torcida contra, coreia

Coreia ficava localizado no setor do antigo placar, que hoje divide Sangue Jovem e 'retão' (foto:Divulgação)

Léo Saueia
09/10/2016
16:03
São Paulo (SP)

Jogadores, diretores e qualquer pessoa que atue no meio do futebol. Hoje em dia é unanimidade que a torcida é a principal força de um clube. Incentiva, acredita e até vence jogos pela pressão feita nas arquibancadas.

Mas na Vila Belmiro nem sempre foi assim. O centenário estádio já abrigou situações certamente repreendidas no futebol atual.

Entre as décadas de 50 e 60, um grupo de torcedores ia ao estádio em dias de jogos do Santos justamente para torcer contra o Santos. Declarados santistas de coração, mas sempre com alguns “intrusos” fanáticos por algum dos maiores rivais, o alvo do grupo era o jornalista Ernani Franco, da Rádio Atlântica.

A crítica ao radialista em questão se dava pelo excesso de amor pelo clube da Vila Belmiro, que se misturava entre opinião e informação.

Todos os dias, o grupo de “anti-torcedores” se juntava no antigo bar Pinga do Bambu, no canal 2 da cidade, inclusive em dia de jogos. No caminho à Vila, encontravam Salustiano, o Salu, torcedor-símbolo do clube à época, que fornecia rojões e fogos para serem soltados na entrada do Peixe ao gramado do estádio.


Situados atrás do gol do antigo placar, na Rua José de Alencar, o grupo contrariava a lógica da torcida e esperava o time adversário ao Santos subir ao gramado da Vila para soltar todo o barulhento arsenal.

O apelido de Coreia foi dado justamente por Ernani Franco, alvo do grupo. O nome foi designado pelo radialista em alusão à guerra entre Estados Unidos e Coreia, onde os coreanos eram vistos como inimigos.

O falecido volante Zito, eterno capitão santista, sempre levou a situação na brincadeira e garantiu que a Coreia era amiga dos jogadores. Outros relatos da época, no entanto, dão conta de que nem todos eram favoráveis à brincadeira do grupo.

Pepe, o Canhão da Vila, que também já foi alvo de “corneta coreana”, rechaçou qualquer possibilidade de intriga com a Coreia.

– Era uma turma da Vila que tinha uma banda, iam para se divertir. Ganharam esse apelido, mas a gente sabia que a grande maioria era torcedor do Santos, então não incomodava, não – recorda, ao