Alexandre Guariglia
04/08/2016
08:00
São Paulo (SP)

A participação brasileira no futebol masculino nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, vinha acompanhada por três fracassos anteriores. Em 1996, com elenco recheado de estrelas, a Seleção conseguiu a medalha de bronze após perder para a Nigéria na semifinal. Na edição seguinte, na Austrália, foi eliminada nas quartas por Camarões e em 2004, na Grécia, nem conseguiu.

Antes mesmo de Dunga, treinador da Seleção na época, anunciar os jogadores que iriam para a China, o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, convocou Ronaldinho Gaúcho em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo. Era um plano para alcançar o tão almejado e inédito ouro.

A medalha dourada Ronaldinho não conseguiu trazer, mas sua passagem pela Vila Olímpica de Pequim ficou marcada. O ex-jogador do Barcelona viveu dias de celebridade nas refeições ou em qualquer passeio. Atletas de outras modalidades, pessoas da organização e até guardas assediavam o jogador que mal podia dar um passo sem ser incomodado.

"Tínhamos que fazer a segurança do Ronaldinho Gaúcho, ele não tinha paz nem nas nossas refeições"

Essa confusão e a falta de proteção "anti-assédio" fez com que dois de seus companheiros de Seleção tivessem uma função que não era comum. É o que contou ao LANCE! o zagueiro Alex Silva que, ao lado de Jô, teve que zelar pela comodidade de Ronaldinho.

- Lembro que eu e o Jô, na Vila Olímpica, tínhamos que fazer a segurança do Ronaldinho Gaúcho, ele não tinha paz toda vez que fazíamos as refeições, ele quase não andava de tanta gente que corria atrás. Ele pedia para que eu e o Jô fizéssemos a escolta e o papel de segurança, abrindo caminho pra ele passar (risos). Às vezes até dávamos uns berros com o pessoal (risos), mas tudo no final virava motivo de risada e palhaçada - recordou o zagueiro medalhista de bronze.

A passagem da Seleção pela Vila Olímpica durou poucos dias, o suficiente para sentir o que é o clima dos Jogos e até mesmo situações inusitadas como a relatada anteriormente. Mesmo assediados, os jogadores brasileiros tinham o interesse em tietar alguns ícones do esporte mundial. Alex Silva foi um desses e celebrou a estadia nas instalações chinesas.

- Nós sentimos um pouco (o clima), porque só fomos para a Vila Olímpica quando passamos para a semifinal e ficamos por lá uns quatro ou cinco dias. É muito bom, você fica pertinho de outros ídolos do esporte. Eu, por exemplo, tietei Michael Phelps e Kobe Bryant, e tenho fotos com eles. É uma experiência e tanto, apesar de o futebol ter suas restrições - contou.

"Faltou experiência para nós, frieza. Fomos pra cima com tudo e, no detalhe, eles venceram o jogo"

Até chegar à semifinal do torneio olímpico, a Seleção Brasileira havia feito uma campanha perfeita. Em quatro jogos, foram quatro vitórias, 11 gols marcados e nenhum sofrido, mas o adversário na disputa por uma vaga na final era a Argentina, recheada de craques. Alex Silva exaltou a qualidade dos rivais mas lamentou a postura dos brasileiros.

- Naquela ocasião não perdemos para qualquer seleção, perdemos para a Argentina que tinha um timaço. Messi, Riquelme, Di María, Aguero. Na verdade faltou experiência, frieza. Fomos pra cima com tudo, e no detalhe eles venceram o jogo - comentou.

Na verdade foram três detalhes, os três únicos gols que o Brasil sofreu na competição. Contudo, após o baque dos 3 a 0 para a Argentina, ainda havia a partida que valia a medalha de bronze, contra a Bélgica.

- Tínhamos que terminar com dignidade a competição e respeitar a camisa da Seleção Brasileira, não é fácil brigar pelo terceiro lugar, principalmente perdendo para o maior rival, mas Dunga e Jorginho fizeram um bom trabalho depois da derrota e nos motivaram - relatou Alex Silva.

O sonho do ouro foi mais uma vez adiado e o bronze veio com vitória por 3 a 0 sobre a Bélgica. Apesar de o objetivo maior não ter sido atingido, a medalha foi comemorada pelos jogadores, principalmente Alex.

- É algo muito diferente. Foi um sonho realizado poder fazer parte daquela Seleção, ser titular e ganhar uma medalha olímpica, que tem um lugar especial em casa. Fui abençoado! - finalizou.