Jessica Long, fenômeno precoce na natação paralímpica

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Embora não exerça na natação paralímpica a mesma soberania na versão olímpica, os Estados Unidos sempre apresentam atletas de destaque dentro da água. É o caso de Jessica Long, de 19 anos, fenômeno precoce surgido na Paralimpíada de Atenas-2004 aos 12 anos, e que, em 2011, ao lado do brasileiro Daniel Dias, foi eleita pela segunda vez a melhor nadadora com deficiência do mundo.
Nascida com má formação congênita, Jessica amputou as pernas do joelho para baixo com 18 meses de vida. Aprendeu a andar com o auxílio de próteses e passou por esportes como ginástica, patinação no gelo e ciclismo antes de se apaixonar pela natação, em que começou a competir em 2002.
Dois anos mais tarde, em Atenas, com apenas 12 anos, impressionou o mundo ao conquistar três ouros. Quatro anos depois, em Pequim, a conta aumentou: foram 4 ouros, uma prata e um bronze. Em Londres, este ano, ela quer mais.
– Foi maravilhoso começar tão cedo. Claro que eu não esperava ser campeã olímpica tão jovem. Atenas e Pequim foram duas surpresas. Fico honrada quando as pessoas me chamam de fenômeno. Espero poder retribuir o carinho e conquistar sete ouros em Londres – afirmou Jessica, que já quebrou mais de 15 recordes mundiais.
Em 2011, a americana teve mais uma ótima temporada. No Pan-Pacífico para atletas com deficiência, em Edmonton (CAN), conquistou nove ouros, com quatro recordes mundiais. No Cam-Am Open, em La Mirada, na Califórnia (EUA), foram seis ouros. Em outubro, no Open Paralímpico, no Rio, ela só não teve desempenho melhor do que a brasileira Edênia Garcia.
Por conta destes resultados, Jessica repetiu 2006 e foi eleita em 2011 a melhor nadadora paralímpica do mundo pela revista Swimming World. Mas a nadadora já está acostumada a ganhar prêmios.
O Comitê Olímpico Americano a alegeu a melhor atleta paralímpica em 2006 e 2007. Nestes dois anos, foi eleita a melhor nadadora pela USA Swimming. E, em 2007, ainda ganhou o ESPY Awards de melhor atleta mulher com deficiência.
Da Rússia para os EUA
Jessica, na verdade, nasceu na Rússia, mas quis o destino que sua vida fosse ficar ligada aos Estados Unidos. Sua mãe biológica não tinha condições de cuidar dela, então a levou para um orfanato. Acabou adotada aos 13 meses pelo casal americano Steve e Beth Long, que não podiam ter filhos.
– Minha mãe era muito jovem e me levou para um orfanato. Foi bom crescer nos Estados Unidos e amo minha família – disse Jessica, que desde a mudança para Baltimore nunca mais voltou à Rússia.
O processo legal de adoção demorou dois meses para ser concluído. Assim que chegou nos Estados Unidos, Jessica foi submetida a uma cirurgia para que não houvesse comprometimento das pernas:
– Nunca sofri preconceito. E meus pais sempre fizeram de tudo para que eu tentasse fazer as coisas sem ajuda. A adaptação foi difícil, mais isso nunca me perturbou.
QUEM É:
Nome:
Jessica Tatiana Long (nasceu como Tatiana Olegovna Kirillova).
Nascimento:
29/2/1992, em Irkutsk, na Rússia. Ela mora em Baltimore, Maryland, nos EUA.
Deficiência:
Jessica nasceu com má formação congênita, que privou a nadadora da região abaixo do joelho nas duas pernas.
Provas:
100m borboleta, 100m livre, 100m peito, 100m costas, 200m medley, 400m livre e 50m livre, 800m livre e 1.500m livre.
Classes:
Jessica compete na S8, SB7 (peito) e SM8 (medley). As classes são para nadadores com limitações físico-motoras.
CONQUISTAS:
Medalhas paralímpicas:
Ouro nos 100m livre, 400m livre e 4x100m livre em Atenas-04; ouro nos 400m livre, 100m livre, 200m medley e 100m borboleta, prata nos 100m costas e bronze nos 100m peito em Pequim-08.
Medalhas em Mundiais:
Nove ouros em Durban (AFS), em 2006; quatro ouros e quatro pratas no Mundial em Piscina Curta, no Rio, em 2009; sete ouros e duas pratas em Eindhoven (HOL), em 2010.
Recordes atuais:
Paralímpico: 100m livre, 400m livre e 200m medley; Mundiais: 100m livre, 400m livre, 800m livre, 1.500m livre, 200m costas, 50m peito, 100m peito, 200m peito, 50m borboleta, 100m borboleta, 200m borboleta, 200m medley, 400m medley e 4x100m livre.
BATE-BOLA:
Você tentou vários esportes. Por que escolheu a natação?
Fiz diversos esportes e adoro ginástica, mas eu me apaixonei pela natação. É a minha vida, a minha casa. Eu amo competir e é na água onde eu me sinto igual a todos.
O que você acha que passa pela cabeça dos atletas mais experientes quando perdem para você?
Sinceramente, não sei. Acho maravilhoso ter começado a ser campeã tão cedo. Eu espero que possa servir de inspiração para que os jovens entrem para o esporte.
Você veio ao Rio pela terceira vez. O que acha da cidade? Pretende voltar para disputar o Rio-2016?
Gosto do Rio e adorei conhecer o Pão de Açúcar. Quero voltar em 2016 porque serão grandes Jogos.
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