Umberto Louzer - Chapecoense

Umberto Louzer vibra com o acesso da Chapecoense (Foto: Márcio Cunha I ACF)

Rafael Takacs e João Alexandre Borges
20/02/2021
07:00
Chapecó (SC)

Depois de um 2019 conturbado, que culminou com o rebaixamento para a segunda divisão, a Chapecoense reuniu forças para se reconstruir. O caminho teve contratempos e um nome teve papel importante para devolver a alegria na Arena Condá: Umberto Louzer. Em entrevista ao L!, o treinador comentou a dificuldade do início do trabalho, a recuperação da confiança do elenco e o árduo caminho para as duas taças — Campeonato Catarinense e Série B.

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Se a temporada encerrou com a Chapecoense em alta, o início foi complicado. Quando desembarcou na Arena Condá, Umberto Louzer encontrou o Verdão do Oeste na luta contra a degola no Catarinense. Ele explica como foi o trabalho de resgate da confiança do elenco.

- Quando cheguei à Chapecoense o time estava na última colocação do estadual e amargava um rebaixamento para a Série B, situação que causava temor ao caixa do clube. O elenco estava sem confiança e a minha primeira meta foi o lado emocional de recuperar o ânimo deles e a confiança para que cada um pudesse render melhor dentro de campo.

- Com o tempo as coisas se encaixaram, a eliminação na Copa do Brasil nos deu mais tempo para trabalhar, inserimos alguns trabalhos táticos e conseguimos a classificação para o mata-mata, onde pegamos o Avaí. Conseguimos eliminar o adversário, faturamos o título do Catarinense e isso embalou o elenco para a sequência do ano - disse o treinador.

No primeiro bate-papo com a diretoria, Louzer soube das expectativas dos dirigentes e contou que tinha como meta levar a Chape de volta à Série A.

- Toda vez que um clube me procura, eu pergunto o que eles esperam do trabalho para saber se posso entregar e o que a diretoria vai me ofertar. Na ocasião, a diretoria me disse que a Chapecoense precisava chegar entre os quatro do Catarinense e se manter na Série B, pois assim o time teria uma base e brigaria pelo acesso em 2021. Eu até brinquei com eles e disse que na Chape iria casar com a Série B. Quando estava no Guarani fiquei perto de entrar no G4, no Coritiba briguei pela liderança, mas saí do G4 e agora tinha a meta de garantir um acesso.

Alan Ruschel - Chapecoense
Capitão da Chape levantando a taça da Série B do Brasileirão (Divulgação/MS+)

SENTIMENTO DE SER CAMPEÃO

O título da série B de 2020 foi o primeiro título nacional conquistado na história da Chapecoense. Umberto destacou que tem muito orgulho em fazer parte da “família Chapecoense” e afirmou que a cultura local é totalmente diferente. Como é o único clube da região, a cidade abraça o time e até no supermercado recebe mensagens de apoio dos torcedores.

- Demorou um ou dois dias para a ficha cair de fato. Hoje, você olha para trás e vê que tudo valeu a pena, todas as renúncias e tudo aquilo que nós sacrificamos para conseguir esse objetivo.

- Quando você vê que conseguiu atingir (o objetivo) e o Allan Ruschel está erguendo o troféu, não tem como não vir as lágrimas. Passa um filme na cabeça de tudo que você viveu e vem esse mix de sensações, é muito prazeroso mesmo. É motivo de orgulho fazer parte dessa família.

DEFESA MENOS VAZADA

A Chapecoense sofreu apenas 21 gols nas 38 partidas que disputou, o que foi a melhor marca da série B de 2020. Umberto revelou que, no período da intertemporada, passou treinamentos e ideias ofensivas e defensivas “de ordem individual e, depois, por setor”. De acordo com ele, para disputar a competição, é importante ter uma boa consistência defensiva.

- A Chapecoense é um clube que tem esse DNA competitivo, é uma equipe que tem que lutar até o fim e ser aguerrida, mas, de forma organizacional. Você tem que ter as suas ideias, e os atletas tem que ter um padrão para que eles saibam o que fazer em determinadas situações.

- Isso é uma coisa que eu gosto de fazer no meu dia a dia de trabalho: dar conteúdo e carga igual para todos eles para, quando tivermos a possibilidade de dar uma oportunidade para um atleta, ele possa estar inserido e saber o que fazer dentro de campo. Isso foi uma vantagem para nós, trabalhar todos da mesma maneira.

"O Alan é um cara especial. Um coração gigantesco e pronto para ajudar o próximo"

IMPORTÂNCIA DE ALAN RUCHEL

Um dos sobreviventes no acidente aéreo de 2016, Alan Ruschel ficou no Verdão do Oeste e conduziu o elenco com a sua liderança. Peça importante de Louzer, o lateral levantou a taça de campeão da Série B e ganhou ainda mais a admiração do comandante.

- O Alan é um cara especial. Um coração gigantesco e pronto para ajudar o próximo. Eu tenho uma relação com o Ruschel devivo ao Juventude, onde atuamos juntos. Ele me ajudou muito, foi o meu capitão, uma liderança dentro e fora de campo.

- O Alan tem um papel importante nestes títulos (Catarinense e Série B) por conta da condução do vestiário. Ficamos felizes em vê-lo com o troféu da Série B na mão, já que a Chape nunca tinha conquistado este título. Sou grato a ele e ao grupo dos atletas. Todos foram homens.

META DA CHAPE NA SÉRIE A

Após garantir o acesso, Umberto Louzer mantém os pés no chão e cita que a Chape precisa se manter na elite para depois buscar voos mais altos.

- Creio que, por tudo que eu venho conversando com a diretoria, a principal meta da Chapecoense é se manter na elite e o quanto antes fizer isso, melhor. Assim podemos tentar uma briga por coisas mais interessantes, como, por exemplo, a Sul-Americana.