Ramon - Vasco

Ramon tem o desafio de se manter no cargo até o final do Brasileirão (Foto: Rafael Ribeiro / Vasco)

Fernanda Teixeira
08/08/2020
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

O Campeonato Brasileiro, que terá o início de mais uma edição, neste fim de semana, tem as mudanças de treinadores como um hábito inerente à competição. Nos últimos anos, a cobrança por resultados do futebol brasileiro fez muitas vítimas e o Vasco da Gama não foi exceção. Desde 2016, o Cruz-Maltino não consegue manter o mesmo técnico do início ao fim do torneio, quando Jorginho comandou o time na Série B. 

No ano passado, o time de São Januário iniciou o Brasileirão com o técnico interino Marcos Valadares, depois da demissão de Alberto Valentim ao fim do Carioca. Vanderlei Luxemburgo assumiu a equipe na quinta rodada da competição com a missão de evitar o rebaixamento. O treinador veterano superou as desconfianças, calou os críticos e se manteve no cargo para terminar o torneio com 49 pontos, na 12ª colocação e classificado para a Copa Sul-Americana.

Em 2018, Vasco iniciou o Brasileiro com Zé Ricardo. Após uma derrota para o Botafogo, por 2 a 1, na 9ª rodada, o técnico pediu demissão, alegando problemas pessoais. Valdir Bigode assumiu o comando de forma interina até a chegada de Jorginho. O novo treinador, no entanto, não agradou na segunda passagem pelo clube. Ele ficou apenas 10 jogos à frente da equipe até ser demitido na 18ª rodada, depois de perder para o Palmeiras, por 1 a 0.

Pesou contra Jorginho o fato dele não ter conseguido os resultados esperados, mesmo com bastante tempo para treinar na pausa para a Copa do Mundo da Rússia. Alberto Valentim assumiu na sequência, mas esteve longe de ser unanimidade na Colina. Ele conseguiu livrar o Vasco do rebaixamento apenas na última rodada, após um empate com o Ceará e terminou o ano contestado por grande parte da torcida. 

No Brasileirão de 2017, o Vasco iniciou o retorno à elite sob o comando de Milton Mendes. O técnico não resistiu a uma sequência de cinco jogos sem vencer e caiu na 21ª rodada, após derrota por 3 a 0 para o Bahia. A passagem dele também foi marcada por problemas de relacionamentos com o elenco. Zé Ricardo assumiu o comando e com um bom aproveitamento conseguiu classificar o Cruz-Maltino para a Libertadores no final da competição.

O desafio de Ramon Menezes

Em 2016, Jorginho resistiu no cargo, mas chegou a balançar com um desempenho muito criticado no segundo turno do Brasileirão da Série B. Contratado em agosto de 2015, o ex-lateral-direito comandou uma reação que quase evitou o rebaixamento e somou pontos com o título carioca de 2016. O começo na Segundona foi animador, mas na reta final o Vasco teve uma queda de desempenho impressionante e chegou à última rodada correndo risco de não subir. A vitória por 2 a 1 sobre o Ceará, de virada, com dois gols do falecido atacante Thalles evitou novo vexame.

O histórico recente de troca de comandos no futebol profissional vascaíno aumenta ainda mais o desafio do novato Ramon Menezes, que terá a primeira grande chance na carreira como treinador. Será primeira vez dele no comando de um clube da Série A, depois de passagens anteriores por Anápolis-GO, Guarani-MG, Tombense-MG e Joinville-SC.