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Após queda na Copa do Brasil, Botafogo pede recuperação judicial

SAF cita transfer bans da Fifa e descapitalização dentro do Grupo Eagle

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Fernanda Gondim
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 14/05/2026
22:42
Atualizado há 1 minutos
Camisa do Botafogo no estádio Nilton Santos
imagem cameraCamisa do Botafogo no estádio Nilton Santos (Foto: Artur Barreto/Botafogo)

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A SAF do Botafogo protocolou, após a eliminação na Copa do Brasil na noite desta quinta-feira (14), um pedido de recuperação judicial na Justiça, em meio ao agravamento da crise financeira. Em nota oficial, o clube afirmou que a medida busca garantir a continuidade das atividades esportivas e administrativas e viabilizar a reorganização das dívidas diante de bloqueios judiciais, restrições de caixa, transfer bans aplicados pela Fifa e da falta de aportes financeiros por parte do Grupo Eagle, controlador da SAF.

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Confira a nota oficial na íntegra

"A SAF Botafogo informa que, em continuidade ao processo de reorganização financeira já iniciado com o ajuizamento de medida cautelar, protocolou, na noite desta quinta-feira (14), pedido de Recuperação Judicial como medida necessária para proteger o clube, preservar suas atividades, garantir o cumprimento de suas obrigações e assegurar a continuidade do projeto esportivo do Botafogo.

A decisão foi tomada diante do grave cenário financeiro enfrentado pela companhia, agravado por sucessivos bloqueios, riscos decorrentes de transfer bans impostos no âmbito da FIFA, vencimentos antecipados de obrigações financeiras e severas restrições de caixa que passaram a comprometer a própria operação cotidiana do clube.

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Com o ajuizamento da Recuperação Judicial, a SAF Botafogo ingressa em uma nova etapa de reorganização estruturada, com maior estabilidade jurídica e financeira para condução de negociações com credores, investidores e parceiros estratégicos.

A medida também permite o início formal da elaboração e discussão de um plano de Recuperação Judicial, que será submetido aos credores na forma da lei, criando um ambiente de previsibilidade, supervisão judicial e proteção institucional necessário para o reequilíbrio financeiro da companhia.

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Além disso, o efetivo pedido de Recuperação Judicial era medida indispensável diante das recentes sanções desportivas sofridas pelo clube, incluindo transfer bans impostos no âmbito da FIFA. A própria FIFA esclareceu que a tutela cautelar anteriormente deferida não produzia os efeitos jurídicos equivalentes ao processamento da Recuperação Judicial, razão pela qual a SAF Botafogo precisou avançar imediatamente para esta nova fase, como forma de proteger suas atividades esportivas, preservar sua competitividade e evitar prejuízos ainda mais severos ao clube.

Nos últimos meses, a SAF Botafogo sofreu forte processo de descapitalização dentro da estrutura do Grupo Eagle. Mais de R$ 900 milhões deixaram de retornar ao Botafogo, ao mesmo tempo em que o clube deixou de receber os aportes e o suporte financeiro necessários para manutenção de suas atividades e competitividade esportiva.

Enquanto outros ativos do grupo receberam investimentos substanciais — incluindo aportes recentes de aproximadamente US$ 90 milhões no Lyon — o Botafogo permaneceu, por mais de um ano, sem qualquer injeção relevante de recursos, mesmo diante de reiterados alertas sobre a deterioração do caixa e os riscos concretos à continuidade operacional da SAF.

A Eagle Football, sua administração e seus representantes diretos tinham pleno conhecimento da gravidade da situação financeira enfrentada pela SAF Botafogo.

Ainda assim, além de não promoverem os aportes e medidas necessários à preservação da companhia, permaneceram como os principais beneficiários da estrutura financeira que retirou recursos relevantes do clube sem a correspondente recomposição de capital ou suporte operacional adequado.

Desde então, a condução adotada pela Eagle Football e por John Textor revelou absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional da SAF Botafogo, contribuindo diretamente para o agravamento da crise enfrentada pelo clube e para o cenário de extrema fragilidade que tornou inevitável o ajuizamento da Recuperação Judicial.

A Recuperação Judicial é o instrumento legal utilizado para proteger o clube, reorganizar suas finanças, preservar empregos, honrar compromissos, manter a competitividade esportiva e garantir que o Botafogo continue existindo forte para as próximas gerações.

O objetivo da medida é assegurar estabilidade, transparência e supervisão judicial para que o Botafogo possa reestruturar seu passivo de forma organizada e responsável, protegendo seus atletas, funcionários, credores, parceiros comerciais e, principalmente, sua torcida.

A SAF Botafogo esclarece que seguirá operando normalmente e que todos os esforços estão sendo adotados para assegurar a plena continuidade de suas atividades esportivas e administrativas. Os salários de atletas, comissão técnica e funcionários, bem como os contratos com fornecedores, prestadores de serviços e demais compromissos essenciais à operação do clube, continuarão sendo honrados regularmente, dentro do ambiente de estabilidade e proteção proporcionado pela Recuperação Judicial.

O Botafogo pertence à sua história, à sua camisa e aos milhões de torcedores que jamais abandonaram o clube nos momentos mais difíceis. O momento exige coragem, responsabilidade e união."

Botafogo perde para a Chapecoense por 2 a 0 e dá adeus a Copa do Brasil
Botafogo perde para a Chapecoense por 2 a 0 e dá adeus a Copa do Brasil (Foto: Vitor Silva/Botafogo)
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