LANCE!
14/02/2017
07:30
São Paulo (SP)

Seria ingenuidade achar que a crise que sufoca o Rio não teria impacto sobre o futebol. A barbárie que se viu no entorno do Engenhão, na verdade, foi apenas mais um capítulo da degradação progressiva da segurança pública do Estado de uma forma geral, do futebol em particular. Vale lembrar, há pouco mais de uma semana, um torcedor do Fluminense, também foi espancado após um jogo e continua internado entre a vida e a morte.

O Rio, nas últimas décadas, tem tido lugar de vanguarda no combate à violência no esporte. Foi o primeiro estado a ter um grupamento policial exclusivamente voltado à segurança dos estádios – o GEPE, da Polícia Militar, de comprovada eficiência na relação com clubes e organizadas. Foi também pioneiro na instalação do Jecrim, o Juizado Especial que resolve quase que em tempo real conflitos ocorridos durante as partidas.

Não foram apenas jogadas de marketing, discurso vazio e demagógico dos que se promovem a pretexto de combater a violência, toda vez que o assunto ganha destaque nas mídias. Essas iniciativas do Rio foram concretas, objetivas e geraram resultados práticos, tirando o futebol carioca dos primeiros lugares na triste lista de feridos e mortos nos conflitos de torcedores.

É assim, ainda mais lamentável, a batalha campal deste domingo. É assim, ainda mais desanimador, ver que todo um trabalho de anos pode estar comprometido pelo caos administrativo, financeiro e de autoridade que o Rio experimenta.

Num momento em que o futebol carioca reage, em que o Botafogo volta à Libertadores, o Flamengo faz contratações caras e de repercussão internacional, os quatro grandes estão juntos na Série A do Brasileirão, o mínimo que se pode esperar é que o governo fluminense, faça a sua parte – garantir a tranquilidade e a segurança do torcedor. Será muito ruim se todo o esforço e o investimento dos clubes for desperdiçado pela incompetência dos que têm que, por dever constitucional, assegurar a paz nos estádios, nas ruas, em todo lugar.

Independentemente da crise, é preciso reagir, já!