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Inspirado em Ralf, Wellington Bruno mira guinada na carreira no Flamengo

Fred, Thiago Neves e Ronaldinho (Foto: Paulo Sergio)
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A estreia de Wellington Bruno como titular na vitrine do futebol brasileiro acontecerá mais tarde do que o jogador planejou. Aos 26 anos e com passagens por dez clubes de menor expressão antes da chegada ao Flamengo, o meia-atacante não se sucumbiu diante das dificuldades e mira o exemplo do amigo que é titular no Corinthians e já vestiu a camisa da Seleção. Contra o São Paulo neste domingo, às 16h, no Engenhão, o rubro-negro espera dar os primeiros passos para uma ascensão definitiva na carreira.

Em 2007, emprestado pelo Noroeste ao XV de Jaú (SP), o jogador encontrou Ralf no clube do interior paulista. Mesmo dois anos mais novo que o volante, Wellington foi titular ao lado dele na campanha que livrou o clube do rebaixamento na Série A2 do Paulista.

- Cheguei para disputar os últimos seis jogos e Ralf já estava lá. O time não caiu. Depois ele foi para o Gama e eu voltei para o Noroeste, mas fizemos uma amizade a partir dali - contou o atacante.

Três anos depois, Ralf foi contratado pelo Corinthians e teve a primeira oportunidade também aos 26 anos. Enquanto isso, Wellington Bruno peregrinava entre o interior de São Paulo e Alagoas, onde defendeu Atlético e CSA.

- Na época fiz um contrato longo com o Noroeste. Fui emprestado várias vezes porque tinham um time com jogadores mais velhos. Não era um clube que era forte em negociação como aconteceu com o Ralf que estava no Barueri e foi visto pelo Corinthians - explicou.

No ano em que Ralf preparava para ser campeão da Libertadores, Wellington Bruno era apontado como o destaque do Ipatinga na Série B. Mesmo em realidades distantes, o corintiano não se esqueceu do amigo e chegou a presenteá-lo com dois pares de chuteiras.

- Disse que ele estava em uma situação melhor e que poderia dar uma ajuda - brincou.

Agora, prestes a começar um jogo pelo Flamengo, o meia-atacante recebe o incentivo de quem já trilhou um caminho semelhante e conseguiu vencer.

- Ele é uma grande pessoa, humilde e chegou onde está por mérito. Desde os tempos do Noroeste lutava por esse objetivo. Sempre irei torcer por ele - desejou Ralf.

Morte do avô quase interrompeu carreira

Os percalços na carreira de Wellington Bruno não envolveram apenas as dificuldades para conseguir um contrato em um clube de ponta. A perda do avô, João Modesto, quando o jovem tinha 16 anos, fez com ele quase abandonasse o sonho de ser profissional.

– Ele era meu grande incentivador. Meu pai trabalhava e não tinha muito tempo para ver os jogos. Então, meu avô sempre esteve por perto e tinha esse sonho de me ver jogando. Quando ele faleceu, cheguei a ficar seis, sete meses parado – contou o meia-atacante.

O pai do atacante, Donizete da Silva, então, foi um dos incentivadores na volta de Wellington Bruno aos juniores do Noroeste. Além do apoio da família, ele usou os conselhos do avô para persistir:

– Ele sempre falava que eu tinha potencial e eu fiquei com isso na cabeça. Minha avó também foi importante.

Aposta de investidores

Apesar de não carregar o status de jovem revelação, Wellington Bruno é uma aposta de dois grandes investidores do futebol brasileiro. Com a totalidade dos direitos econômicos pertencentes ao Banco BMG, o meia-atacante tem a carreira gerenciada pelo DIS, que é do Grupo Sonda.

O meia-atacante está colocado em uma categoria de jogador com maturação tardia e por isso justificou o investimento dos grupos.

O contrato de carreira com o DIS foi assinado recentemente, quando ele já havia recebido ofertas para deixar o Ipatinga. Com o Fla, assinou até o fim do Carioca de 2013, com opção de compra de parte dos direitos econômicos.

Bate-Bola

Wellington Bruno
Em entrevista exclusiva ao LANCENET!

O que levou você a persistir na carreira à espera da primeira oportunidade em um grande clube?
Cheguei a pensar, às vezes, se estava fazendo tudo errado. Mas tive fé e, com o apoio da família, sabia que a oportunidade iria aparecer. Difícil é chegar. Agora, estou tendo a oportunidade de realizar esse sonho que tanto busquei.

Você nasceu em Guarulhos. Tem alguma relação com o rival de hoje?
Eu cheguei a jogar na escolinha do São Paulo quando tinha 12, 13 anos. Mas era longe para eu ficar indo e não tinha condições. Então, abandonei. Na minha época estava o Fábio Santos, que hoje é titular no Corinthians. A família quase toda torce para o São Paulo, mas em um jogo como esse eles certamente estarão torcendo por mim e pelo Flamengo.

Você despontava na mesma época do Ralf. Por que acha que as coisas demoraram um pouco mais para acontecer?
Na época, fiz um contrato longo com o Noroeste. Fui emprestado várias vezes porque tinham um time com jogadores mais velhos. Não era um clube que era forte em negociação como aconteceu com o Ralf, que estava no Barueri e foi visto pelo Corinthians. Depois, então, resolvi ir para Minas Gerais e as coisas começaram a dar certo.

A amizade com Ralf

Encontro
Wellington Bruno e Ralf se encontraram no XV de Jaú, em 2007. Disputaram a Série A2 do Paulista. Depois, o rubro-negro voltou para o Noroeste e o volante foi para o Gama.

Rumos distintos
Quando Ralf chegou ao Corinthians, em 2007, Wellington Bruno passava por clubes de São Paulo e de Alagoas.

Diferenças
Enquanto Ralf foi campeão da Libertadores e prepara-se para o Mundial, Wellington Bruno fará o primeiro jogo como titular por um clube da Série A na carreira.

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