Gabriel Silva Santos

Gabriel Santos é atleta do Pinheiros e da Seleção. No JUBs, defende Unip de São Paulo (Foto: Reprodução/Instagram)

Jonas Moura
24/10/2017
08:05
Enviado Especial a Goiânia (GO)*

Da nova geração da natação brasileira, Gabriel Silva Santos, de 21 anos, é um dos atletas mais satisfeitos com o seu desempenho na primeira etapa ciclo olímpico rumo a Tóquio-2020. Atração dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), em Goiânia, o paulista, que enfrentou diversas barreiras para chegar ao alto nível, define a temporada como perfeita. E tem razões para isso.

Convocado para integrar o revezamento 4x100m livre na Olimpíada do Rio de Janeiro, quando o país ficou na quinta colocação, o jovem tem chamado a atenção pela progressão de seus resultados. Na ocasião, ele nadou para 48s63, na eliminatória, e 48s72, na final.

Em maio deste ano, os números foram ainda mais animadores. O atleta foi campeão dos 100m livre no Troféu Maria Lenk, com 48s11, que chegou a ser o terceiro melhor do ano (hoje é o oitavo). Em agosto, ajudou o Brasil a faturar a prata no 4x100m livre, ao lado de Bruno Fratus, Cesar Cielo e Marcelo Chierighini, com 48s30.

- Cheguei muito novo à Seleção e segui o processo natural, das categorias de base, que la é bem legal. E mostrei uma evolução constante. Não tive nenhum ano parado no tempo, e espero conseguir manter essa característica, que foi um diferencial até agora, até 2020 - afirmou o brasileiro, ao LANCE!.

Na capital goiana, ele defendeu as cores da Unip (SP), na qual e confirmou o favoritismo, com três medalhas de ouro, mesmo longe das melhores marcas. Nos 100m livre, por exemplo, precisou de apenas 50s82 para vencer. Ainda faturou o título no 4x100m medley. Nos 50m livre e 50m borboleta, foi prata.

O objetivo ao disputar a competição é fazer ajustes para os eventos do fim de ano, o Open e o Mundial Militar. Há alguns anos, fazia uma "viagem" de quatro horas por dia da Vila Nhocuné, na Zona Leste de São Paulo, ao Pinheiros, onde treina, na Zona Oeste, ao lado de Cielo.

- Era uma jornada de cerca de duas horas para ir e mais duas para voltar. Quase quatro horas por dia - recorda.

Agora, o nadador busca conciliar os estudos de Educação Física com o alto rendimento, uma missão que nem sempre é das mais tranquilas.

- Eu quero levar isso para o resto da minha vida. É difícil conciliar a faculdade com os treinos, mas pretendo me formar, com certeza. Até tranco se precisar, mas vou concluir - garantiu.

BATE-BOLA
Gabriel Santos, nadador, ao L!.

Que avaliação faz de seu ano de 2017?
Eu estou muito feliz. Está sendo um ano perfeito. No Maria Lenk, ganhei o ouro pela primeira vez e fiz o terceiro melhor tempo do mundo e, depois, fui para Budapeste, onde conquistei a prata no revezamento. Foi a realização de um sonho. Considero um objetivo de todos os nadadores uma medalha em Mundial, ainda mais no top 3.

Você nasceu em família humilde. O que foi mais difícil?
Foi mais complicado no início mesmo, do infantil até o juvenil. Eu não tinha condições financeiras, morava na Zona Leste e treinava no Pinheiros. Era uma jornada de duas horas para ir e mais duas para voltar. Foi bastante luta, mas passei por cima. Depois de uns três anos, mudei para uma república e passei a ter auxílio financeiro.

Apesar das dificuldades, pensou em largar a natação?
A família sempre me incentivou. Fizeram o possível e o impossível. Cada coquista não é só minha, mas de muita gente envolvida.

A que se deve sua melhora em 2017?
Eu não sei direito explicar, mas acredito muito no trabalho, nos treinos, no que faço todos os dias Pinheiros, onde estou há 11 anos, e no meu técnico Alberto. Quero dar o meu melhor a cada dia.

Se mantiver os bons resultados, como lidará com a pressão de repetir feitos de grandes nadadores do Brasil, como o Cielo?

Eu não me baseio em comparações, faço o meu. Sei que as comparações existem, mas estou escrevendo a minha história. Ela é unica. Porém, é claro que o Cesar e o Bruno, sao caras que levo como parâmetro para minha carreira.

Com a palavra
Carlos Matheus, treinador da Unip (SP) nos JUBs

A cada ano, o Gabriel evolui. Acima de tudo, é humilde, simples, com os pés no chão. É o diferencial dele, e seus resultados virão a partir disto. Sabe o caminho, com seu treinador (Alberto Pinto, do Pinheiros), e tem um futuro bem interessante. Ele nada as provas em que o Brasil sempre esteve bem. Eu o vejo com grandes perspectivas no revezamento. No individual, não cravo medalha em 2020. Mas vamos aguardar. Nos próximos três anos, muitas mudanças podem e devem acontecer.

Precisamos ainda de um miolo mais forte, mas nomes estão aí. Uma nova geração muito boa está vindo. Temos de ter paciência e não cobrar tanto esse atletas. Senão o cara pega uma final de Mundial, e as pessoas não imaginam como é difícil chegar lá. O Gabriel, que foi medalhista com os veteranos no revezamento 4x100m livre no Mundial, é um garoto novo. Se pegar uma final de 100m livre, uma prova clássica, será um belo resultado para a idade. Falta bom senso de enxergar que o crescimento não vem da noite para o dia.

* O repórter viaja a convite da CBDU