Vinícius Faustini
19/07/2017
14:18
Rio de Janeiro (RJ)

A arquibancada do Maracanã não guarda apenas lembranças de festa. Nesta quarta-feira, completam-se 25 anos da tragédia que marcou torcedores do Flamengo ansiosos pela final do Brasileirão de 1992. Antes do embate com o Botafogo, uma das grades de proteção da arquibancada destinada a rubro-negros desabou, causando a queda de vários torcedores.

Segundo informações do "Jornal dos Sports", a confusão teria começado após uma discussão no local e um torcedor ameaçar disparar tiros para o alto. O acidente feriu 82 torcedores, e causou a morte de três pessoas: Frederico Castilho de Oliveira, de 16 anos, Sérgio de Souza Marques, de 25 anos, e Cláudio José Rocha Galda, com 17 anos.

Décadas depois do acidente, o árbitro José Roberto Wright contou ao LANCE! porque optou pela realização do jogo, mesmo diante do caos na arquibancada:

- Após o coronel-comandante me detalhar aquela situação lamentável, ponderei que havia em torno de 130 mil pessoas que foram assistir a um jogo no Maracanã. Perguntei ao coronel se teria possibilidade de colocar em torno 50 policiais no local onde o alambrado cedeu, e, ao receber o aval dele, decidi que a final ocorreria.

De acordo com o ex-árbitro, que apitou as duas partidas de Flamengo e Botafogo, a preocupação foi com a segurança da partida:

- Por mais que o incidente tenha sido grave, a opção por suspender o jogo poderia causar um tumulto maior. Mas a situação mostrou-se correta. E, dentro de campo, os dois jogos foram tranquilos, sem maiores problemas.

O empate em 2 a 2 confirmou o título brasileiro do Flamengo, que vencera por 3 a 0 o jogo de ida. Presidente da Suderj na época, Márcio Braga revelou ao LANCE! que aquele momento foi um dos mais tristes com os quais lidou:

- Aquilo foi um horror, uma das piores coisas que vivi na minha vida! Era um momento em que o Flamengo foi campeão, mas não pude sequer comemorar, devido ao episódio - afirmou o ex-dirigente, que, em 1992, também era mandatário do Flamengo.

Márcio Braga contou que o acidente no Maracanã era uma "tragédia anunciada":

- Em um despacho que tive com o governador Leonel Brizola, eu chamei atenção de que o Maracanã estava deteriorado, e alguma coisa podia acontecer. Era preciso uma recuperação grande, muito grande. Mesmo com a reabertura meses depois, isso só aconteceu, de fato, no fim da década de 1990.

O laudo da perícia concluído por técnicos do Instituto Criminalista Carlos Éboli dias depois da tragédia apontou uma série de falhas. As grades da arquibancada estavam mal instaladas, havia peças corroídas pela oxidação, além de uma superlotação de torcedores.

Em 27 de julho de 1992, Márcio Braga anunciou a interdição do Maracanã. À época, ele prometeu realizar uma inspeção geral no estádio, para que fossem descobertos possíveis riscos que não eram detectados facilmente.

Devido à interdição do Maracanã, o Campeonato Carioca, disputado no segundo semestre, teve outros endereços. Boa parte dos clássicos aconteceu em São Januário (houve até um inusitado Fla-Flu no Ítalo Del Cima).

O Flamengo mandou boa parte de suas partidas na Gávea, enquanto o Vasco manteve a Colina como casa em todos os clássicos. Já o Botafogo contou com o Caio Martins e o Fluminense, recebeu suas partidas nas Laranjeiras.

O Maraca reabriu apenas em 3 de fevereiro de 1993, após 205 dias de silêncio, em um amistoso no qual o Flamengo bateu o Cruzeiro por 2 a 0.