José Roberto Guimarães espera jogo duro

José Roberto Guimarães tentará título inédito para a Seleção: o do Mundial (Foto: Divulgação/CBV)

Jonas Moura
29/03/2018
06:00
Rio de Janeiro (RJ)

Após um ano de celebrações para apagar a eliminação nas quartas de final na Olimpíada do Rio de Janeiro, José Roberto Guimarães enfrenta barreiras no planejamento da Seleção Brasileira feminina de vôlei em 2018, ano em que o país buscará um dos poucos títulos que ainda não conseguiu: o do Mundial.

Alguns dos principais nomes da equipe estão longe da melhor condição física. A ponteira Natália, do Fenerbahce (TUR), lida com um problema crônico no joelho esquerdo. A levantadora Dani Lins vem de gestação. A central Thaisa ainda busca a melhor forma após uma cirurgia delicada no joelho esquerdo.

Para completar, a ponteira Fernanda Garay avisou o comandante que não estará disponível na primeira convocação do ano, pois quer mais tempo para se dedicar à família e tentar engravidar. Questionado pelo LANCE! sobre o assunto durante o Prêmio Brasil Olímpico, ele lamentou a perda de uma de suas referências na preparação para o Mundial, mas deixou as portas abertas.

– A Fernanda está pensando em uma parte da vida dela, que é a gravidez e o tempo para a família. Ela já está nessa trajetória de Seleção há alguns anos. As mulheres chegam na faixa dos 30 anos e começam a pensar em engravidar. Sempre me preocupa. Não contar com uma jogadora como ela é preocupante. Mas deixamos as portas abertas para ela. Eu disse a ela que sempre pode haver a oportunidade de ela voltar à Seleção. Sentimos muito, porque ela está em uma forma excepcional – disse o técnico tricampeão olímpico, que vê a situação se repetir com atletas de alto rendimento nessa faixa etária.

– Nessa idade, elas estão maduras e bem fisicamente. É um período da vida excepcional para jogar pela Seleção, mas, infelizmente, não temos o que fazer.

Quem pode fazer sua estreia com o uniforme verde e amarelo é a oposto Tifanny, que jogou a última Superliga pelo Vôlei Bauru. Técnico do Hinode Barueri, Zé Roberto não antecipou nomes, mas elogiou a atacante, primeira transexual a disputar a competição e elegível para ser convocada. 

– Vai depender muito do que acontecer. Se ela é elegível, pode jogar pela Seleção. Ela mostrou um bom nível como atacante nessa Superliga. Precisa melhorar nos outros aspectos, mas tem, sim, condições. Vamos esperar a convocação. Não posso adiantar nada – afirmou Zé Roberto.

Outra preocupação é com o calendário. A Superliga se encerra no dia 22 de abril, e a Liga das Nações, primeiro desafio da Seleção, terá início em 15 de maio. A competição foi antecipada devido à Copa do Mundo de futebol. Em seguida, o Brasil disputa a Copa Pan-Americana, a partir de 6 de julho.

– Não iremos dar folga depois da Superliga. Treinaremos direto para jogar no Brasil no dia 15. Não dá para convocar um grupo grande, que não terá tempo de preparação. Uma parte ficará treinando e outra joga. A folga será dada após a Liga das Nações – explicou o técnico.

Zé Roberto foi uma das atrações do evento promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), ao receber o troféu de melhor técnico de esportes coletivos de 2017, e enfatizou toda sua gratidão ao mentor Bebeto de Freitas. Sobre a temporada, atribuiu o reconhecimento à boa fase da Seleção, que faturou o ouro no Grand Prix e no Torneio de Montreux e a prata na Copa dos Campeões.

– Foi um ano especial, especialmente depois de tudo o que passamos na Olimpíada. É uma geração nova. Não somos o melhor time, mas a energia que esse grupo teve levou a resultados importantes. É o que mais nos motiva neste ciclo olímpico.