Atlético-PR x Flamengo

Torcida do Atlético-PR, com momentos de amor e ódio, terminou 2016 com um final feliz. (Foto: Geraldo Bubniak/AGB)

Guilherme Moreira
12/12/2016
16:22
Curitiba (PR)

O empate por 0 a 0 contra o Flamengo no domingo, na Arena da Baixada, garantiu a quinta participação do Atlético-PR, o "El Paranaense", na Libertadores. A trajetória do time paranaense, entretanto, passou por altos e baixos durante o Campeonato Brasileiro.

Após a conquista do Campeonato Paranaense, quando também viveu problemas com jogadores e torcedores, o Furacão entrou no torneio nacional com o objetivo de brigar pelo G-4. E raros momentos na campanha afastaram de tal meta, com a equipe ficando no seleto grupo ou próximo dos primeiros colocados.

Mas turbulências aconteceram e não foram poucas. As saídas do titulares Vinícius e Walter, que se desentenderam com o presidente do Conselho Deliberativo, Mario Celso Petraglia, revoltaram a torcida. A falta de sintonia, com proibições para a organizada Os Fanáticos e outros vetos desnecessários, pode ser vista em números: a média de público foi de 15.889 pagantes - apenas oito jogos, durante toda a temporada, passaram de 20 mil pessoas.

Em diversos jogos, mesmo com gols e vencendo, a nação rubro-negra fazia questão de protestar e pedir a saída do dirigente. A baixa no departamento de futebol, entretanto, veio com a saída do diretor de futebol, Paulo Carneiro, também alvo de críticas.

Em campo, as lesões de Sidcley, Nikão e André Lima durante o torneio colocaram em dúvida a capacidade do elenco, que tem suas deficiências técnicas comprovadas. Mesmo assim, a garotada do CT do Caju deu conta do recado. Nícolas, Renan Lodi, Yago, Marcão, Matheus Rossetto e João Pedro, quando precisaram ser acionados, não decepcionaram e mantiveram o ritmo. Otávio, Hernani e Pablo, titulares absolutos e formados pelo clube, não foram diferentes. A vinda do experiente Lucho Gonzalez, mesmo sem o ritmo ideal, colocou fim em uma necessidade que o time precisava dentro das quatro linhas.

Além da valorização das jovens promessas, outros dois pontos altos do Atlético-PR foram a defesa e o rendimento na Arena da Baixada. O sistema defensivo, que conta com o goleiro campeão olímpico Weverton, terminou como o menos vazado da competição, ao lado do campeão Palmeiras, com apenas 32 gols levados, tendo o zagueiro Thiago Heleno como grande destaque. Já o aproveitamento de 84,2 % atuando sob seus domínios também manteve o time paranaense na briga, mesmo com a campanha pífia fora de casa, com apenas 15,8% de aproveitamento.

Nos bastidores, para ajudar, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ganhou duas vagas a mais da Conmebol para a Libertadores. A decisão da entidade máxima do futebol brasileiro foi aumentar o G-4 para G-6. E aí o sonho para o Furacão ficou cada vez mais possível - foram 13 rodadas dentro desse novo grupo, contando todo o torneio.

- Eu sou crítico e continuarei sendo sobre a forma que foram ofertadas essas duas vagas. Não é por agora estarmos classificados que eu mudaria a minha opinião. Eu fico satisfeito que terminarmos a cinco pontos do quarto colocado, que era nosso objetivo. Foi uma temporada bastante positiva com título do Estadual contra nosso rival, na casa deles. Chegamos bem na Primeira Liga, poderíamos ter saído com o título. Hoje, não terminamos em uma situação tranquila porque erramos na maneira como nos comportamos fora de casa, algo que temos que melhorar no ano que vem, e consolidando o que fizemos de bom, ou seja, chegar junto com o time campeão com a melhor defesa - avaliou o técnico Paulo Autuori.

Para 2017, o comandante atleticano sabe que é preciso mais. Sua contratação foi um salto no patamar que a diretoria deu, trazendo um profissional estudioso e de qualidade, que gosta de trabalhar com jovens. Ele mesmo pede que essa metodologia continua sendo adotada pelo clube paranaense, mas sabe que é preciso de reforços.

Durante o Brasileiro, o técnico rubro-negro deixou claro que faltou qualidade do meio-campo para frente. Enquanto a defesa se mostrava segura, a equipe sofria no último terço do campo, com tomadas de decisões erradas e tendo enormes dificuldades de gols - foram 38 gols marcados, ficando à frente de apenas três adversários que foram rebaixados.

- É importante atingir o objetivo. O primeiro sentimento é que todo sofrimento e sacrifício valem a pena. A equipe chega bem e forte no final, com a defesa menos vazada junto com a equipe que foi campeã, que para mim é importante. Que os jogadores desfrutem de suas férias e descansem, porque ano que vem a história é outra. Será muito mais difícil e temos que nos preparar. A direção já começou isso e, sem estardalhaço, vai apresentar coisas importantes como deve ser, sem pirotecnia - concluiu o treinador.