Contradições e gafes: as polêmicas e os erros da audiência de Spider
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A audiência de Anderson Silva com a Comissão Atlética do Estado de Nevada não foi histórica apenas por ter marcado a suspensão de um ano ao lutador após os flagras no doping protagonizados pelo atleta no início do ano. O encontro do ex-campeão do UFC com a comissão contou com inúmeras gafes e rendeu muita polêmica. Inconsistências, informações desencontradas, falta de documentos, problemas na tradução do depoimento de Spider e até telefones tocando marcaram o evento e interrompendo a audiência marcaram a tarde.
Spider chegou à audiência acompanhado de Michael Alonso, seu advogado, Ed Soares, seu empresário, Paul Scott, apresentado como especialista em doping, e Giovani Decker, presidente do UFC no Brasil. Ele foi o último dos 22 casos julgados durante o evento. O lutador levou cerca de duas horas e 40 minutos para ser chamado a apresentar sua defesa junto a comissão. Sua participação na audiência durou quase o mesmo tempo de espera.
Assista a defesa de Spider a partir de 2h01min
Falta de documentos
Advogado de Anderson Silva, Michael Alonso abriu a defesa de Spider logo após o lutador e os componentes da mesa jurarem falar a verdade com a mão direita levantada. Alonso solicitou e fez com que os membros da comissão recebessem cópias dos exames conduzidos pela Sports Medicine Research and Testing Laboratory (SMRTL), realizados antes e depois do UFC 183, no dia 31 de janeiro. Estes apontaram a presença de drostanolona e androsterona (ambos metabólitos de anabolizantes). Porém, apesar de alegrar que pretendia conflitar tais resultados com os feitos pelo laboratório Quest, que deram negativo para o doping, Alonso falhou ao não ter levado cópias dos exames para a avaliação da comissão. Ele não soube nem dizer como tais exames foram conduzidos e com poucos minutos dava respostas vagas à comissão.
Tradução dupla
Cristiane Mersch era a responsável pela tradução das palavras de Anderson à comissão. Logo na primeira respostas a tradutora errou numa frase simples. Neste momento, Ed Soares, empresário de Spider, que normalmente atua como tradutor do lutador em alguns eventos do UFC, pediu a palavra e a oportunidade de traduzir seu cliente. Permissão concedida. Porém, como se trata de alguém da equipe de Spider, o que caracteriza um conflite de interesses, após traduzir as primeiras respostas de Silva, Ed seguido de uma nova tradução, esta feita por Mersch. Ambos trocaram acusações e discordâncias no início. Nos momentos finais, os tradutores se alternavam.
A contradição de Spider
Em seu primeiro depoimento, Anderson Silva declarou não saber qual o nome ou o tipo de estimulante sexual apresentado por seu amigo, chamado Marcos Fernandes, vindo da Tailândia. Ele ingeriu a substãncias sem qualquer consulta médica, confiante nas palavras do amigo. Em outras passagens, ele se referiu ao medicamento como Cialis e até Viagra, nomeando as substãncias, o que caracterizou a primeira contradição, embora não tenha confirmado o uso de um ou outro.
A contradição de Spider 2
Depois de declarar que começou a usar o estimulante sexual três meses antes da luta contra Nick Diaz, por volta de meados de novembro de 2014, o lutador disse ter ingerido pela última vez a substãncia no dia 8 de janeiro. Após um profissional consultado pela comissão afirmar que não era possível tal substãncia contaminada ainda estar no organismo no dia 31 de janeiro, Spider mudou seu discurso e disse ter ingerido uma outra vez o estimulante sexual no início da semana da luta contra Nick Diaz.
A contradição de Spider 3
Se em diversas depoimentos publicados na internet Anderson Silva disse que jamais caiu no doping após vários exames ao longo de sua carreira, durante o julgamento Spider declarou que "nunca foi testado fora de competição". O teste onde foi flagrado no dia 9 de janeiro fora o primeiro.
Especialista contestado
Classificado pela defesa de Spider como um "expert" no assunto "doping", Paul Scott teve sua participação contestado por Chris Eccles, procurador geral da comissão, por não ser PHD e pediu a descrição de suas credenciais. Ele explicou que trabalhou em um laboratatório credenciado pela Wada (Agência Mundial Antidoping) durante dez meses entre 2005 e 2006 e que esses eram seus únicos feitos relevantes. Scott também tentou alegar que a drostanolona teria sido encontrada no medicamento Cialis, ingerido por Spider sem prescrição médica. A comissão perguntou quantos suplementos haviam na lista apresentada por Spider para sua avaliação. Ele não soube precisar e chutou: "Acho que sete". A sugestão fez os membros da comissão rirem, já que uma lista de substãncias costuma ser extensa. Diversos documentos foram solicitados, mas a grande maioria dos documentos necessários para sustentar a tese não haviam sido providenciados.
Desprevenidos
Quando questionados a respeito do uso e prescrição do benzodiazepina, ansiolíticos proibidos, Anderson Silva e sua equipe alegaram que o uso fora recomendado pelos médicos que o atenderam após uma crise no ciático, quando sofreu com uma dor nas costas em novembro do ano passado e passou uma noite no hospital. O lutador chegou a dizer que poderia mostrar a prescrição do medicamento para comprovar o uso, algo que era obrigação da equipe ter em mãos para apresentar na hora da defesa à comissão.
Toques de celulares
Como em toda audiência da comissão, um telefone fica com o viva-voz ativado à frente de Francisco Aguilar, chairmain da comissão. O aparelho serve para a participação de convocados que não podem estar presentes na audiência. Seja por toques avulsos, descuidos de membros da mesa ou até pelo serviço de conferência telefônica usado pela comissão, por diversas vezes músicas interrompiam a audiência e arrancavam risos dos presentes.
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