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Feliz com retorno ao trabalho de técnico, Ricardo Gomes é apresentado 'sem contraindicações'

Foram quase quatro anos longe do banco de reservas. Desde o dia 28 de agosto de 2011, quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em pleno Engenhão, durante um Flamengo e Vasco, Ricardo Gomes não sabia o que era comandar um time de futebol. Neste período, chegou a trabalhar como diretor de futebol do Cruz-Maltino. Mas não era aquilo que ele queria. E o Botafogo lhe deu a oportunidade de voltar a fazer o que gosta: comandar uma equipe. Feliz e exultante com o convite recebido, Ricardo Gomes tratou de dizer que está liberado sem qualquer tipo de contraindicação, mas fez a ressalva de que ficou com algumas sequelas do problema.

- Estou muito feliz de retornar ao que gosto de fazer. Claro que não recuperei 100% a parte física. Recuperei a parte motora, mas não a mobilidade. Vocês vão ver alguma sequela, mas estou totalmente liberado de saúde. Falei para eles que o stress vai acontecer, mas não tenho nenhuma contraindicação, falei com os jogadores e agora para vocês (imprensa) também. Estou liberado para críticas - declarou.

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Liberado pelos médicos e com a família tranquila, Ricardo garantiu que sua preocupação agora é recolocar o Glorioso na elite do futebol brasileiro. Com contrato até o fim de 2015, ele espera conseguir o acesso à Série A.

- Minha preocupação maior é fazer o Botafogo voltar ao lugar de onde nunca deveria ter saído. Quero ajudar essa turma boa que conheci, comissão técnica e jogadores, a retornar à Série A.

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CONFIRA A ENTREVISTA DE RICARDO GOMES NA ÍNTEGRA:

RETORNO AO ENGENHÃO

Se eu não tivesse aqui na época, não estaria conversando com vocês. Ainda bem que estava aqui. Tive essa sorte. Que bom. A verdade é uma só. Dia 28 de agosto de 2011, ainda bem que estava aqui.

RETORNO

Comecei no Vasco em 2013, mas não era o que eu gosto de fazer. A dificuldade que eu vou ter não tem nada a ver com AVC. É uma lesão que tive em 1984, no joelho. Essa dificuldade será maior do que o AVC. Tive recuperação de 3 anos e 11 meses (completa na terça-feira). Desde aquele dia, só encontrei pessoas capacitadas e só por isso estou aqui. Só coisas boas aconteceram. Apesar do acidente, só tenho coisas boas a contar.

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FAMÍLIA

Eles não estão nem um pouco preocupados. Me conhecem. Apesar do acidente traumático, estão recuperados também. Estão torcendo agora pelo Botafogo, com a opinião dos médicos que me salvaram. Tem pessoas que perguntam "o que ele está fazendo no futebol, depois de dois AVCs"? Eles entenderam, não é opinião, é embasamento científico.

RECUPERAÇÃO

Não foi fácil, posso garantir. Minha memória de atleta me ajudou bastante. Uma pessoa que tem o acidente e não tenha conduta de atleta dificulta bastante o retorno. Eram treinos de dez, 12 horas. Em casa, em clínicas... Sempre pensando em voltar nisso aqui. Com capacidade de comandar um grande clube.

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CONVERSAS NO BOTAFOGO

Participei de duas reuniões importantíssimas, com o grupo e com os observadores. Fiquei quatro anos fora do mercado. Isso foi muito importante. Tem um preço. Não se faz nada sem um preço a pagar. Sei disso. Esse grupo e a comissão técnica possuem um nível de profissionalismo impressionante.

MUDANÇAS NO FUTEBOL NO PERÍODO FORA

Uma coisa é ver televisão. É outro jogo. Comecei a acompanhar mesmo quando fui para a final da Liga dos Campeões em Lisboa, em 2014. Também fui na final da Liga Europa entre Benfica e Sevilla. A partir daí comecei a me inteirar no dia a dia. Na televisão é quase outro esporte. Copa do Mundo vi alguns jogos, depois o Fla-Flu pelo Cristovão (Borges), que é meu amigo.

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REAÇÃO AO CONVITE DO BOTAFOGO

Fiquei surpreso. Teve outro convite do Vitória, no início do ano, mas tava querendo operar o joelho. Recuperação foi bem feita, mas lenta. E agora o convite do Botafogo. Foi a primeira vez que recebo um clube na liderança (risos). Teve o trabalho do René (Simões), excelente, e o Jair é um espetáculo. Está de parabéns pela forma que montou o time.

LIBERAÇÃO MÉDICA

Natural. Sinceramente. Nenhum discurso de que vai acontecer de novo. Normal. Tive o amparo de quem me salvou.

CONVERSA COM DIRETORIA SOBRE SAÚDE

Tenho sequelas, claro. Mas coloquei para toda a diretoria o risco da minha situação. Não posso acertar pelo telefone. Falei "estou assim, acham que tenho condições?". A partir daí, comecei a conversar com o Lopes a parte financeira.

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MUDANÇAS NO TIME

Vou dar continuidade ao que foi bem feito com o René e o Jair. Não vou mudar... Isso é o principal. Se mudo método, o jogador também vai ficar duas ou três semanas para entender.

MUDANÇA DEPOIS DO AVC

É uma experiência... É muito importante, mas a gente sabe pouca coisa. Temos que trabalhar muito para aprender um pouco mais. Posso garantir que, antes do acidente, tinha uma cabeça. É força, trabalho, dedicação... Isso que vou passar em qualquer colocação.

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GAROTADA

Tivemos reunião pela manhã e o cara que sobe do sub-20 para o profissional não chega cru. Eles já fizeram isso. A formação aqui é muito boa.

CONVERSAS COM JEFFERSON E JOGADORES

Jefferson é o capitão, referência. Aqui tem um bom ambiente, de muita luta e competição interna, que tem que ter. É muito difícil um ambiente positivo. Mesmo com a capacidade dos jogadores, por vezes isso não bate. Isso me impressionou.

CONVERSA COM RENÉ SIMÕES

Não tive contato com ele.

BOTAFOGO ERA O CLUBE QUE FALTAVA?

Essa conta eu não faço. Na minha cabeça, foi um grande clube que me convidou. Falta muita coisa ainda. Comecei em 96 e ainda não completei a segunda década como treinador. Um técnico precisa de bastante tempo para amadurecer. O Botafogo é um grande clube e vamos fazer do melhor para que ele volte e fique nos melhores lugares do futebol.

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SITUAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO

A história é muito mais importante do que este momento. Botafogo é um grande clube, mas vai sair dessa situação. Assim como o futebol brasileiro. É um momento difícil, como foi evidenciado na Copa do Mundo. Vamos nos recuperar, com muito trabalho e muita competência.

O futebol no país vai se recuperar com uma grande formação. Me formei no Fluminense com 12 anos e quando cheguei ao profissional, estava formado. Nenhum treinador na Europa me disse que estava errado quando cheguei lá. Aconteceu isso pela boa formação.

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O Brasileiro não pode copiar tudo que vem da Europa. Vale a pena ver o que acontece, mas temos uma história muito rica. Temos aqui profissionais gabaritados para procurar soluções próprias, sem copiar da Europa.

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