Análise: eliminação na Copa do Brasil escancara realidade do Corinthians

Possibilidade de conquista em meio à crise deu falsas esperanças ao torcedor

PorVitor Coelho PalharesSão Paulo (SP)
21/10/2024 06:45
Atualizado em 21/10/2024 07:19

Supervisionado porVitor Coelho Palhares,
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Augusto Melo, presidente do Corinthians, durante partida contra o Flamengo, pelo jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil (Foto: Ettore Chiereguini/AGIF

Entre os altos e baixos vividos na temporada, o Corinthians alimentou a esperança dos torcedores ao se manter vivo em três competições: Brasileirão, Sul-Americana e Copa do Brasil. A ambição por uma conquista em meio à crise política da instituição deu uma falsa sensação de estabilidade, algo que o clube não vivênciou em 2024.

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A eliminação para o Flamengo na Neo Química Arena expôs a realidade do clube paulista aos mais de 30 milhões de fiéis: um emaranhado de ideias tentando se reerguer com pequenas injeções de ânimo, como classificações em Copas ou contratações.

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Os nove reforços anunciados na última janela de transferências, ao mesmo tempo que demonstram um senso de urgência da diretoria, que se desdobrou para reformular o elenco durante a temporada, também evidenciam uma grave falha de planejamento que não se limita apenas ao futebol.

É evidente que os problemas deixados pelas antigas gestões da Renovação e Transparência, nas figuras de Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves, afetaram o início do mandato de Augusto Melo. Mas, atitudes do atual presidente corroboram para ampliar a instabilidade administrativa do Corinthians.

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Apenas em 2024, o clube teve três diretores jurídicos. Yun Ki Lee e Leonardo Pantaleão pediram demissão do cargo alegando divergências à forma como a administração da instituição foi conduzida, que agora tem Vinícius Cascone à frente da pasta. A debandada, no entanto, não se restringiu ao departamento jurídico. As repartições de marketing, financeira, além do departamento de futebol sofreram alterações em cargos de liderança.

Desta forma, Augusto Melo conseguiu levar a sua gestão de promissora para descredibilizada em menos de um ano. E, se o Corinthians não tiver êxito no principal objetivo na temporada, que é a luta contra o rebaixamento, a administração poderá ser considerada desastrosa.

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Augusto Melo no jogo entre Flamengo x Corinthians
Augusto Melo no jogo entre Flamengo x Corinthians, pela Copa do Brasil (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF)

E todos os fatores citados acima, além de minar um desempenho em campo que é aquém ao esperado, também inflamam o extracampo corintiano.

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O Conselho Deliberativo está prestes a avançar com o pedido de impeachment de Augusto, em um período crítico da temporada, onde o Corinthians precisa se concentrar unicamente no futebol.

Antigos aliados políticos do presidente, que rompeu com 16 anos de um grupo na administração corintiana, voltaram atrás e se uniram justamente a quem um dia fez oposição. Aos mesmo tempo que diversas promessas de campanha, como a transparência, são cumpridas rigorosamente de forma contrária.

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Ao contrário do anunciado no dia da eleição, os amigos permanecem portão adentro, o endividamento cresce e a transparência, outrora tida como mote vital, na prática não passa de promessa política.

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