Wesley - São Paulo

Wesley, volante do São Paulo, em treino no CT (Foto: Ana Luiza Rosa/saopaulofc.net)

Marcio Porto
04/09/2016
07:00
São Paulo (SP)

Não é de hoje que a torcida do São Paulo pega no pé do volante Wesley. Desde que chegou, ele joga sob pressão e críticas. Mas nada se compara ao cenário que terá na próxima quarta-feira. O camisa 11 reencontrará o Palmeiras no palco onde talvez tenha recebido a maior vaia de carreira e no primeiro jogo após ser agredido por torcedores organizados do Tricolor. Não bastasse, ainda deve começar o duelo fora de sua posição.

Wesley, ao lado do lateral-esquerdo Carlinhos e do meia Michel Bastos, foi agredido na invasão ao CT da Barra Funda no último dia 27. Um vídeo gravado por um torcedor mostra o momento em que o jogador leva um tapa na cabeça. Não haveria situação pior para jogar um clássico.

Além da tensão e medo naturais de um episódio lamentável, o camisa 11 terá de novo a fúria da torcida do Palmeiras no Allianz Parque. No estádio, onde os rivais se enfrentam na próxima quarta, pelo Campeonato Brasileiro, Wesley foi hostilizado de maneira ímpar quando defendia o Alviverde. Foi na última rodada do Brasileiro de 2014. O Palmeiras se garantiu na Série A com empate por 1 a 1 com o Atlético-PR e, ao ser substituído no segundo-tempo, o volante ouviu uma avalanche de vaias. O episódio encerrou sua passagem.

Wesley não vive boa fase e talvez ficasse apenas como opção no banco no clássico. No entanto, uma série de desfalques fez o técnico Ricardo Gomes improvisar o volante na lateral direita. Bruno está machucado e o argentino Buffarini, suspenso. Ricardo ainda tem o garoto Auro, de 20 anos, como opção, mas treinou nos últimos dias com Wesley. Haja sacrifício para quem ainda, ao menos para a torcida, está devendo.

O episódio de violência mexeu com os jogadores do São Paulo, que foram blindados pela diretoria. Nesta semana, apenas o treino da sexta-feira foi aberto à imprensa. Os agredidos não deram declarações. Wesley ficou ainda mais incomodado.

A situação do time tampouco é melhor. O São Paulo está com 28 pontos no Brasileiro, apenas quatro acima da zona do rebaixamento. Ocupa hoje a 11 colocação, mas poderá viver um drama caso seja derrotado pelo Palmeiras.

O jogo é uma prova de fogo para Wesley, que passou por algumas nesta temporada, principalmente na Libertadores, e até deu conta. Essa de agora, no entanto, faz reviver um momento difícil e está manchada pela atitude infeliz de torcedores que o agrediram. Resta saber como o volante reagirá.


AS PROVAS DE WESLEY

The Strongest
Escolhido para substituir Ganso, volante teve atuação de destaque no jogo que classificou o São Paulo para o mata-mata da Libertadores, empate por 1 a 1 em La Paz.

Atlético-MG
No jogo de ida das quartas de final, foi titular no lugar de Michel Bastos, que não estava 100%, e deu conta. Cruzou justamente para o camisa 7 fazer o gol da vitória: 1 a 0.

Nacional (COL)
Substituiu Kelvin nos dois jogos da semifinal da Libertadores e teve desempenho abaixo do esperado. Não conseguiu criar jogadas e marcou mal.

Internacional
Único jogo com o técnico Ricardo Gomes, teve atuação sem destaque no empate por 1 a 1 no Beira-Rio, na estreia do técnico. Entrou no segundo tempo, no lugar de Kelvin.