Diretor do Mineirão, Samuel Lloyd

Lloyd assumiu área comercial do Mineirão em novembro de 2015 (Foto: Agência i7/Divulgação Estádio Mineirão)

Fábio Suzuki
02/03/2016
13:45
São Paulo (SP) 

A Minas Arena, consórcio que administra o estádio do Mineirão, pretende dobrar suas receitas este ano para pagar não só os custos de sua operação como também acelerar a amortização da dívida da reforma para a Copa-2014, que foi de R$ 654 milhões. Para tanto, o consórcio passa a prospectar contratos de patrocínio para o estádio, que até o momento mantinha apenas acordos pontuais. Atualmente, os jogos de futebol são responsáveis por 65% da receita do Mineirão.

À frente da área comercial do Mineirão desde novembro, Samuel Lloyd diz que empresas nacionais e internacionais de grande porte já mostraram interesse em um acordo com o estádio, mas avisa que naming rights não é o foco das negociações.

- A marca Mineirão é muito forte e os brasileiros se identificam com ela. É melhor se aliar a essa marca do que substituí-la - aponta.

O estádio teve lucro líquido de R$ 38,3 milhões, em 2013, e R$ 16,9 milhões, em 2014, de acordo com os balanços financeiros já divulgados. Os resultados, entretanto, contaram com verba pública, conforme prevê o edital da obra do Mineirão, e todo o lucro é repassado para pagar a obra realizada para a Copa-2014.

Veja abaixo entrevista com o diretor comercial do Mineirão, Samuel Floyd.
Qual o desafio à frente da área comercial do Mineirão?

Assumi em novembro e o Mineirão conta com um leque de oportunidades tanto dentro quanto fora do estádio com a estrutura da Esplanada que permite shows de grande porte sem utilizar o gramado. São espaços que permitem acordos com grandes e pequenas marcas.

De que forma sua atuação no exterior pode ajudar nas atividades para o estádio?
A experiência internacional por atuar durante os Jogos de Londres-2012 foi de aprender como cada país enxerga um grande evento e espero trazer isso para o dia a dia do Mineirão, que é um estádio que permite abrigar qualquer torneio. Tem que entender a vocação do próprio espaço para realizar as ações mais adequadas. É óbvio que essa expertise internacional ajuda a entender como solucionar os problemas.

"Não temos nenhum grande contrato de patrocínio, apenas ações pontuais. Mas agora vamos focar em contratos longos", Samuel Lloyd, diretor comercial do Mineirão

Qual a principal fonte de receita do Mineirão hoje? Como pretende aumentar esse faturamento?
O futebol é a grande fonte de receita, atualmente corresponde a 65% do total (depois eventos e aluguel do estádio). Nossa prioridade é capitalizar em cima disso atraindo mais público e, consequentemente, marcas. Não possuímos nenhum grande contrato de patrocínio, apenas ações pontuais, como eventos e lançamentos de produtos, mas agora vamos focar em patrocínios. Com contratos longos e duradouros as marcas se beneficiam dessa relação com o estádio. No início deste ano já teve procura. São empresas de grande porte, nacionais e estrangeiras.

Venda de naming rights é uma possibilidade?
Naming rights é uma palavra-chave mas tenho uma visão diferente, pois não é preciso se fechar a apenas um grande contrato quando se pode fechar outros menores. E a marca Mineirão é muito forte, os mineiros se identificam muito com ela. Em casos como esse, é melhor as marcas se aliarem a um nome já estabelecido na cultura local do que substituí-lo.

Qual a meta desse novo plano comercial?
Estamos fechando agora o plano comercial mas a meta é dobrar a capacitação comercial este ano. Teremos 10 jogos das Olimpíadas aqui, com a presença de marcas globais, e isso expõe muito o estádio.

Como estão as contas atuais do estádio?
As contas estão dentro de um planejamento feito para 25 anos e seguindo as regras do edital. Não temos lucro mas tem um plano que engloba mais público, patrocínio e uso da Esplanada para igualar custos e receitas. Foi um investimento alto e precisa de tempo para equilibrar as contas.

Houve redução no repasse do governo para a operação do estádio? Como lidar com isso?
Até o momento não houve mudanças no repasse mas ainda estamos no período de aprendizagem. Hoje é impossível calcular o impacto desse repasse na receita atual mas estamos trabalhando com diferentes cenários para melhorar o resultado operacional. A margem operacional hoje é boa e está dentro do planejado. Temos diversos desafios para lidar pois é uma operação muito volátil por causa do futebol.

Por estar à frente da área comercial de um estádio e ter atuado fora do país, como você vê a norma da Conmebol de proibir a exposição de marcas que não são parceiras da entidade em jogos da Libertadores?
Vários impasses acontecem quando novas estruturas aparecem. No exterior, esse segmento já está mais maduro mas creio que tenha tido esse tipo de impasse no passado também. Mas hoje o Mineirão não tem esse problema. O mercado do futebol aqui no Brasil ainda vai passar por várias mudanças pois hoje se tem um novo ator que é o gestor de estádios. E quando se tem vários atores envolvidos, como clubes, TV, entidades esportivas e gestores de estádios, essas discussões ocorrem.