Arena Corinthians

Arena Corinthians foi anunciada na última sexta-feira como sede da Copa América 2019 (Foto: Divulgação)

Luiz Fernando Gomes
25/11/2018
07:30
São Paulo (SP)

A substituição do Allianz Parque pela Arena Corinthians, a pouco mais de seis meses da abertura da Copa América Brasil 2019, é mais uma amostra de que a Conmebol continua longe de se tornar uma entidade séria e de fato profissional. Falta planejamento, falta organização, sobram o improviso e as gambiarras de última hora. Como sempre foi ao longo da sua história.

A Copa América é o primeiro torneio de seleções do planeta. Surgiu antes mesmo das competições europeias, em 1916, organizada pela Associação Argentina de Futebol como parte das comemorações do centenário da independência do país. Brasil, Chile e Uruguai foram as seleções convidadas. A Celeste estragou a festa dos donos da casa tornando-se a primeira campeã continental, tendo os hermanos como vice.

O sucesso foi grande e já no ano seguinte realizou-se a segunda edição, dessa vez em Montevidéu, com nova vitória dos uruguaios. Desde então, e até 1927, o torneio foi realizado anualmente, envolvendo aos poucos os outros países do continente. A partir daí a periodicidade da disputa passou a variar de dois em dois anos, três em três anos até chegar ao formato atual, quadrienal, que vigora, apenas, desde 2007.

Essa indefinição das datas, ao bel-prazer dos cartolas da Conmebol e seus interesses políticos de perpetuação no poder, já mostrava-se reveladora da inconsistência de um campeonato que tinha tudo para ser relevante e justificar seu pioneirismo. Mazelas de todo tipo, contudo, foram comprometendo sua importância, credibilidade e, consequentemente, a capacidade financeira de sua organização, com a redução dos patrocínios e dificuldades na negociação de direitos de transmissão pela TV.

Foi quando, para manter o campeonato, a Conmebol lançou mão de um recurso heterodoxo. A pretexto de contribuir para o desenvolvimento do futebol em centros emergentes, passou a convidar países como EUA, México e até do outro lado do mundo, como o Japão e agora o Catar, que entra nessa edição, como forma – hipocrisia do discurso oficial à parte - de atrair na verdade patrocinadores mais poderosos que lhe permitissem fechar as contas cada vez mais pesadas de eventos multinacionais como esse.

A Copa América do ano que vem será apenas a quinta disputada no Brasil, em 100 anos de história. Será a primeira neste século, já que fomos sede em 1919, 22, 49 e 89. A Argentina, com nove, o Uruguai e o Chile com sete são os maiores promoters. Na verdade, a CBF, desde os tempos em que era CBD, nunca demonstrou maior interesse em brigar para sediar a competição. Talvez uma das poucas atitudes com um mínimo de sensatez da dinastia Teixeira-Marin-Del Nero-Caboclo.

Dessa vez, pelo menos, não se vislumbra um vazadouro do dinheiro público. A exceção do Morumbi, que passará por uma reforma mais ampla para sediar a abertura do torneio, os demais estádios estão prontos, herança da Copa de 2014 como o Maracanã, a Fonte Nova e o Mineirão, ou reformados recentemente como a Arena do Grêmio, em Porto Alegre, que tomou o lugar do Beira-Rio.

O caso da segunda sede paulistana é bem particular. E amadorístico. Considerando que a versão oficial da Conmebol é verdadeira, que “compromissos comerciais assumidos pela gestão da Arena Palmeiras com sócios e patrocinadores não puderam ser conciliados com a organização da competição", cabe uma pergunta simples e objetiva: isso não poderia ter sido visto antes?

Mas vamos em frente nos questionamentos: será que a WTorre não havia sido informada de que a Arena seria envelopada com os patrocínios oficiais e Allianz, Crefisa FAM e outras marcas seriam "escondidas" durante o evento? A construtora teria deixado o tempo correr para manifestar sua recusa só agora como forma de pressionar a Conmebol? E o que fez o Corinthians, que desde o início havia se posicionado por não sediar jogos, mudar de ideia a essa altura?

A Arena de Itaquera deverá sediar três jogos da Copa América. O Corinthians diz que aceitou socorrer a Conmebol com a garantia de que não vai desembolsar um centavo sequer nas adaptações que forem feitas para o torneio. E ainda vai faturar algum com a cessão do estádio. É uma parte da explicação. Mas o que aconteceu de fato entre WTorre – que sequer terá de pagar multa pela desistência - e o comitê organizador da Conmebol ainda é algo a ser apurado. O fato é que o Allianz Parque já aparecia em todo o material publicitário e no álbum de figurinhas. Tudo terá de ser refeito.