Marcello Neves*
14/06/2018
07:00
Rio de Janeiro (RJ) 

Eles são brasileiros, naturalizados espanhóis e atacantes. Diego Costa e Rodrigo colecionam coincidências, principalmente quando se tratam dos gols marcados por Atlético de Madrid e Valencia, respectivamente. No entanto, quando a camisa representa a seleção espanhola, a amizade canarinha vira concorrência na Fúria. O técnico Fernando Hierro terá seu primeiro grande desafio antes de enfrentar Portugal, na abertura da Copa: definir quem será o titular no ataque.  

Em tese, é Rodrigo quem sai na frente nessa corrida. Beneficiado pelo estilo de jogo da Espanha, o centroavante foi um dos responsáveis pela bela campanha do Valencia no Campeonato Espanhol, que terminou na quarta colocação e com a classificação para a próxima edição da Liga dos Campeões. Foram 20 gols na temporada em 48 partidas, sendo o artilheiro da equipe.

A Espanha se propõe a jogar com a posse da bola, com muita movimentação e busca por espaços. Esse é o fator que faz Rodrigo ter vantagem na disputa, já que sua boa movimentação o permite sair da área e criar corredores para quem vem de trás. A titularidade na seleção foi promovida por Julen Lopetegui, que assumiu após a Eurocopa de 2016 e apostou no atacante durante todo o ciclo. Ele é um dos poucos presentes em todas as convocações do treinador. 

- Para Lopetegui, o nove era Diego Costa. Mas, na minha opinião, o atacante do Atlético de Madrid é um elemento estranho em meio ao estilo da seleção espanhola. O Rodrigo é o mais adequado para o estilo de jogo que temos. Ganhamos em mobilidade com Rodrigo, mas o Diego Costa colocar um fator competitivo incrível à seleção - comenta Juan Castro, chefe de futebol internacional do Diário Marca, ao L!. 


Já Diego Costa tem a chance de se redimir em uma Copa do Mundo. A péssima campanha da Espanha no Mundial do Brasil respingou diretamente na titularidade do atacante. Questionado, perdeu posição para Morata e amargou o banco de reservas no início do novo ciclo. Outro fator que atrapalhou foi a polêmica envolvendo sua transferência para o Atlético de Madrid, que por pouco não acabou com suas chances de ir à Rússia. 


O clube espanhol foi punido pela Fifa em janeiro de 2016 por contratações irregulares de menores de idade estrangeiros entre 2007 e 2014 e foi proibido de registrar reforços por duas janelas de transferências. Contratado durante os problemas judiciais, Diego Costa ficou impedido de entrar em campo por um período de sete meses. No retorno, conquistou a Liga Europa e garantiu sua vaga nos meses finais das convocações. 

- Diego Costa pode ser titular por ter as características de um centroavante de time campeão. É forte, ágil, brigador, que não só é artilheiro, mas também assistente. Não acho o mais versátil ou que encaixe melhor no esquema, mas é o melhor jogador à disposição. Além disso, se tivesse jogado a temporada inteira no Atlético, provavelmente seria o titular incontestável, só ver o impacto dele ao retornar para o Atlético de Madrid - afirma o jornalista Geraldo Lobo, especialista em futebol espanhol. 

Diego Costa não faz o estilo de movimentação da seleção espanhola, mas sua imposição física é uma característica vista como necessária para a equipe. Quando a posse de bola não funciona, sua força no ataque ajuda a abrir os sistemas defensivos. Além disso, seu posicionamento e finalização são considerados superiores a de Rodrigo. Hierro é assumidamente fã do atleta. 


Quem corre por fora, mas tem chances remotas de assumir a titularidade, é Iago Aspas, do Celta de Vigo. Com 24 gols no Campeonato Espanhol, entrou para a seleção do torneio e foi lembrado por Lopetegui devido a sua velocidade e mobilidade. No entanto, costuma entrar nas partidas caindo pelos lados e não centralizado. Morata, do Chelsea, que começou o ciclo como titular, não foi convocado para o Mundial da Rússia. 

*Sob a supervisão de Thiago Salata