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OPINIÃO: 'Mais sobre a adequação do calendário brasileiro ao europeu'


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Nos dois textos anteriores a estes, o signatário mostrou que, para o futebol brasileiro, seguir o calendário fiscal, ou gregoriano (01 de Janeiro de determinado ano a 31 de Dezembro do mesmo ano), é algo nocivo aos interesses dos clubes.

Seguir-se esse modelo, com interrupção no meio do ano para as competições de seleções, é ruim: se tem poucas datas para realizar todas as competições, o que implica se encavalar competições nas mesmas datas, e interrompe-se o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil na época das competições de seleções, para retomá-los depois, o que gera desmotivação geral.

Seguir-se esse modelo, sem interrupção no meio do ano para as competições de seleções, é igualmente ruim: gera-se competição, em termos de atratividade, entre competições de seleções e competições de clubes, o que prejudica os clubes, e faz com que clubes joguem desfalcados de seus principais jogadores, cedidos às seleções, diminuindo ainda mais o brilho das competições de clubes em curso.

Não bastassem os dois modelos de calendário gregoriano, ou fiscal, possuírem as suas próprias vicissitudes, há pelo menos ainda mais duas disfunções comuns aos dois modelos, que merecem ser citadas:

a) Desmonte de elencos com a "janela" de transferência para o futebol europeu. É sabido que, nos meses de Junho e Julho, dão-se as transferências de jogadores para o mercado europeu. O resultado disso é que os elencos são montados no início do ano e, no meio da temporada, são seriamente desfalcados, prejudicando todo o desempenho do clube para o resto da temporada.

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Há quem argumente que, se houver a adaptação ao calendário europeu, ter-se-á o mesmo problema, pois também há "janela" de transferências para o futebol europeu em Janeiro. Falso: na "janela" de Janeiro, o "apetite" dos clubes europeus é bem moderado, pois a temporada deles está em curso, e os elencos estão montados, contratam apenas para pequenos ajustes. O grosso das contratações dos clubes europeus dá-se, mesmo, em Junho e Julho, quando os elencos estão em fase de montagem.

b) Os grandes clubes brasileiros, para se tornarem saudáveis do ponto de vista econômico, precisam internacionalizar suas marcas. E, para tanto, precisam jogar com Barcelona, Real Madrid, Bayern, Manchester United, Chelsea, Benfica, Paris St. Germain, Ajax, Juventus, Milan e afins. E só poderão fazer isso em amistosos de pré temporada no mês de Julho, especialmente em sua segunda metade. Isso só se torna viável se houver a adequação ao calendário europeu. Esse, aliás, é o principal motivo para se promover a adequação.

Portanto, ao longo dos três últimos textos, ficam demonstradas diversas vantagens da adequação do calendário adaptado, em relação ao calendário tradicional. Desvantagem? Aparentemente, uma: as altas temperaturas dos períodos de Dezembro e Janeiro. Fácil de resolver: se coloca os jogos para um horário mais tardio; aos finais de semanas, início da noite, aos sábados e domingos.

Solução positiva, inclusive, para a Rede Globo de Televisão, que não precisa interromper seu programa dominical de variedades às 16 horas, para retomá-lo às 18 horas, o programa pode seguir normalmente das 15 horas às 18 horas e, em seguida, tem-se o futebol.

E, inclusive, a adequação ao calendário europeu é, ao contrário do que normalmente se sustenta, vantajosa para a Rede Globo de Televisão: no modelo de calendário tradicional, a Globo só tem grade de futebol durante 11 dos 12 meses do ano (pré temporada em Janeiro e temporada regular entre Fevereiro e Novembro, sem futebol em Dezembro); no modelo alternativo, a Globo tem grade de futebol nos 12 meses do ano (jogos preparativos da Seleção na primeira metade de Junho, competição da Seleção da segunda metade de Junho e primeira metade de Julho, pré temporada de clubes em Julho, temporada regular entre Agosto e Maio).

É bom para a Globo. É bom para os clubes. É bom para a indústria. Adequar nosso calendário ao modelo europeu é uma ação importantíssima e que já passou da hora de ser implantada.

Luis Filipe Chateaubriand é consultor de conteúdo do Bom Senso Futebol Clube e autor do documento "Um Calendário de Bom Senso para o Futebol Brasileiro". As opiniões aqui arroladas exprimem o pensamento individual do autor, não o do Bom Senso Futebol Clube. Email: [email protected].

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