Cruzeiro sonha com Copa do Brasil para ajudar na crise financeira
Em grave crise nas contas, a Raposa vê como alívio de caixa a premiação do mata-mata. Caso não chega pelo menos à final, o clube prevê um ano de muita austeridade financeira

O ano do Cruzeiro dentro de campo teve altos e baixos, eliminações. Tudo normal, pois se trata de futebol. Mas, o atual bicampeão da Copa do Brasil enxerga na competição mata-mata mais do que levantar o tricampeonato. Para a Raposa chegar pelo menos à final trará uma alívio financeiro para o clube.
Superar o Internacional no dia 4 de setembro, no jogo de volta das semifinais, colocará pelo menos R$ 21 milhões, valor dado do vice-campeão, nos cofres da Raposa. Caso vença a competição, o valor chegará a R$ 52 milhões,o que pode ajudar e muito o Cruzeiro a encerrar bem 2019 e iniciar com menos pendências em 2020.
A eliminação para o colorado significará uma redução em investimentos e um ano de austeridade financeira, como disse o diretor financeiro do clube, Flávio Pena.
- A gente tem três cenários: início de 2017 não tínhamos dinheiro. Entrei no Cruzeiro em agosto do ano passado. A capacidade de caixa era pequena, mas fizeram um grande time. Em 2018 a mesma coisa, 2019 também. Temos um grande elenco. Em 2020 teremos política de austeridade, mas com criatividade, iremos tentar atender ao máximo a demanda do novo treinador, que chegou com garra, vontade e sangue no olho. Se passar na Copa do Brasil, teremos uma situação mais confortável financeiramente. Caso não, temos uma reengenharia financeira para buscar outras alternativas, para buscar outros parceiros para fechar o ano bem disse Flávio Pena, diretor financeiro do Cruzeiro em entrevista à Rádio 98.
Ajustes nas contas- Dívidas urgentes
Flávio Pena também falou sobre as dívidas que o Cruzeiro possui na Fifa, o que pode gerar sanções da entidade para o clube. Os casos mais complexos envolvem as compras de Arrascaeta, Willian do Bigode, Luis Caicedo, além da disputa judicial com o Galo pela multa de R$ 10 milhões relacionados ao atacante Fred, que é cobrado pelo alvinegro, com a Raposa se comprometendo a ajudar o jogador no caso.
O time mineiro tem pendências com o Criciúma, que cobra sua parte na venda de Ezequiel e também há débitos com o chileno Eugenio Mena. No rol de débitos, também constam cobranças judiciais trabalhistas e cível.
Flávio Pena, porém quer priorizar as dívidas mais com fornecedores ligados ao futebol e à Toca da Raposa II.
- As dívidas mais urgentes são com fornecedores. Tem alguns fornecedores importantes que a gente precisa acertar, em manutenções que estamos fazendo na Toca I e na Toca II. As mais altas e as que mais preocupam é, por exemplo, fornecedor de academia que tem lá na Toca. Compramos equipamentos de ponta e preocupa. Alguns impostos também preocupam e estamos ainda dentro naquele limite de não ser excluído- explicou Pena, que detalhou a situação das dívidas estreladas.
- Nós assumimos o Cruzeiro com uma dívida de R$ 384 milhões, mas na verdade ela tem mais R$ 22 milhões a serem somados. Na operação que foi feita em 2016, na renovação do contrato que foi feito com a TV, para a transmissão da Globo para o período de 2019 a 2024, tinha ali dentro desses R$ 94 milhões, os R$ 22 milhões que estamos pagando agora. São luvas que tinham sido contabilizadas em 2016-2017- contou o diretor que vê na venda de atletas como um caminho rápido para equacionar a crise financeira.
-Com venda de jogadores, vamos tentar equilibrar esse custo. Precisamos remodelar o perfil da dívida. Teremos um ano difícil sim. Saímos do inferno ao céu rapidinho. Com vitória na semana que vem, ajustamos muita coisa - disse.
Por que não saiu o empréstimo de 300 milhões?
Um dos projetos mais ambiciosos do clube em 2019, um empréstimo de R$ 300 milhões, que seria adquirido com um fundo de investimento internacional, não saiu e uma das causas apontadas foi o início das denúncias de irregularidades financeiras divulgadas pela matéria do "Fantástico", a TV Globo, em maio passado.
- Um dos investidores era aquele empréstimo de R$ 300 milhões, com fundo misto - capital dos EUA e da Inglaterra. Obviamente após a matéria do Fantástico, aquela operação se esvaziou. Mas temos outras operações em andamento. Há pessoas que acreditam na marca Cruzeiro, independente de tudo que está acontecendo. Não direi se a questão é política ou técnica, mas existem pessoas que acreditam que a marca Cruzeiro está entre as cinco, seis melhores marcas de expressão para dar visibilidade extrema no mercado brasileiro e sul-americano- concluiu.

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