento no clube está dificultando, com certeza. Um dos investidores era aquele empréstimo de 300 milhões de reais, era um fundo misto, com capital inglês e americano. Obviamente, depois daquela reportagem do Fantástico, que não vou tecer comentários sobre ela porque tiveram ilações, eles imediatamente, em função da política dos Estados Unidos, anticorrupção, mesmo que a gente não tivesse a oportunidade da contraprova, aquela operação se esvaziou- revelou Flávio Pena, que lamentou a falha no empréstimo, pois, segundo ele, o Cruzeiro estava muito perto de conseguir o dinheiro que aliviaria o caixa.

-Já estávamos na fase do draft, que é a fase do desenho do contrato. Uma semana antes da reportagem do Fantástico... Em função de tudo isso que está acontecendo na mídia – e eu não vou discutir se é política ou não, se é oposição ou não – atrapalhou de fato. E eu acho que esse fundo não traz mais essa oportunidade para a gente- explicou Flávio Pena.

O Conselho Deliberativo do Cruzeiro autorizou o clube a captar o empréstimo no dia 11 de fevereiro deste ano, com maioria absoluta dos votos. Apenas dois conselheiros se opuseram ao mecanismo financeiro.

A dívida do Cruzeiro deu um salto de R$ 384 milhões para R$ 520 milhões de 2017 para 2018, o que, na justificativa da direção do clube, exigia uma medida mais forte, como a tomada de um empréstimo.

Todavia as denúncias de irregularidades, além das investigações da Polícia Civil, Polícia Federal e Ministério Público de Minas Gerais, criaram um ambiente hostil para que o clube conseguisse crédito no mercado. Os integrantes da diretoria são suspeitos de crimes de lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e falsidade ideológica e de quebras das regras da Fifa e da CBF.