Emanuel e Alison são alvos de protesto em Roma
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Os problemas políticos entre Brasil e Itália, envolvendo o ex-ativista Cesare Battisti, atingiram o esporte. Em Roma, durante o Mundial de vôlei de praia, a dupla brasileira Emanuel/Alison foi alvo de protestos da torcida local, que atirou laranjas na direção dos dois durante a vitória sobre Soderberg/Hoyer (DIN), por 2 sets a 1 (21-18, 22-24 e 15-10), na quarta-feira.
Na Itália, Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos na década de 70. Ele estava preso no Brasil desde 2007, e, no fim do ano passado, o ex-presidente Lula negou sua extradição. O caso ganhou novo capítulo no último dia 8, o Superior Tribunal Federal concedeu liberdade ao italiano, mas não o extraditou, fato que gerou revolta nos europeus.
– Eu estava indo para o saque, no começo do segundo set, quando vi jogarem as laranjas. Tentei entender, mas só no fim do jogo que soube que era um protesto em relação ao governo brasileiro – disse Emanuel.
Nesta quinta, os brasileiros voltaram a vencer e continuam invictos no Mundial. Dessa vez, o triunfo foi sobre dupla Babich/Ioisher (UCR), por 2 sets a 0 (duplo 21-13). Depois, Alison, em entrevista por e-mail ao LANCENET!, revelou que o protesto aconteceria contra qualquer outra dupla brasileira que estivesse em quadra naquele momento.
– Foi a primeira vez que presenciei algo assim. Menos mal que foi um protesto pacífico, embora haja toda uma carga de revolta do povo italiano. Não foi algo direcionado a nós – declarou o jogador, que também revelou não ter recebido nenhum pedido de desculpas da Federação Internacional (FIVB).
Contrastando com o momento de susto, Emanuel, ontem, foi homenageado pela FIVB com uma estátua de cinco metros de altura, para valorizar os atletas da modalidade.
A americana Kerry Walsh também foi agraciada pela entidade. As estátuas ficarão expostas em pontos turísticos da capital italiana.
CONFIRA A ENTREVISTA EXCLUSIVA COM ALISON:
LANCENET! - Além deste episódio, sentiram algum outro preconceito por causa do problema?
ALISON - Não, nunca, esta foi a primeira vez que presenciei algo assim. Menos mal que foi um protesto pacífico, embora haja toda uma carga de revolta do povo italiano, foi um ato sem violência. Não foi algo direcionado para nós, era para uma dupla brasileira, qualquer que fosse, mas éramos nós na quadra naquele momento.
LANCENET - Receberam um pedido de desculpa formal da FIVB e da Federação Italiana?
ALISON - Não. Mas é claro que ninguém, nem FIVB, nem o comitê local, imaginava que isso ia acontecer, ninguém gostou do que aconteceu. Foi um ato isolado, sem maiores consequências, aconteceu, mas já é passado.
LANCENET - É a primeira vez na carreira que acontece isso com você, de ser alvo por problema político do país?
ALISON - Nunca aconteceu isso antes.
LANCENET! - Temem que possa acontecer mais alguma coisa contra vocês?
ALISON - Não. Espero que não aconteça mais, porque isso não tem nada a ver com a alegria do esporte.
LANCENET! - O episódio mexeu com a cabeça de vocês, apesar da vitória?
ALISON - Não. Estávamos muito concentrados na partida. Talvez, se fosse uma coisa direcionada para a gente, Alison e Emanuel, pudesse interferir, mas foi tudo muito rápido. Nem entendemos direito que estava acontecendo, então não atrapalhou a gente.
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