Bruno Grossi
23/03/2016
23:42
São Paulo (SP)

O São Paulo, ainda que com dificuldades, respira em 2016. Foram cinco partidas e 44 minutos até que o torcedor saísse do sufoco de uma temporada irregular até aqui. Confira como foi lance a lance. E para sair um pouco da crise, não seriam possíveis outros personagens: Paulo Henrique Ganso e Jonathan Calleri. Foi do Maestro o passe açucarado para o argentino quebrar jejum de 11 jogos sem gols e dar a vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo nesta quarta-feira, no Pacaembu. Veja a repercussão nos vestiários do estádio.

Antes da festa pelo alívio, a impaciência imperou soberana entre os torcedores, irritados por erros e ingerências, times frágeis ou sem alma. Para que houvesse mais compreensão das vazias arquibancadas - 3.214 presentes -, era necessário ter concluído uma das chances criadas nos primeiros minutos graças a uma marcação adiantada e entrega dos atletas. Como de costume, a pontaria falhou e deixou o caminho aberto para cornetas e xingamentos ecoarem livres.

O novo esquema de Edgardo Bauza, sempre inquieto, fez com o time voltasse a sofrer menos – apesar da confiança botafoguense em arriscar contra Denis. O problema é que, aos poucos, Bruno se perdeu na esquerda e Caramelo plantou-se na direita. Hudson pedia e o ala não passava. João Schmidt cobrava, e nada. Até que a torcida elegeu o camisa 16 como o novo alvo de sua insatisfação.

Com Lucas Fernandes e Alan Kardec no segundo tempo, Patón ganhou campo e mais consciência – Carlinhos e Daniel nada produziram. Ganso tentava de todas as formas ter mais espaço para produzir, mas o meio era congestionado demais e pelos lados não havia confiança. A solução era arriscar de longe, como o próprio Maestro e o zagueiro Maicon tentaram. Ou então, ir além, contar com inspiração e qualidade raros na equipe de Bauza.

Foi aí que Ganso voltou a gastar a bola como garçom e anotou a terceira assistência no ano. O premiado, pela segunda vez na temporada, foi Calleri. O argentino passara o jogo todo amarrado entre os zagueiros e sofrendo com domínios ruins, até resolver tudo em um toque, de novo por cobertura, para encerrar jejum de 10 jogos sem marcar. O Tricolor respira, agora com 17 pontos e na liderança do Grupo B do Campeonato Paulista. O próximo obstáculo contra a crise é diante do Santos, às 18h30 de domingo na Vila Belmiro, sem o suspenso e essencial Paulo Henrique Ganso.

FICHA TÉCNICA
SÃO PAULO 1 X 0 BOTAFOGO-SP

Local:
Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
Data-horário: 23 de março de 2016, às 21h45
Árbitro: Rafael Gomes Feliz da Silva
Assistentes: Alex Alexandrinho e Patrick André Bardauil
Público/Renda: 2.970 pagantes / R$ 123.026,00
Cartões amarelos: Maicon, PH Ganso, Bruno e Alan Kardec (SPFC) // Carlos Alberto e Samuel Santos (BOT)
Gols: Calleri 44'2ºT (1-0)

SÃO PAULO: Denis; Caramelo (Kelvin 34'2ºT), Lugano, Maicon e Bruno; Hudson, João Schmidt e Carlinhos (Lucas Fernandes 1'2ºT); PH Ganso e Daniel (Alan Kardec 9'2ºT); Calleri. Técnico: Edgardo Bauza.

BOTAFOGO
: Neneca, D. Borges, C. Ruan, Mirita e Pituca; R. Thiesen, A. Dias, Serginho (Diogo Campos 33'2ºT) e C. Alberto (Mancini 25'2ºT); S. Santos e Alemão (Léo Coca 26'2ºT). Técnico: Márcio Fernandes.