Maicosuel abre o coração e revela: 'Repetiria a cavadinha'

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Marcadores implacáveis sempre fizeram parte da carreira de Maicosuel. Mas uma cavadinha malsucedida na cobrança de pênalti e uma eliminação em casa de seu atual clube, a Udinese, na fase eliminatória da Liga dos Campeões, colocaram uma prova de fogo no caminho do apoiador.
Porém, com a mesma habilidade e categoria com que supera os adversários, o meia, que passou por Paraná, Cruzeiro, Palmeiras e viveu seu principal momento no Brasil no Botafogo, superou o episódio e falou pela primeira vez sobre aquele fatídico jogo.
Com o coração aberto, ele atendeu a reportagem do LANCE!Net e contou sobre seus objetivos e o futuro em Udine, lugar onde Zico, de quem é fã, fez história na Europa.
CONFIRA ABAIXO A ENTREVISTA EXCLUSIVA DE MAICOSUEL:
Como está sua adaptação à Udinese?
Estou em uma fase final de adaptação. Já conheço bem a cidade, tenho meu carro para me locomover. A minha família está aqui e isso me ajuda também. Em campo estou me entrosando cada vez mais e entendendo a forma como o treinador (o italiano Francesco Guidolin) gosta de jogar. Digamos que estou em um estágio final desta etapa.
O que falta para a adaptação ser completa?
Acho que falta eu fazer mais gols, ser decisivo e entender melhor o esquema de jogo. Agora tive uma sequência de seis e sete jogos seguidos e estou bem melhor em relação ao meio início aqui na Udinese.
Sentiu muita diferença entre o futebol italiano e alemão (Maicosuel atuou pelo Hoffenheim)?
Há diferenças. O futebol aqui é mais dinâmico. O nosso treinador gosta de um esquema bem defensivo. Então os jogadores do meio de campo precisam atacar, mas também ajudam na marcação. Na Alemanha o jogo é mais duro, mas são dois bons países para se jogar.
Você chegou no clube junto com o Allan (ex-Vasco) e Willians (ex-Flamengo). Já existia uma amizade ou se conheceram melhor na Itália?
Passei ter mais contato com eles na Itália. No Rio a gente se enfrentava, mas não tínhamos hábito de sair. Agora nos conhecemos melhor.
Quais os objetivos da Udinese na temporada após a eliminação na Liga Europa?
Estamos focados no Campeonato Italiano, já que estamos fora da Liga Europa. É um torneio muito disputado, principalmente no meio da tabela. Vencemos nossa última partida (goleada sobre o Cagliari) e precisamos somar pontos. Começamos muito mal e agora necessitamos de uma sequência de vitórias para poder subir ainda mais.
O que falta para a Udinese encontrar essa regularidade?
Acho que tomamos gols em detalhes. Em alguns momentos faltam um pouco de sorte. Acredito que quando fizermos esses pequenos ajustes e evitarmos essas desatenções no início ou no fim das partidas vamos alcançar a nossa regularidade.
No momento, quem são seus adversários diretos no Italiano?
O Milan, Sampdoria e Bolonha são as equipes mais próximas. Mas no momento essa parte da tabela está muito embolada. Os times estão com diferença de dois pontos para os outros.
Você atua ao lado do Di Natale, que é um ídolo do clube e reconhecido na Itália. Qual a importância dele para o elenco? Ele já te deu conselhos?
Tenho mais contato com ele dentro de campo, já que fora ainda não tenho muita intimidade. Mas é um líder que tenta ajudar a todos. Além disso, é um ídolo do clube e tem muita moral aqui na Itália. Ele conseguiu isso e tenta nos passar a experiência dele.
Como você vê esse momento financeiro delicado da Itália? Acredita que em um curto ou médio prazo é possível você e a Udinese estar entre os primeiros do país?
Acredito que sim. A Udinese, como outros clubes, escolhem os jogadores por aquilo que eles podem apresentar. Isso é um processo muito grande. Sobre a parte econômica não posso dizer muito, mas é importante. Aqui ainda não atingiu. A Itália, mesmo com essa crise, ainda está na frente do Brasil.
Você atua no mesmo clube que o Zico jogou na Europa. O fato dele ser brasileiro e ter uma história na Udinese ajuda os brasileiros com relação a simpatia da torcida?
O Zico é muito respeitado aqui. Além dos quadros dele no clube, as pessoas quando sabem que somos brasileiros falam logo dele. Não o vi jogar, mas aqui me tornei mais fã dele. O torcedor da Udinese tem muita paciência. O meu começo aqui foi complicado e vi que eles gostam de mim. Depois daquele pênalti na Liga dos Campeões (contra o Braga na última eliminatória para a fase de grupos) eles me apoiaram e me acolheram.
Como foram os dias após o jogo contra o Braga?
Foi um período muito complicado. Depois do pênalti as coisas mudaram muito, fui alvo de muitas críticas e de chacotas. Passei por algo inédito na minha carreira. Acabei sendo de uma certa forma castigado, já que fiquei de fora de muitas partidas, fui para o banco e tiveram uns sete jogos seguidos que não entrei. Mas aos poucos fui conquistando novamente meu espaço, sempre de cabeça erguida. Mas com a ajuda de todos e principalmente da minha família superei o episódio.
O que deu errado na cavadinha?
O goleiro ficou parado no meio. Acredito que isso foi o essencial naquele lance. Acho que faria tudo igual. Chutei para fazer o gol, não para aparecer. No momento achei que com a cavadinha faria o gol, mas infelizmente não aconteceu. Não mudaria nada.
O técnico conversou com você depois do ocorrido?
Ele me perguntou porque fiz aquilo. Deu muitas broncas e pegou muito no meu pé depois do episódio. Mas entendi a posição dele e se jogassem a culpa toda em mim, assumiria a responsabilidade. É um clichê, mas só o jogador que está ali pode perder. O treinador perguntou quem poderia bater o pênalti, fui um dos primeiros a pedir. Com um contrato de cinco anos aqui, jamais bateria de brincadeira.
Você bateria um pênalti novamente com cavadinha?
Se tiver a oportunidade, baterei de cavadinha novamente.
O Botafogo foi o clube no Brasil onde você mais brilhou e se identificou. Acompanhou os jogos do Brasileiro? No país é sua primeira opção?
Não sai do clube da maneira que gostaria. Mas devo o meu status profissional ao clube. Acompanhei alguns jogados do Campeonato Brasileiro, às vezes acordado às 3h da manhã daqui. Não posso afirmar que só jogaria no Brasil pelo Botafogo. Não sei o dia de amanhã e seria uma atitude pouco profissional da minha parte com as outras equipes. Mas sem dúvida minha primeira escolha e a prioridade se eu voltasse seria o Botafogo. É um clube que aprendi a gostar. Tenho amigos lá dentro e um carinho muito grande.
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