Gabriel Carneiro
20/09/2016
09:00
São Paulo (SP)

Osmar Loss completou três anos de trabalho como técnico do sub-20 do Corinthians na última sexta-feira - o período teve uma curta interrupção de três meses em 2015, quando ele dirigiu o Bragantino. Nesta terça, às 19h, na Arena de Itaquera, ele tem a chance de comemorar a data com festa: o Timão está na final do Campeonato Brasileiro de juniores, um dos principais torneios nacionais da categoria, e pode faturar outro título em casa caso supere o Botafogo diante do seu torcedor. Chegar à decisão da competição já é recompensa para o profissional de 41 anos, que tem como princípio de seu trabalho formar jogadores para serem aproveitados no time principal.

- Sempre o pedido principal é por formar jogadores. Mas é aquilo que tentamos separar e não se separa: boa formação leva a boas conquistas. Quando olhamos prioritariamente para conquistar você pode não atingir o objetivo da formação, e aí está o erro. Mas meu feedback, particularmente, tem sido positivo. Pelos títulos e por ter conseguido um bom número de jogadores no profissional - diz, ao LANCE!, o técnico Osmar Loss.

Em três anos no Corinthians, Loss atingiu conquistas importantes na base em cenário nacional: foi bicampeão paulista (2014 e 2015), campeão da Copa São Paulo (2015) e campeão brasileiro (2014), além do terceiro lugar do Estadual em 2013, ano de sua chegada, e dos vices da Copinha em 2014 e 2016 - neste ano ele perdeu o título para o Flamengo dirigido por Zé Ricardo, hoje treinador do time principal. Os títulos já dizem muito, mas a meta de Osmar Loss é mais ousada: ter quase metade do elenco profissional formada por garotos.

- É muito positivo cada vez mais jogadores da base terem oportunidade no grupo principal, porque encoraja o jogador que está aqui para continuar. Por isso é que temos uma meta de nos próximos anos trabalhar com 40 a 45% de jogadores da base no elenco profissional - contou Loss, antes de completar.

- Nos últimos dois anos o Corinthians percebeu que a criação de um CT daria tranquilidade à base e levaria o Corinthians às conquistas. No profissional foi assim, na base também. No novo CT o trabalho será mais qualificado, tanto que em dois meses e meio de treinos do sub-20 já vemos que a diferença é muito grande. Não tenho um número concreto, mas tenho o feeling de que a partir de quando começamos a treinar no novo CT demos um salto no Brasileirão. O gramado é muito superior que o da Fazendinha, dá uma condição de treino mais rápido, mais técnico - enumera o profissional.

O Corinthians já começou a usar o CT das categorias de base, que é no mesmo terreno do CT Joaquim Grava, no Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo. Porém, o local ainda não dispõe de toda a estrutura necessária, e por isso não foi inaugurado oficialmente. Os times sub-20 e sub-17 têm utilizado os campos para os treinamentos, mas toda a estrutura das categorias fica no Parque São Jorge. 

Se hoje Matheus Vidotto, Yago, Guilherme Arana, Léo Santos, Fagner, Léo Príncipe, Marciel, Pedro Henrique e Caique ostentam passagens pela base do Corinthians antes de subir para o profissional dentro de um grupo de 30 atletas, a ideia é aumentar o número nos próximos anos. Loss quer vencer.

O Timãozinho entra em campo nesta terça-feira, às 19h, contra o Botafogo, pelo jogo de volta das finais do Brasileirão sub-20. O empate sem gols dá o título ao Timão em razão do gol marcado fora de casa, o 1 a 1 leva aos pênaltis e qualquer igualdade com dois ou mais gols dá o título ao Botafogo.

CONFIRA OUTRAS DECLARAÇÕES DE OSMAR LOSS AO LANCE!

JOGAR NA ARENA CORINTHIANS
Jogar na Arena é especial. Temos o repertório e histórico do profissional, mas na base também fomos bem na Arena. Perdemos uma final para o Santos, mas conquistamos o título paulista lá dentro em 2015, esse ano tivemos na Copa São Paulo uma virada emblemática... Traz bons fluidos. Jogar lá é aproximar os jogadores daquilo que vão ter à disposição no futuro. É o campo do Corinthians, então nada mais junto.

GAROTOS RECLAMAM DE FALTA DE CHANCES?
Não é chegar lá e sair jogando, também. O Coelho (ex-lateral-direito, hoje auxiliar de Loss no sub-20) sempre passa aos meninos o que aconteceu com ele, que ficou um ano treinando antes de ter oportunidade. Isso gera irritação, mas o que transmitimos é não ter acomodação, para que quando não estão sendo utilizados que demonstrem vontade de quererem ser utilizados, de estar presentes no campo. É assim que se ganha confiança. Mas essa insatisfação é natural, acontece em todos os clubes.

CAMPANHA NO BRASILEIRO SUB-20
Nós estamos vindo em crescimento na competição. É uma equipe extremamente jovem se comparada com a equipe da Copa São Paulo. Temos só quatro jogadores daquele time titulares hoje, quase 70% da equipe é nova. Certamente é o time mais jovem no Brasileiro sub-20. Mas somos um time que tem como característica a parte técnica, os meias e atacantes têm bom controle de bola, a articulação ofensiva é grande e aprendemos a minimizar nossas deficiências físicas, marcando, encurtando espaços e fazendo boas transições.

CARREIRA
Estou em um momento de evolução. Minha carreira cada vez mais me deixa preparado para desafios maiores. Me sinto satisfeito e confortável, sou valorizado, respeitado, mas como todo treinador visualiza no futuro estar entre os principais do país.

EXPECTATIVA PARA DECISÃO CONTRA O BOTAFOGO
Expectativa é a melhor possível, de um grande jogo, como foi no Rio de Janeiro. O Botafogo não vai mudar a forma de jogar, será o quinto confronto entre as equipes, sempre o mesmo padrão, mesma ideia. Certamente o adversário terá que correr riscos maiores, as dificuldades de resultado pelo gol qualificado. Mas posso dizer que a torcida do Corinthians certamente vai ver uma partida de altíssimo nível.