Lucas Pastore
17/08/2016
06:05
Rio de Janeiro (RJ)

Existe, entre os fãs de basquete, a história de um lugar lendário chamado Café Belgrado, localizado na capital da Sérvia, onde técnicos se juntam para falar sobre a modalidade entre goles da bebida. Nesta quarta-feira, este e outros símbolos do orgulho nacional do país europeu estarão em jogo às 22h15, na Arena Carioca 1, quando a seleção masculina da nação europeia enfrenta a Croácia em um dos clássicos de maior rivalidade do mundo.

Até 8 de outubro de 1991, data da independência da Croácia, seus jogadores de basquete, tradicional modalidade na região, dividiam a quadra com os sérvios defendendo a bem-sucedida seleção da Iugoslávia, campeã olímpica em 1980 e mundial em 1970, 1978 e 1990.

Porém, jogadores que eram companheiros viraram instantaneamente rivais com a independência croata e as sucessivas guerras que assolaram a região na sequência. As consequências dos conflitos no basquete foram retratados no documentário “Once Brothers”, da ESPN, que mostra como a amizade do sérvio Vlade Divac com o ex-compatriota Drazen Petrovic se deteriorou no processo.

Divac está no Rio de Janeiro como presidente do Comitê Olímpico Sérvio. Petrovic morreu em junho de 1993, vítima de acidente de carro na Alemanha, antes de poder retomar a amizade com o ex-colega de seleção iugoslava. Seu irmão Aleksandar Petrovic também está nos Jogos, como técnico da seleção croata.

Os personagens farão parte do clássico desta quarta, assim como os elementos que ajudaram a construir a identidade de cada nação após a separação. Entre eles, o café para os sérvios.

- Bom, nós temos um café bom. Vocês não tem um café bom aqui (risos). Temos um ótimo café e ótimos bares de café. Adoramos nos reunir e conversar em cafés sobre qualquer coisa, e o basquete é uma delas. Toda quadra na Sérvia tem um café dentro dele, então ir até eles, conversar com técnicos e ouvir histórias faz parte do jeito que vivemos o basquete. Ouvimos histórias lendárias e temos histórias lendárias para contar – contou Aleksandar Djordjevic, técnico da seleção sérvia, ao LANCE!.

Nesta quarta-feira, o orgulho nacional de sérvios e croatas estará em jogo nas quartas de final da Olimpíada do Rio de Janeiro. Assim como seus símbolos – entre eles, o Café Belgrado.

COM A PALAVRA
Dusan Radivojevic, técnico sérvio do XV de Piracicaba:


Depois do Mundial de Buenos Aires, em 1989, quando a antiga Iugoslávia ganhou de 40 pontos de diferença dos Estados Unidos, eles decidiram mandar o que eles chamavam de Dream Team de 1992. Acho que a maior injustiça da história do basquete foi nunca termos visto esse jogo, da antiga Iugoslávia contra o Dream Team, porque a Iugoslávia tinha um time muito bom, era a única equipe do mundo que poderia enfrentar esse time dos Estados Unidos. Sobre o Café Belgrado não é uma lenda, é um lugar que ainda existe, um lugar que durante os anos 1990, durante o comunismo, a gente não tinha muita oportunidade de ver basquete europeu, de outros países. Em Belgrado, nasceu um café, que no começo foi batizado com a palavra sérvia para cesta, e depois mudaram bastante e virou o Café Belgrado. Tem muita história por trás desse Café Belgrado. Muitos outros times da Europa vêm, técnicos e jogadores, se juntam lá para tomar café, discutir basquete. É um lugar bem conhecido na Sérvia. Se você perguntar para qualquer basqueteiro na Sérvia, ele vai ter informar onde é o lugar e o que está acontecendo lá.