Jerome Valcke (Foto: Vanderlei Almeida/ AFP)

Jérôme Valcke entrou na Fifa em 2003 (Foto: Vanderlei Almeida/ AFP)

RADAR/LANCE!
13/01/2016
12:46
Zurique (SUI)

Demitido da Fifa nesta quarta-feira, Jérôme Valcke trabalhava como jornalista antes de ingressar na entidade máxima de futebol. O francês começou sua carreira em 1984 na Compania de TV francesa Canal+. Em 1997, ele assumiu o cargo de editor-executivo no canal esportivo Sport+, onde ficou por cinco anos. Logo depois ele foi trabalhar como chefe de Operações Administrativas na agência de direitos esportivos Sportfive.

Valcke chegou à Fifa em 2003, assumindo o cargo de diretor de Marketing e TV. Em 2007, indicado pelo então presidente Joseph Blatter, o francês foi nomeado como secretário-geral da entidade. Ele substituiu Urs Linsi, que renunciou em junho daquele ano.

A nomeação do francês para o cargo gerou muita polêmica na época. Afinal, ele tinha sido destituído do cargo de diretor de Marketing e TV em 2006 por ter sido considerado culpado pelas negociações de patrocínio que havia feito com a VISA, apesar do acordo existente da FIFA com a sua parceira de longa data MasterCard e, portanto, violou o direito da MasterCard de "Negociação Preferencial". O caso rendeu uma multa de 60 milhões de dólares para a entidade máxima do futebol.

Valcke participou da organização das últimas duas Copas do Mundo, em 2010, na África do Sul, e no Brasil, em 2014, quando se envolveu em uma série de polêmicas, sendo alvo de muitos protestos de pessoas que estavam insatisfeitas com os moldes em que o Mundial foi realizado.

Em 2011, o dirigente francês foi envolvido em outra polêmica. O membro do Comitê Executivo da Fifa, Jack Warner, que havia sido suspenso naquele dia por eventuais violações da ética na pendência de uma investigação, vazou um e-mail de Valcke, que sugeriu que o Catar tinha "comprado" o direito de sediar a Copa de 2022. O ex-secretário negou tudo depois, alegando que quis dizer que o país havia "usado o seu músculo financeiro para fazer lobby por apoio".

Uma dessas polêmicas aconteceu em março de 2012, quando o então secretário-geral da FIFA, disse que os organizadores da Copa de 2014 precisavam de um "pontapé na bunda" para as obras da competição andarem no Brasil. A declaração causou revolta no governo brasileiro, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, chegou a afirmar que não queria mais Jérôme Valcke como interlocutor da FIFA para os assuntos relacionados ao Mundial.

Acusado de corrupção por venda ilegal de ingressos para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, o dirigente francês estava suspenso de suas atividades no futebol desde setembro de 2015. Na semana passada, Valcke, que a princípio ficaria suspenso de suas atividades por 90 dias, teve este período de inatividade estendido por mais 45 dias.

Mesmo com a demissão, Valcke continuará sendo investigado pelo Comitê de Ética da Fifa, que apura as possíveis irregularidades cometidas pelo francês durante a Copa de 2014.

Valck pode receber uma suspensão de nove anos de qualquer atividade relacionada ao futebol. Além da suspensão, o Comitê de Ética da Fifa solicitou uma multa de 100 mil francos suíços (92 mil euros) contra francês.