LNET! entrevista criador do abaixo-assinado contra Roberto Frizzo
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Se o vice-presidente de futebol do Palmeiras, Roberto Frizzo, está ameaçado, como noticiou o LNET!, parte da pressão se deve a um estudante de Direito de 19 anos que reside em Florianópolis: o florianopolitano João Paulo Bossolan. Foi ele quem criou, em dezembro, um abaixo-assinado que teve grande adesão da torcida palmeirense.
Nada menos do que 29 mil pessoas já assinaram o manifesto que pede o afastamento de Frizzo do futebol do clube. Endereçado ao presidente do Alviverde, Arnaldo Tirone, a petição pública fala em "total desrespeito e desinteresse" do vice de futebol para com o clube e questiona o comprometimento profissional dele.
Bossolan cita as "piadinhas" de Frizzo, que já foram criticadas publicamente por Felipão, como um exemplo para justificar suas teses.
- Frizzo faz piadinhas com contratações, fala mal do Valdivia e do Felipão e discute a vida do clube em público. Enfim, o que não é para ser transparente acaba sendo, e o que é para ser transparente nunca é - afirma o estudante.
Em entrevista ao LANCENET!, Bossolan não só atacou Frizzo, como também criticou a falta de cobrança das organizadas na vida política do clube e ainda destacou a Mídia Palestrina e seu papel em fazer com que a torcida do Palmeiras não apenas cante e vibre, mas também cobre os dirigentes do clube, como vem demonstrando. Veja a entrevista exclusiva.
Bate Bola – João Paulo Bossolan, estudante de Direito que criou o abaixo-assinado pedindo o afastamento do vice-presidente Roberto Frizzo do futebol do Palmeiras.
LANCENET!: Como surgiu a idéia de fazer este abaixo-assinado?
JOÃO PAULO BOSSOLAN: A iniciativa surgiu primeiramente da minha insatisfação com a direção do Palmeiras e em especial com o Frizzo. Aí eu lancei a ideia na comunidade oficial do Palmeiras no Orkut e a galera abraçou a causa. O Frizzo não pode dirigir o Palmeiras, ele é incompetente demais e não trata sua função com seriedade. No fim do ano passado, dia 20 de dezembro, eu criei o abaixo-assinado e tinham só algumas poucas assinaturas. Não esperava que o abaixo-assinado chegasse a dar toda essa repercussão. Quando eu comecei a divulgar na Mídia Palestrina, na comunidade oficial do Palmeiras no Orkut, o abaixo-assinado devia ter umas duas mil assinaturas, mas subiu muito quando saiu na mídia. Em um dia, ganhamos 12 mil assinaturas depois de sair no LANCE!
LNET!: Você, como estudante de Direito, pensou em fazer o abaixo-assinado com algum embasamento legal para afastar Roberto Frizzo?
JPB: Não tão focado assim com base legal. Ele não pode ser tirado, o que ele pode é ser afastado do futebol. O que a gente quer é que ele saia do futebol e vá pro social, que é o que ele tanto se preocupa. Eu moro em Florianópolis, mas tenho contato, por meio das comunidades e redes sociais do Palmeiras, com sócios, conselheiros. Uma vez um dos conselheiros me falou que o Tirone está sabendo da quantidade de assinaturas do abaixo-assinado e que vai sentar essa semana para conversar com o Frizzo. Ele disse que quer conversar com o Frizzo, mas não sei o que vai dar, qual será o teor dessa conversa.
LNET!: Você é ligado a alguma torcida organizada? Falta participação das organizadas na vida política do clube? O que você pretende fazer com o abaixo-assinado?
JPB: Não sou ligado a nenhuma torcida organizada. A Mancha (Alviverde, principal organizada do Palmeiras) até já tentou tirar ele, mas ultimamente é difícil porque eu vejo a torcida organizada insistindo em criticar os jogadores, mas não tanto o pessoal ligado ao Mustafá (Contursi, ex-presidente do Palmeiras). O que a gente vai fazer é continuar divulgando na Mídia Palestrina e na mídia convencional, para que ganhe ainda mais adesão da torcida do Palmeiras. De certa forma, já atingimos um objetivo. O que a gente queria era que o abaixo-assinado fosse para a mídia e conseguimos. Agora a gente pelo menos já sabe que o presidente sabe.
LNET!: Existe cisão entre o "torcedor comum" do Palmeiras e os torcedores das organizadas do clube?
JPB: A torcida do Palmeiras é muito complicada. O torcedor comum não se dá bem com a torcida organizada e vice-versa. O que se diz nos fóruns e nas comunidades do Palmeiras é que os pessoal das organizadas não pressionam quem é ligado ao Mustafá. Por que os caras não vão atrás do próprio Mustafá, do Piraci (Oliveira, diretor jurídico do Palmeiras), do Gilto Avallone (conselheiro e membro do Conselho de Orientação e Fiscalização), do (vice-presidente Roberto) Frizzo? Eles vão atrás dos jogadores, vão cobrá-los por atitudes fora de campo, vão atrás do João Vitor, do Marcos Assunção. É sabido que o Frizzo não se dá bem com o Felipão, e o Frizzo vai lá faz piadinha com contratações, fala mal do Felipão, do Valdivia e tudo o mais, discute a vida do clube em público e as organizadas não se mexem. Enfim, o que não é para ser transparente acaba sendo, e o que é para ser transparente nunca é. A organizada não se mobiliza nesse sentido.
LNET!: Você sentiu falta da mobilização das organizadas na luta pelas eleições diretas no Palmeiras?
JPB: Os dois protestos das "Diretas" (manifestações em que os torcedores palmeirenses exigiam que a proposta da eleição presidencial com voto direto do associado fosse posta em votação pelo Conselho) foram feitos por torcedores "comuns". As torcidas organizadas do Palmeiras são fortes, mas elas não se mexem para esse lado, para a vida política do clube. A gente só vê eles xingando o Felipão. Eles não falam do Mustafá, que está lá dentro manipulando e fazendo com que o Palmeiras fique estagnado. Disso a Mancha não fala nada. Nos fóruns da Mancha, não houve uma participação e um engajamento tão grande nessa causa do Frizzo. Vi que o tópico do abaixo-assinado tinha só dez comentários. Nos fóruns da Mídia Palestrina, a participação foi muito maior.
LNET!: O que é a Mídia Palestrina?
JPB: É uma série de sites, comunidades em redes sociais e fóruns de discussão em que se discutem informações sobre o Palmeiras. Participo de todos os fóruns da Mídia Palestrina. A gente usa a Mídia Palestrina para divulgar esse tipo de ação, como o abaixo-assinado e fazer com que essa ação chegue na mídia. Divulgamos pelo Twitter também, mas é uma forma eficiente de chegar à mídia tradicional.
LNET!: Você acha que a mídia tradicional alimenta algum tipo de perseguição com o Palmeiras que pode a vir influenciar na cobertura do clube?
JPB: A gente sabe que a mídia é a favor do Corinthians e Flamengo, até porque a torcida desses times é muito grande e acaba rendendo audiência. Acredito que não venha a influenciar não, talvez em uma matéria ou outra que alguém seja mais mal-intencionado. Mas, no geral, não acho não.
L!NET: Sente falta de mais cobertura da vida política do Palmeiras?
JPB: O que eu acho é que a cobertura do time, de quem vai jogar, treinos, e tudo o mais é muito satisfatória, mas em relação à política do clube já acho que deixa um pouco a desejar. Eu sinto um pouco de falta de ler mais sobre os bastidores da política do Palmeiras. Leio mais na De Prima do LANCE! Mesmo, em que saem notas sobre as reuniões do COF, do movimento das "Diretas". A cobertura dos bastidores do Palmeiras a gente vê muito poucas matérias sobre isso. A gente não sabe quem foi contratado, quanto foi pago, como foi feito. Sinto falta de uma cobertura um pouco mais inteirada nos bastidores. E acho que a torcida como um todo também.
LNET!: Não há uma contradição no fato da torcida cobrar mais informações dos bastidores e, ao mesmo tempo, acusar a mídia de inventar crises no clube?
JPB: A mídia tem que saber que a torcida do Palmeiras é muito bipolar. Eu mesmo me pego xingando alguém e logo depois eu já fico elogiando. Alguma notícia de um jogador que vai vir, a gente sempre quer saber, mas ao mesmo tempo, a gente fica bravo falando: "Ah, mas porque foram vazar isso?". Acho que o trabalho da imprensa tem que ser feito, tem que continuar divulgando as informações aos torcedores.
LNET!: Para finalizar, como você pensa que a torcida avalia este momento político do clube?
JPB: A torcida do Palmeiras não aguenta mais esses dirigentes e conselheiros que tratam o Palmeiras como uma família italiana. Não dá para suportar esse nepotismo que impera no Palmeiras. A torcida do Palmeiras está cansada. Essa mobilização é uma forma de unir a torcida em prol do Palmeiras, mesmo com os torcedores que são de fora de São Paulo, como é o meu caso e querem participar da vida política do clube também.
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