Peter Siemsen e Pedro Abad, ex e atual presidente do Fluminense (Foto: Mailson Santana/Fluminense

Peter Siemsen e Pedro Abad, ex e atual presidente do Fluminense (Foto: Mailson Santana/Fluminense

Igor Siqueira
21/12/2016
07:40
Rio de Janeiro (RJ)

Em período de transição presidencial, o Fluminense guardou a espada de guerreiro e resolveu fazer tremular a bandeira da paz em várias frentes. A prova disso é o discurso conciliador adotado tanto pelo agora ex-presidente Peter Siemsen quanto pelo sucessor Pedro Abad. Destacam-se os tratamentos dados às entidades esportivas - leia-se CBF e Ferj -, além do Maracanã.

Na posse da nova diretoria, Peter Siemsen surpreendeu ao proferir palavras afetuosas dirigidas ao presidente da Ferj, Rubens Lopes, com quem trocou farpas durante o segundo mandato, principalmente.

- Presidente Rubens, tivemos nossas desavenças, mas o carinho pessoal nunca morreu. O carinho existe. Torço para que a Federação cresça - afirmou Peter, que batalhou com a Ferj sobre Primeira Liga e posicionamento da torcida no Maracanã em clássico contra o Vasco.

Rubens Lopes também entrou no clima conciliador com o Fluminense.

- Havia alguma divergência, isso é natural. Mas nenhuma hostilidade, animosidade. A relação interpessoal nunca foi abalada. Institucionalmente, havia pontos de vista diferentes. Mas isso não atrapalhou de forma alguma. O próprio presidente deixou isso com absoluta clareza. O convite foi feito pelo Abad e o Cacá. Muito me honra poder estar aqui. Mas não foi nenhuma surpresa. O Fluminense tem como patrimônio inalienável a fidalguia - disse ele.

O novo presidente, Pedro Abad, seguiu a linha do antecessor, defendendo diálogo.

- Contato com ele (Rubinho) foi muito agradável. Minha posição foi sempre a mesma: estamos sempre defendendo o interesse do Fluminense. E o diálogo é a melhor forma de atender a todos os interesses. O conflito é sempre a última opção - afirmou.

Peter Siemsen também deu um afago na CBF, cujo diretor jurídico é tricolor declarado:

- Queria agradecer a pessoas que não me deixaram de lado, mesmo no momento em que critiquei, em entrevistas. Três pessoas foram legais comigo: Walter Feldman (secretário-geral), Carlô (Carlos Eugênio Lopes, diretor jurídico) e o Marco Polo (Del Nero, presidente). Quero agradecer pelo acolhimento na CBF. Vocês estão no meu coração.

O tom conciliador do Fluminense atingiu o tema Maracanã. Ao contrário do Flamengo, que já declarou não jogar no estádio caso a concessão vá para as mãos do grupo no qual a Lagardère está inserida, o Flu diz não renegar parceiros.

- Temos um contrato de 32 anos, extremamente vantajoso, que por enquanto está de pé. O consórcio Maracanã segue lá. Qualquer parceiro, desde que respeite os interesses do Fluminense, a grandeza do clube, pode vir a estar conosco. Não existe porta fechada para nenhum parceiro. Flu está sempre atento ao que atende o interesse do clube. Esperamos continuar com o Maracanã, com o nosso contrato, e eventualmente negociando um ou outro ponto que seja interessante para ambas as partes - completou Pedro Abad.