Filha faz Clodoaldo Silva pensar em disputar os Jogos Paralímpicos do Rio
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A presença de Anita mexeu com Clodoaldo Silva. Por causa do nascimento da primeira filha, de oito meses, o nadador, que havia anunciado a aposentadoria após os Jogos Paralímpicos de Londres, com início nesta quarta-feira, agora cogita seguir nas piscinas até 2016.
Competir na Paralimpíada do Rio de Janeiro, daqui a quatro anos, significa dar à filha, que já faz aulas de natação, a lembrança de Clodoaldo também como atleta. O pedido familiar para reconsiderar foi feito pela esposa Josilene.
– Isso me emocionou, me deixou pensativo – disse Silva, com os olhos marejados, após a cerimônia de hasteamento da bandeira do Brasil na Vila Olímpica de Londres, na tarde desta segunda-feira.
Dono de 13 medalhas, o que o coloca como o atleta do país que mais vezes foi ao pódio em Paralimpíadas, o nadador afirmou ter recebido o mesmo pedido para continuar de outros nadadores da equipe durante a aclimatação em Sierra Nevada, na Espanha, em julho.
– Isso me deixou numa sinuca de bico. Confesso que não sei o que faço depois da Paralimpíada (de Londres), se paro ou não. Estou totalmente em dúvida. Chamei uma reunião e avisei que ia parar, depois todo mundo me disse o contrário e isso me emocionou muito, porque sinto que não sou importante só pelas medalhas, pelo atleta, sinto que sou importante fora das piscinas e isso me deixa muito feliz.
Em Londres, Silva nadará quatro provas, estreando na madrugada de quinta-feira (de Brasília), nos 50m livre. Até fechar sua participação, focará nas piscinas. E em Anita. A decisão sobre o futuro de sua carreira ficará em segundo plano.
– Depois que acabar eu vou parar e pensar direitinho. Não quero que essa decisão vire meu pior inimigo, então vou pensar nela apenas depois de competir – avisou.
O editor Thiago Rocha viaja a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).
BATE-BOLA
Clodoaldo Silva
Nadador paralímpico, na Vila Olímpica de Londres
Alguns de seus principais adversários são brasileiros, como Daniel Dias e André Brasil. Como vê essa rivalidade interna?
A rivalidade é muito sadia. Não fico nem um pouco magoado de perder prova para brasileiro. Fico triste e até bravo se perco para atletas de outras nacionalidades, porque quem ganha é o Brasil. Um certo tempo eu era comparado a Michael Phelps e não gostava. Pedia para me compararem a algum brasileiro. No Brasil existem pessoas boas, tanto no olímpico quanto no paralímpico.
E com qual atleta brasileiro você gostaria de ser comparado?
Tenho um grande ídolo, que é Ayrton Senna. Foi por meio dele que aprendi a ter esse amor pelo Brasil, a ser patriota. Hoje na Fórmula 1 dificilmente se vê piloto dando a volta no autódromo após uma vitória mostrando de que país é. Senna fazia questão, quando ganhava, de pegar a bandeira do Brasil e mostrar, e quando tocava o hino a gente sentia a emoção. Ficava imaginando: um dia vou ser um Ayrton Senna? Não fui nas pistas, mas acho que fui e estou sendo nas piscinas e isso me deixa bem feliz.
Você participará do revezamento da tocha paralímpica. Preparado para essa responsabilidade?
Eu me preparei para competir, e não para carregar a tocha (risos). É o reconhecimento de um trabalho que começou em 2000.
DOCUMENTÁRIO PARA JANEIRO
Um documentário sobre Clodoaldo Silva está atualmente em produção. As imagens de "O Tubarão Paraolímpico" começaram a ser captadas em novembro de 2011, durante o Parapan de Guadalajara, no México. Segundo o nadador, a ideia é lançá-lo em janeiro do ano que vem. O filme, de André Baseggio e Gustavo Carvalho, conta com apoio do Comitê Paralímpico Brasileiro.
– Vai contar a história de uma pessoa com deficiência que nasceu em Natal (RN), foi abandonado pelo pai aos 2 anos, teve todas as dificuldades e tinha todos os motivos para se fazer de coitadinho e não se fez. Pelo contrário. Começou no esporte para fazer reabilitação e hoje é um dos maiores atletas paralímpicos do mundo – gabou-se.
Além de ser pai e virar filme, Clodoaldo Silva foi homenageado no Carnaval do Rio de Janeiro (pela Grande Rio) este ano.
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