Bruno Cassucci
20/09/2016
07:50
São Paulo (SP)

Fabricio Oya tem apenas 17 anos, mas já fala melhor do que muito jogador profissional. Com a consciência de que é mais do que o “filho do dono da escolinha”, mas também que ainda tem muito a fazer no futebol, o garoto sonha em dar nesta terça-feira mais um passo importante em sua carreira e conquistar o 12º título com a camisa do Corinthians. Ele é uma das principais apostas da equipe para bater o Botafogo, às 19h, na Arena, na final do Brasileirão Sub-20 - as equipes empataram no duelo de ida em 1 a 1.

Badalado e apontado como uma das joias da base corintiana atualmente, o “Japa”, como é chamado por alguns de seus companheiros, viveu situação bem diferente em sua chegada, aos 12 anos. Filho de dono de quatro unidades da escolinha do clube, a Chute Inicial, em Campinas, ele passou por diversos testes (da franquia e do próprio clube), mas mesmo assim teve de lidar com o preconceito e os comentários irônicos de que tinha privilégios.

Com talento e personalidade, porém, ele aos poucos foi vencendo e convencendo, mesmo não fazendo o tipo “boleiro”. Basta pouco tempo de conversa com Fabricio para perceber que ele foge do padrão dos jogadores. Bem articulado, ele estudou em bons colégios, faz aulas de inglês e diz que seguiria para a área da gestão caso não fosse um atleta:

– Estudaria para administrar os negócios da família – contou, ao L!.

Mas, ao que tudo indica, a carreira de Oya será mesmo com as chuteiras e só está começando. Meia de qualidade, especialista em bolas paradas, ele tem chances de ser promovido em breve ao time profissional. Personalidade para isso não falta:

"Desde pequeno a gente aprende o que é ser Corinthians. Essa pressão de jogar aqui é muito boa, jogar sem pressão não tem razão"

– Desde pequeno a gente aprende o que é ser Corinthians. O Corinthians não é apenas um time, é mais do que isso, o torcedor é muito fanático, ama o clube, e a gente aprende desde pequeno a amar o clube como o torcedor. Quando subimos para o profissional isso já está dentro da gente. Essa pressão de jogar no Corinthians é muito boa, pois jogar sem pressão não tem motivo. O que mais gosto no futebol é isso, jogar com pressão e mostrar o que sei!

- Confira abaixo a entrevista com Fabricio Oya:

Qual a sua trajetória no Corinthians e como se apresenta à Fiel?
Cheguei aqui no sub-13, com 12 anos, e ganhei muitos títulos, 11 no total, sendo três Paulistas e um Mundial. A torcida pode esperar um meia de qualidade técnica, bom na bola parada, e vontade não falta a mim. Tenho certeza de que vou fazer a torcida feliz. O Corinthians foi meu primeiro clube, sou 100% Corinthians.

O que significa o possível título do Campeonato Brasileiro Sub-20?
Um título como o Brasileiro Sub-20 é importante no currículo. Ganhando, tem facilidade maior na hora de revelar, uma coisa complementa a outra. Somando esse título com uma atuação boa na final, ajuda ainda mais para crescer no clube.

Como vê a chance de poder subir ao elenco profissional?

"Todo mundo tem ego e sonha estar no time de cima, mas não é nem meu primeiro ano no sub-20, estou crescendo no clube, ganhando espaço, tenho muito a evoluir"

Todo mundo tem ego e sonha estar no time de cima, mas não é nem meu primeiro ano no sub-20, estou crescendo no clube, ganhando espaço, tenho muito a evoluir. Se eu trabalhar bem no sub-20, treinar de vez em quando com o elenco profissional, posso ganhar experiência... Quem sabe logo posso subir.

Vocês conversam sobre isso?
Sempre é comentado na resenha. Cada um ali sabe o que pode fazer ainda, o que espera na frente. Agora o Corinthians está melhorando, já melhorou bastante nos últimos tempos, e daqui para frente terá ainda mais jogadores formados na base, todos nós esperamos isso. A gente espera subir, mas temos consciência de que não é só chegar e jogar, tem jogadores com experiência e potencial. Não é uma coisa que vai acontecer do dia para noite.

O que espera desta decisão na Arena? Será sua primeira vez no estádio...
Jogar na Arena é um sonho para qualquer um, venho buscando isso como uma meta. Imagino jogar na Arena, com mais de 10 mil pessoas gritando o meu nome, isso não tem preço. É algo que espero muito, se Deus quiser farei tudo certo.