José Luiz Portella
18/12/2016
12:00
São Paulo (SP)

Gabriel Jesus, em dois anos como profissional foi campeão brasileiro, da Copa do Brasil, chegou à Seleção, foi Bola de Ouro e destaque. Sucesso fulminante.

Gabigol foi artilheiro da Copa do Brasil em 2014 e 1015, e do Santos no estadual de 2016, convocado para Seleção principal e integrante da Seleção campeã olímpica.

Ouvi falar em Gabigol bem antes, por intermédio de meu filho que jogava futebol de salão, onde Gabigol já chegava em carro especial, apartado dos demais, tinha segurança e fulgurava como preciosidade.

Comemorou seu primeiro gol em movimento fictício onde tirava o chapéu e se apresentava com a imponência de um astro.

Ele se transferiu para a Internazionale de Milão, com pompa e circunstância, levando um séquito de apoio como um príncipe. Seu desembarque na Itália teve um quê de Júlio César: “Vim, vi, venci”. Não deu.

Caiu na desgraça do técnico, e, desacostumado a tratar obstáculos com humildade, procura novos ares. Pode até voltar ao Santos num desembarque fulminante no menor show da terra: "voltar sem glória”.

Gabriel Jesus, mais simpático e modesto, já tomou uma Coca-Cola, não pensou em casamento e absorveu doce bronca paternal de Guardiola pela ingestão do refrigerante. Agora vem o desafio.

A curva de desempenho de jogadores especiais, como Gabriel e Gabigol possui três estágios.

No primeiro, se sai do “zero”, e sobe vertiginosamente, em reta inclinada com ângulo acentuado, atingindo alto patamar, que os distingue dos “bons, sem brilho”, e os leva ao sucesso nativo.

Neste período, utilizam todas qualidades natas e o que aperfeiçoam delas, através de técnicos, treinos e maturidade. É bem mais fácil, porque o atleta lida com as virtudes e basta saber usá-las com inteligência e fortuna.

No segundo estágio, quando eles chegam ao exterior, se reúnem com outros craques concorrentes tão bons, vindos do mundo todo. Não são mais exceções do país de origem. Passam a tratar com as limitações, defeitos, e disputas com adversários mais categorizados. Além de navegar em outra cultura social e futebolística. O avanço é mais lento e doloroso. Enfrentar defeitos é outra coisa. O ângulo da curva de desempenho diminui e o crescimento é mais lento.

O terceiro estágio será ainda pior. Quem não está acostumado a lidar com essas dificuldades sofre o impacto que Gabigol não imaginava ter. O séquito bajula, não aprimora.

Gabriel Jesus terá seus obstáculos. Precisa entender tais estágios. O desempenho é uma curva que vai nos aproximando do limite da competência.

Pouca gente conta isso para a meninada. Pode estancar a carreira.