Felippe Rocha
06/09/2016
05:00
Rio de Janeiro (RJ)

O gol mais bonito da carreira. Um dos mais bonitos deste Campeonato Brasileiro. O minuto 20 do jogo do último domingo nunca será esquecido por Camilo. A bicicleta que virou golaço e abriu o caminho para vitória do Botafogo sobre o Grêmio é o símbolo da importância do meia para o time e da grande fase que ele vive. Em entrevista exclusiva ao LANCE!, o camisa 10 celebra o grande momento da carreira e a felicidade também da família, que sorri após momentos de dificuldade no passado.

- É um gol que sonhamos fazer um dia, mas não é toda hora que conseguimos acertar. A bola tem que estar bem colocada, como foi a do Luis Ricardo, no cruzamento. Fico muito feliz pelo gol, pela vitória, pela confiança e pela adaptação. Agora é dar continuidade. Era tudo o que eu sonhava - almeja ele, que mudou a cara da equipe.


Brilhar pelo Botafogo consagra vida que começou no Rio, mas longe de qualquer glamour. Ao vestir a camisa do time o meia volta para a cidade natal e cumpre - com o coração tranquilo - um ciclo.

- Sou o mais velho de cinco filhos, acabei me tornando outro pai deles. Desde os 15 anos, eu tinha que ajudar em casa. Fui perdendo contato com meu pai, saí da cidade com 18, por causa do futebol, e só voltei agora, com 30. Nos víamos muito pouco. Vir para cá juntou as duas paixões dele: a família e o time. Estou muito feliz, era tudo que eu sonhava quando era mais novo. Neste gol de domingo, minha mãe, meu pai e meus irmãos estavam lá no estádio. Foi perfeito - lembra.

Camilo estreou com gol e assistência contra o Internacional, no Beira-Rio. Com o feito do último domingo, chegou a nove participações diretas em gols em 15 jogos. É a melhor temporada da carreira, que tende a crescer.

Bate-papo com Camilo:
Você esperava uma adaptação e um sucesso tão rápido?
Não esperava, ainda mais vindo do Mundo Árabe. Dou crédito aos profissionais da comissão técnico. Além do meu trabalho e determinação. Procuro aproveitar.

Por que o seu auge chegou quando alguns já estão em declínio?
Vejo pela mudança. Quando você joga com uma camisa forte, como a do Botafogo, tem que se posicionar para jogar para frente. Pela Chapecoense, fazíamos bons jogos, mas é questão de um grande jogo ter uma cobrança maior. Ao assimilar a cobrança, marcamos gols e a confiança cresce.

De que maneira a família te incentiva nesta boa fase?
Meu irmão e pai são tímidos. Mas passam força, torcem, estão do lado e estavam no jogo. É uma felicidade grande profissional, mas isso me contagia, me inflama para seguir.

Sonha em se tornar ídolo?
Falta muito. Nós deixamos para o torcedor. Estou feliz pelo que estou vivendo. Nós sonhamos sempre com isso.