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Fernando Prass, exclusivo: 'Minha família não vai mais aos jogos'


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Há exatamente uma semana, Fernando Prass estava no aeroporto de Buenos Aires, na Argentina, com a cabeça sangrando depois da agressão de membros da Mancha Alviverde. Nesta quinta, às 20h30, contra o Paulista, será a hora do reencontro dele com a torcida do Palmeiras.

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Aos poucos, o goleiro vai se recuperando do ferimento, o qual garante que não incomoda. O curativo na orelha continua. Mesmo assim, a maior marca está na parte de dentro da cabeça. Prass admite que ainda não esqueceu tudo o que passou naquele dia, e nem sabe se conseguirá fazer isso.

A cena de chegar em casa cheio de sangue assustou a esposa Letícia e, principalmente, os filhos gêmeos, Caio e Helena, de apenas cinco anos, que se revoltaram com a agressão ao pai. Mas foi justamente neles que o camisa 25 se apoiou para seguir tranquilo e sem medo defendendo o Alviverde.

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Na noite desta quinta eles não estarão no estádio, como sempre fizeram, por conta do que aconteceu. Mas Fernando Prass estará. E ele garante: mesmo com tudo o que passou, será assim até o final do seu contrato, que termina em dezembro de 2015.

Confira uma entrevista exclusiva com o goleiro:

LANCE!Net: Hoje faz uma semana que aconteceu a briga na Argentina. Você ainda pensa naquilo ou já conseguiu esquecer ?

FERNANDO PRASS: Esquecer ninguém esquece. É difícil, porque marca muito. Imagina a situação: você, pai de dois filhos de cinco anos, chega em casa com a cabeça cortada, cheia de pontos, com a camiseta cheia de sangue e os filhos querendo saber o que aconteceu. O que vai explicar para eles? É difícil para um pai chegar e ter de explicar isso a um filho, mostrar que a situação foi contra a própria torcida, que alguma outra pessoa chegou e me agrediu... Mas a vida continua, tem de trabalhar e se portar da mesma forma de antes, sem tentar mudar muita coisa.

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L!Net: E como foi essa conversa com a família depois de tudo isso? Qual foi a reação deles no dia?

FP: Minha esposa ficou muito preocupada, ela tem noção do que acontece, mas meus filhos não tem ainda porque são muito pequenos. Eles ficaram indignados, na cabeça deles isso não poderia acontecer de jeito nenhum comigo e estão cobertos de razão. Eles queriam saber de qualquer jeito quem tinha feito aquilo comigo para ir atrás, principalmente minha filha (risos).

L!Net: Com quem você mais conversou? A sua esposa que lhe ajudou a ficar mais tranquilo depois disso?

FP: Ela ficou muito preocupada. Primeiro não sabia muito o que tinha acontecido, depois eu liguei para ela e avisei como tinha sido, ela ficou mais tranquila. Mas acho que cabe mais a mim mesmo passar essa tranquilidade para a família, dizer tudo como está, porque eles não vivem o meio do futebol e não sabem muito como tudo isso funciona. Mais do que ela me dar conselhos, tem de partir de mim mostrar para eles que está tudo tranquilo, as condições e que o Palmeiras me dá tudo do melhor para trabalhar.

L!Net: E agora como eles estão? Continuam fazendo as mesmas coisas?

FP: Mais tranquilos eles estão, mas não vão mais aos jogos, que antes eles iam em todos que dava. E nem tenho argumentos para convencê-los a ir depois disso que aconteceu. Pelo menos por um tempo não vão ao estádio. Imagina se acontece isso com eles lá, para se proteger nessa situação, com crianças e esposa perto. Por conta desse tipo de coisa que o futebol às vezes dá uma regredida, as famílias estão saindo dos estádios cada vez mais, depois de um tempo que víamos muita gente no estádio, inclusive as famílias.

L!Net: E na sua vida, na sua rotina, teve de mudar alguma coisa?

FP: Não, segue tudo normal, na mesma forma de antes. No dia que eu não puder viver normalmente, tranquilamente, em qualquer lugar, seja no meu trabalho, na minha cidade ou até no meu condomínio por violência ou algum motivo, vou repensar tudo. Mas por enquanto levo minha vida normalmente, não tive de mudar nada por aquilo.

L!Net: No domingo você disse que pensou em sair do Palmeiras pelo que aconteceu. O que fez você ter certeza que queria ficar?

FP: Não é que formulei na minha cabeça de fato a ideia de sair. Mas se você perguntar a todos os jogadores que estavam envolvidos naquela confusão, nesse meio tempo pensa em muitas coisas, passa muita coisa pela cabeça. Mas a minha intenção é ficar aqui no Palmeiras, cumprir todo o meu contrato e não penso em nada diferente disso por enquanto.

L!Net: Nos jogos contra Tigre e São Paulo vocês não saudaram a torcida na entrada em campo. Teve algo a ver com os xingamentos ao Valdivia e, depois, com a confusão?

FP: Não. Na verdade foi algo natural, sem pensar, nada premeditado. Jogamos fora essas duas partidas. Eu ainda não tinha jogado com torcida assim no Morumbi, de visitante, então não sabia nem em que lugar ela ficava. Aí entrei para aquecer com o treinador de goleiros, o time entrou na sequência e depois fomos para o Hino. Não teve nada combinado. Não temos problema com isso.

L!Net: E hoje será o primeiro jogo em casa depois da briga. Como será o reencontro? É um jogo normal?

FP: Sim, será um jogo normal. É importantíssimo para nós, porque se ganharmos ficamos perto do líder, três pontos atrás do líder. É o jogo que ficou para trás e será igual aos outros, nada de diferente.

L!Net: O que achou da atitude da Mancha Alviverde, que elogiou você por ter jogado o clássico? Muda em algo sua relação com eles?

FP: Eu fui sorteado lá naquela confusão. A xícara poderia ter acertado em algum passageiro, neles mesmos, já que estavam no meio, em uma criança... Eles atiravam no Valdivia mas poderia pegar em qualquer um. Fui sorteado e acabou me acertando. Mas sou profissional, enquanto eu tiver condições, vou jogar. No Vasco eu já joguei com oito pontos no joelho, era a estreia na Libertadores. Sou um cara que me entrego muito onde estou, tenho prazer de jogar futebol, faço o que eu posso. Os pontos não me limitavam em nada e não tinha porque ficar fora do clássico.

L!Net: Falando um pouco sobre o grupo, como foi a conversa de vocês sobre isso? Se fecharam mais?

FP: Foi uma reação de reprovação pelas agressões, mas sabemos que não podemos nos abalar ou nos pressionar mais por causa disso. Em campo daremos o resultado. Vamos seguir como sempre. Mas acho que tem alguns sentimentos que se reforçaram nessa história, como o de união do grupo, porque foi algo inesperado e espontâneo todo mundo levantar naquela hora e defender o Valdivia. Podemos e devemos tirar algumas coisas boas de tudo isso que aconteceu.

L!Net: Em meio a tudo isso em só três meses de clube, como está sendo trabalhar no Palmeiras?

FP: Estou gostando, conhecendo um pouco do clube, de toda a história. O Palmeiras é muito estruturado, dá condições totais de trabalho para os jogadores. Em campos estamos conseguindo dentro de uma normalidade, pela situação de reformulação pela qual a equipe passou, de forma gradativa um bom desempenho e os resultados têm sido bons.

L!Net: E como analisa o seu desempenho desde que chegou?

FP: Olha, quanto à minha parte estou satisfeito. Claro que nunca está bom, e nem pode estar totalmente bom. O grande goleiro tem de sempre aperfeiçoar, assim como todos os jogadores, mas tem de sempre trabalhar mais ainda. A exigência é em toda partida, quarta e domingo, um jogo atrás do outro, e não pode ter nenhuma queda de rendimento porque perde com isso todo o trabalho que fez. Isso é para mim e para todos. Mas estou bastante satisfeito aqui.

L!Net: Hoje você já é um dos líderes do elenco e até trata de prêmios com a diretoria. Acha que isso é uma característica sua?

FP: Isso vai muito por causa da idade e da experiência que tenho. É bom, porque já tenho uma bagagem de 15, 16 anos no futebol, sempre participando desse tipo de negociação. Muda de clube para clube, mas posso dar minha contribuição ajudando nesse tipo de situação. tento passar essa experiência, assim como em campo.

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